LITORAIS, novo livro de poemas de Manuel Simões – por António Gomes Marques

LITORAIS

Novo livro de poemas de Manuel Simões

por António Gomes Marques

 

No passado dia 10 de Dezembro, a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo publicou mais um volume de Cadernos Nova Síntese, Edições Colibri, subordinado ao título «100 ANOS DE LITERATURA GENTE – HOMENAGEM A SIDÓNIO MURALHA», com Coordenação de Violante F. Magalhães.

Nesse volume, para além da necessária e indiscutível homenagem a Sidónio Muralha, a Direcção dos Cadernos adicionou mais duas rubricas: “Centenário de Carlos de Oliveira (2021)” e “Textos diversos”. Ora, nesta última rubrica é reproduzido um texto de minha autoria, intitulado «Na apresentação de Litorais – Livro de poemas de Manuel Simões», numa edição da Âncora Editora, apresentação essa que aconteceu na Biblioteca Fernando Piteira Santos, em 12 de Abril de 2022. É esse texto que se reproduz a seguir (nem sempre sigo as regras definidas para os Cadernos Nova Síntese, como já o eram para a Revista com a mesma designação, por uma questão de comodismo na publicação do texto no blogue).

 

Na apresentação de «Litorais»

Livro de poemas de Manuel Simões

Começo por tranquilizar a audiência: não sou um crítico de poesia ou mesmo de literatura, sou apenas um leitor, de poesia e não só, mas não posso deixar de dizer que me considero um péssimo leitor de poesia.

Assim, vou procurar não me alongar, esperando poder entusiasmar-vos na leitura deste livro de poesia, procurando realçar alguns aspectos da poesia do Manuel, não tendo, no entanto, a presunção de julgar, com isso, abarcar toda a mensagem contida na sua obra poética. Reconheço que a poesia é a vida, como nos lembra Alexandre O’Neill no seu longo poema «Autocrítica»: «A poesia é a vida? Pois claro! / Embora custe caro, muito caro, / e a morte se meta de permeio.».

Tenho também de vos dizer a razão por que aceitei apresentar este novo livro do Manuel Simões, sendo a principal o facto de sermos amigos há várias décadas, para além de ser um admirador da sua poesia, o que já são duas boas razões para ter aceitado o seu convite.

A nossa amizade nasceu de objectivos comuns, que passam por possibilitar a «formação cívica de cada indivíduo», para utilizar uma expressão cara ao Manuel Simões e que, recentemente, utilizou num texto de despedida comovida a um comum amigo, o Carlos Loures, objectivos esses que nos juntaram a um outro amigo que não há muito tempo também nos deixou, o Camilo Mourão, pai da minha companheira de mesa, a Joana Mourão, que irá fazer a apresentação de uma outra obra do Manuel, O IMAGINÁRIO DE VENEZA NA LITERATURA PORTUGUESA – SÉCULOS XV-XXI.

Qualquer destes dois saudosos amigos seria mais qualificado do que eu para fazer esta apresentação, apenas os igualando eu na amizade.

Todos sabemos, ou devíamos saber, pelo menos este grupo de amigos que acabo de invocar sempre soube, que a verdade é uma busca constante, de verdade em verdade, sem que nos seja imposta uma; que mostra que a vida se constrói no respeito por valores e pela diferença; que nos ajuda a compreender que a actividade humana tem de ser tomada como actividade objectiva, no sentido em que não é apenas capaz de intervir no real, como também de transformá-lo.

Para esse objectivo comum que nos juntou, cada um usa as armas que tem e a principal arma de um poeta ou de um escritor é a palavra. No uso dessa palavra, é o Manuel Simões um poeta de excelência, seguindo aliás o caminho desbravado, entre outros, pelos neo-realistas portugueses, esse Movimento maior da cultura portuguesa, em cuja segunda geração eu incluo o Manuel.

Vou procurar, nesta apresentação, referir alguns aspectos que considero sempre presentes na sua produção poética.

Ora, dos neo-realistas da primeira geração, será talvez o Carlos de Oliveira o que mais atenção chamou ao Manuel Simões, mas não posso deixar de lembrar um outro poeta maior da língua portuguesa, brasileiro este, de nome João Cabral de Melo Neto. Também a poesia de Manuel da Fonseca o tocou de uma forma bem explícita.

Com estes poetas tem o Manuel Simões de comum uma preocupação social, para além de uma grande preocupação na fuga ao panfletário, herdando deles o rigor bem patente nas suas obras literárias, particularmente na poesia.

No seu livro Errâncias, no Roteiro de Afectos, evoca Manuel Simões os dois poetas, dedicando um poema a Carlos de Oliveira, que intitula «Evocação de Carlos de Oliveira»;

                                                  A folha é branca

                                                  demasiado branca

                                                  duma brancura

                                                  angustiante

                                                  (…)

São os primeiros versos do poema, de que transcrevo mais oito versos:

                                                  Olhando fixamente,

                                                  o que pareciam

                                                  poucas frases

                                                  de árida textura

                                                  são, na verdade,

                                                  um dilúvio

                                                  de palavras,

                                                  um excesso.

Vou passar agora a um dos dois poemas que dedica a João Cabral de Melo Neto, nesse mesmo livro, para depois entrar no livro Litorais, que agora se apresenta ao público. Começo pelo primeiro, que transcrevo na totalidade;

                                                  Gostava

                                                  de ter o teu ofício

                                                  usar a tua faca

                                                  só lâmina

                                                  como bisturi

                                                  da palavra.

                                                  Palavra que gostava;

                                                   possuir o segredo

                                                   do teu verbo

                                                   medido

                                                   calibrado

                                                   a geometria incrível

                                                   a in-sólita

                                                    insuspeitável música

                                                    aflorando

                                                    dos ecos profundos

                                                    do poema.

Nestes dois poemas encontro eu todo um projecto de poesia que o Manuel Simões abraçou. E nessa poesia, o Manuel não se esquece de nos avisar que na sua arte poética tem sempre o rigor a marcar os limites, vendo eu esse aviso no próprio início desta nova obra com a invocação dos dois poetas que, pelo menos para mim e julgo que para o Manuel, são símbolo desse rigor, pois, antes do primeiro poema, transcreve-se um poema de Carlos de Oliveira, «Lavoisier», do livro Sobre o Lado Esquerdo, tendo esse primeiro poema de Litorais, «A PALAVRA/PEDRA», como epígrafe, um verso de João Cabral de Melo Neto, «A pedra dá à frase seu grão mais vivo».

No segundo poema, o Manuel mostra o alto conceito em que tem o poeta brasileiro, escrevendo:

                                                  Um dia

                                                  epigrafei-te

                                                  e acreditei

                                                  ter escrito

                                                  à tua maneira.

                                                  Estultícia

                                                   De aprendiz de poeta:

                                                   (…)

Ora, este primeiro poema de Litorais, que agora apresento, é a prova provada de que não há essa estultícia na poesia do Manuel e, se se atentar no próprio título do poema, que já referi, há uma chamada de atenção para o peso que a palavra tem na grande poesia e, naturalmente, na poesia do Manuel Simões. Só com um uso rigoroso da palavra a poesia nos pode alertar para «as infâmias da vida», é o significado de cada uma das palavras que o poeta utiliza que nos alerta para o mundo real, demasiadas vezes cruel, em que vivemos, pois, como nos avisa o poeta na primeira quadra do terceiro poema:

                                                  A palavra, mesmo trémula

                                                  na memória criativa

                                                  provém dos mais altos ramos

                                                  da densa árvore da vida,

                                                   (…)

Este tema das palavras é uma constante na poesia portuguesa, com especial incidência na poesia neo-realista da primeira geração, com Carlos de Oliveira em primeiro plano, assim como na segunda geração, de que Manuel Simões é exemplo, e que nada tem a ver com a retórica que muitos críticos dizem presente em muita da poesia portuguesa, retórica essa ausente da poesia do Novo Cancioneiro, a célebre colecção que reuniu a poesia dos maiores poetas neo-realistas da primeira geração, com o Manuel a dar continuidade ao caminho por essa geração aberto.

Outra característica presente na poesia de Manuel Simões que quero realçar tem a ver com algo de comum a muitos portugueses, transformados em seres errantes, na busca de uma vida melhor, na busca de uma maior felicidade a que todo o ser humano tem direito, como o próprio Manuel o foi e, provavelmente, por agora se encontrar afastado de Veneza, com que conviveu diariamente durante 30 anos, assim continuará a considerar-se.

No curto prefácio ao já citado Errâncias, escreve Fernando J. B. Martinho, um dos críticos e académicos que melhor conhece a obra poética de Manuel Simões: «Frequentemente se tem visto no escritor moderno um ser da errância. Mais: o estrangeiro para si mesmo e em toda a parte, como no-lo lembram as epígrafes deste livro. No caso de Manuel Simões, sem que da sua recolha esteja ausente a nota metafísica, a errância é, acima de tudo, metáfora de uma divisão. Entre duas lealdades, (…). A que se deve ao país que um dia, há mais de um quarto de século, se deixou para a ele continuamente voltar, e a que se foi criando relativamente ao espaço adoptado, a Itália. (…) A nenhum dos dois espaços o poeta alguma vez retorna verdadeiramente. (…) para ele, não há apenas uma Ítaca, mas duas, que fazem dele um ser irremediavelmente cindido. Que nunca se sente em casa em nenhuma delas, sempre atormentado pela nostalgia da outra.» Ou seja, o poeta, mesmo regressado definitivamente ao seu país, não consegue pôr termo à sua errância. No entanto, «A rua de outrora perdura», verso com que inicia um poema de Litorais, que reproduzo:

                                                  MEMÓRIA TRANSITIVA

                                                  A rua de outrora perdura

                                                  na memória, seguir-te-á

                                                  o coração onde quer que vás,

                                                  por muito que navegues

                                                  para lá da marca original

                                                  colada à pele e ao sangue.

                                                  As aves vinham à tarde

                                                  em voos rasantes ao teu olhar

                                                  de assombro. Ao seguir-lhes o voo,

                                                  o sonho partia nas asas

                                                  do vento e do infinito

                                                  sem limites de lonjura.

                                                  Seguir-te-á sempre a tua rua,

                                                  mesmo que te adaptes à nova

                                                  e audaciosa arquitectura.

mas com Veneza e o Mar Mediterrâneo sempre presente na sua poesia, como se mostra evidente neste Litorais, de que é exemplo o poema 1 de

                                                  MAR MEDITERRÂNEO

                                                  Já não és o mar dos mitos

                                                  consagradores da utopia,

                                                   das Ítacas por descobrir

                                                   que Lampedusa prometia.

                                                   Quantos naufrágios ainda,

                                                   mar de dor humana ingente,

                                                   com teus navios à deriva

                                                   longe da terra e da gente.

                                                   Do teu azul, mar de enganos,

                                                   emergem sombras de sangue

                                                    armadilhado à partida.

                                                    É a Europa que naufraga

                                                     nos litorais de agonia,

                                                     sem audácia e sem vida.

O poeta invoca esse Mar Mediterrâneo que hoje é cemitério de milhares de errantes à procura de uma nova vida, de uma vida com dignidade, a que a Europa dita da liberdade fecha as portas de entrada por terem uma cor de pele diferente, em contraste com as portas escancaradas aos fugidos da trágica guerra a que assistimos, aos que «são iguais a nós», ouvimos dizer a quem os recebe com alguma ingenuidade e não menos espanto. Dois pesos e duas medidas, como já vem sendo habitual, e que rapidamente será considerado natural, neste mundo dito civilizado em que vivemos.

«A poesia é a vida» e o poeta está atento ao mundo em que vive, neste caso atento à tragédia, «Embora custe caro, muito caro, / e a morte se meta de permeio.», como nos avisa O’Neill.

Outra das preocupações do poeta é a infindável exploração do homem pelo homem, para usar uma expressão marxista, que motivou o Manuel Simões a escrever um dos mais belos poemas sobre o tema, belo pela sua musicalidade, pelo seu ritmo, belo esteticamente, mas terrível pela realidade de que nos fala e que, contrariamente ao que querem que tomemos por verdade, está bem presente no tempo que nos é dado viver, como os recentes factos passados em Ourique bem o atestam, o que me trouxe à memória versos de «A Primeira Elegia», de Elegias de Duíno, de Rainer Maria Rilke, onde, a dado passo, se pode ler:

                                                  (…) Pois que o belo nada é

                                                  senão o começo do terrível, (…)

Mas voltemos a Manuel Simões e ao poema que referi, incluído no seu livro Crónica breve, de Março de 1970, reeditado em Novembro de 1976, constituindo a primeira parte de Crónica Segunda, intitulado

                                                  Ceifeira: não dobres tanto a cintura

                                                  Ceifeira,

                                                  cantar agreste

                                                  na flor do vento,

                                                  trigo e suor

                                                  amargurado

                                                  no esquecimento.

                                                  Ceifeira,

                                                  de sol a sol

                                                  teu canto trespassa

                                                  o trigo.

                                                  Com a lâmina

                                                  fere a espiga,

                                                  põe-na revolta,

                                                   explosiva.

                                                  Ceifeira,

                                                  oh que amargura

                                                  te vai no corpo

                                                  agravado.

                                                  Sempre a dar

                                                  o corpo à terra

                                                  e teu sangue

                                                  amotinado.

                                                  Ceifeira,

                                                  levanta a foice

                                                  não dobres tanto

                                                  a cintura.

                                                  Quem trabalha

                                                  a terra alheia

                                                  não pode usar

                                                  a ternura.

Poema este que nos remete para um outro poeta de eleição para o Manuel Simões e também para mim, Manuel da Fonseca.

Num ensaio de Manuel Simões, Garcia Lorca e Manuel da Fonseca – Dois Poetas em Confronto, editado em português em Itália, cuja 2.ª edição, mas 1.ª em Portugal —com apoio da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo—, tive a honra de apresentar, disse eu: «Manuel da Fonseca era um cidadão de corpo inteiro e desejoso de intervir nos destinos do seu povo, de dar o seu contributo para a emancipação dos “explorados e ofendidos”», o que não deixa de ser uma boa razão para o Manuel Simões se ter debruçado sobre a obra deste neo-realista da primeira geração, escrevendo Manuel Simões a dado passo deste ensaio: «Anote-se, no entanto, que o que em Lorca fora descoberta estética, adesão sentimental, ardente simpatia, é agora (com o neo-realismo) a expressão da consciente aspiração dos povos à sua emancipação. Neste aspecto, há que salientar Manuel da Fonseca, que assimila e transfigura a poesia lorquiana ….».

Escreve ainda Manuel Simões: «A obra do poeta de Granada é percorrida de lés a lés pela força irresistível do sangue, do amor e da morte, o mistério do que se oculta (a noite e as suas sombras), o erotismo agudo, a solidão, outros tantos motivos carregados de poderosos mitos que um certo exotismo lorquiano não faz mais que acentuar.» E, mais à frente: «Não encontramos idêntica obsessão na poesia de Manuel da Fonseca, embora o seu vínculo estreito à terra alentejana lhe confira certa aproximação temática com a poesia de Lorca, o que se explica, (…) pela confluência de motivações. Detectamos então algumas correspondências entre si, (…): a raiz atormentada, o amor e desamor, a luta épica ou o ímpeto da vida, desfeito em Lorca pelo espectáculo da morte ou desilusão.» (pág. 83 da edição em Itália).

Ora, se «a raiz atormentada, o amor e desamor, a luta épica ou o ímpeto da vida», são uma constante na poesia de Manuel da Fonseca, também os mesmos temas estão presentes na poesia de Manuel Simões, e aqui não me refiro apenas a esta nova obra, Litorais, mas a toda a produção poética do nosso autor, assim como nos seus ensaios literários.

E como não poderia deixar de ser, neste novo livro há dois poemas, sob o título de “Alentejo”, dedicados precisamente a Manuel da Fonseca. Mas o que disse sobre Manuel da Fonseca, no prefácio ao seu livro Poemas Completos, Mário Dionísio, o poeta, ficcionista, ensaísta e professor, qualificativos também atribuíveis a Manuel Simões —sendo também Dionísio um pintor de eleição—, podemos também dizer do autor que aqui apresento, ou seja, que a sua poesia «se nutre (d)o que há de mais universal e permanente na sua obra, de que verdade particular e de que tom caracterizadamente local ela parte para atingir esse interesse e esse sentimento dos problemas do seu tempo».

A nova obra poética do Manuel Simões mostra-se fiel ao que tem sido o seu percurso, como se comprova com o poema que transcrevo:

                                       A VOZ DA PLANÍCIE

                                   E eis que de súbito, com o vento de Maio,

                                   veio até nós a memória de Eufémia, a gesta

                                   da planície nos provérbios do trigo,

                                   carroças e cavalos desventrados nas praças,

                                   tal o furor oculto, o rosto das mulheres,

                                   o seu luto de agravos e jornas tão iníquas,

                                   o assombro do sol ao longo das herdades.

                                   À frente Catarina com gesto decidido, as ruas

                                   bloqueadas como um campo de armas.

                                   E de repente os tiros, o disparar agudo

                                   ou zumbido infindável, o arrepio da morte,

                                   e a vertigem da queda nos olhos assombrados.

                                    E de repente o sangue, como marca do crime,

                                    Catarina por terra, o ventre contra o solo.

                                    E de repente ainda, nas arestas do dia,

                                    eis que na planície se manifesta o povo.

                                                      (1.º de Maio, 1970)

São estes alguns dos temas que mais me têm despertado na obra poética, mas também ensaística, do Manuel Simões, não tendo eu a presunção de pensar que a sua obra se esgota neles, nem tão pouco a pretensão de ter alcançado tudo o que significa a produção de realidade que nessa obra se contém. Nessa sua obra, sobretudo poética mas também ensaística, o autor fala-nos da realidade em que vivemos, mas que a maioria de nós teima em não querer ver. Será apenas por comodismo?

Litorais vem dar continuidade a esta obra e obrigou-me a uma revisitação à sua produção anterior e, naturalmente, a uma reflexão sobre o tempo que vivemos, aumentando a minha dívida para com o Manuel, que mais uma vez aumenta o crédito que me vem concedendo ao longo de várias décadas. Mas ele é generoso e não me vai exigir o pagamento.

O livro termina com uma homenagem ao cinema, a arte que apaixonou a geração do Manuel e a minha, uma homenagem também ao cinema neo-realista italiano e a essa atriz sublime que dava pelo nome de Anna Magnani, com o poema A ROSA TATUADA.

Obrigado, Manuel!

Outro obrigado vai para os presentes que, com generosa paciência, me ouviram.

Amadora, 2022-04-12

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