Uma estória não passa de um conjunto de imagens, dependendo, em grande parte, da arte do contador, até por a palavra também ser o estímulo e o caminho da imagem, parecendo confirmar o que no seu livro ‘O óbvio e o obtuso’, afirma Roland Barthes, ‘A palavra está sujeita a remanência e a palavra tem odor, ao contrário da escrita que não cheira, pois, uma vez produzida cai, não do modo como esvazia um soufflé, mas da maneira como desaparece um meteorito’.
Só que Platão na sua obra ‘Fedro’, considera a escrita um phármakom, uma droga arriscada e de efeitos indefiníveis, quando refere o deus Tamuz, senhor de todo o Egipto, a criticar Thoth, senhor de Náucratis, quando este lhe apresenta a escrita como ‘A arte que tornará os egípcios mais sábios e os ajudará a fortalecer a memória, pois com a escrita descobri o remédio para a memória’.
Mas Tamuz logo se lhe opõe, ‘A escrita tornará os homens mais esquecidos, pois sabendo escrever, deixarão de exercitar a memória, confiando apenas nas escrituras e só se lembrarão de um assunto por força de motivos exteriores, por meio de sinais, e não dos assuntos em si mesmos. Por isso não inventaste um remédio para a memória, mas sim para a rememoração’.
Um argumento de mais de dois mil anos, mas que é sempre renovado quando um qualquer artefacto mediático é colocado ao alcance da maioria, neste exemplo com a escrita, como foi com as primeiras gazetas, de novo com a rádio, depois com a televisão e a net, e agora com anarquia da já nova ideologia, a chamada Inteligência Artificial.
Aliás o arqueólogo e paleontólogo Eudald Carbonell, há quarenta anos a estudar a evolução do homem numa das mais importantes jazidas arqueológicas europeias, em Atapuerca, afirmou ao ‘El País’ no princípio de Março, ‘Somos uma espécie imbecil. Temos de ser muito responsáveis com esta evolução, se não o formos, o panorama que se abre depois do colapso, pode ser a extinção’; Carbonell acredita que, no futuro, um hospital será um espaço arqueológico para explicar como era o humano no séc XXI, ‘Qualquer impacto material ou imaterial na memória do sistema, é fundamental para nos entendermos como espécie’.
De qualquer maneira, parece haver mais ameaças de impactos no sistema, porque além da guerra e derivados, os oceanos estão aquecendo de tal maneira que alcançaram temperaturas nunca antes registadas, 21,1 graus de média em Abril, de acordo com a NOOA, a estado unidense National Oceanic anda Atmospheric Administration, que estuda os parâmetros desde 1981, ‘Estamos em áreas climáticas e meteorológicas desconhecidas e saltando fronteiras nunca ultrapassadas’: com o aquecimento, os mares produzem mais vapor, que podem provocar mais borrascas, chuvas intensas e fenómenos extremos.
Mas, aparentemente bem pior e para juntar a tudo isto, aqui fica o texto de cartazes de que vi em fotografia, e dispersos nos states–Eu compro, logo sou.
Coitados de nós e de Descartes!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor