O mito da “utilização pacífica” da energia nuclear
O Eng. Pedro Sampaio Nunes, em parceria com o Eng. Bruno Soares Gonçalves, escreveu na revista Ingenium nº 179 de Jan./Fev./Mar. de 2023 da Ordem dos Engenheiros, no artigo intitulado “Nuclear – A melhor opção para o ambiente, segurança e competitividade do país” várias deturpações da História.
Em 1º lugar, afirma que «A produção de energia de fissão nuclear civil comercial iniciou-se em 1956 após o discurso de Eisenhower na ONU em 1953».
É certo que, nos EUA, a 1ª central nuclear exclusivamente comercial, Shippingport, arrancou a 18 de Dezembro de 1957. No entanto, a 1ª central nuclear ligada à rede eléctrica foi a de Obninsk, na União Soviética, em 27 de Junho de 1954, apresentada como tendo apenas a função de produção de energia eléctrica. A URSS há muito vinha defendendo a “utilização pacífica da energia nuclear” e o Governo Soviético fazia gala nessa primeira aplicação, que não teria outra função a não ser a civil. Muitos Partidos Comunistas defendiam essa utilização, em parte na senda das ideias pacifistas dos cientistas franceses da família Curie, investigadores no domínio da radioactividade, Prémios Nobel da Física e da Química, e de muitos outros cientistas por todo o mundo ocidental.
Em 1942, foi construído em Chicago o primeiro reactor nuclear, então designado por pilha (pile), com direcção de Enrico Fermi[1], a urânio natural e grafite, o qual funcionou durante alguns minutos. Em 1943, em Oak Ridge, nos EUA, foi construído um reactor a urânio natural e grafite para investigação, o qual funcionou até 1963.
Em 03 de Setembro de 1948, foi gerada energia eléctrica no reactor de Oak Ridge, mas sem ligação à rede eléctrica, pois o objectivo principal era o militar: produção de plutónio para a bomba atómica. Em 20 de Dezembro de 1951, arrancou o EBR-1, um reactor chamado “breeder” a plutónio, que é fácil perceber que tinha apenas fim militar.
No Reino Unido, também empenhado no programa nuclear militar, arrancou o reactor de Calder Hall, ligado à rede eléctrica em 1 de Outubro de 1956, mas tendo também objectivos militares. A central arrancou com um reactor, ao qual foram acrescentados mais três em 1957, 1958 e 1959. Todavia, terá sido a central de Chapelcross, com quatro reactores, que arrancou em 1959, o principal fornecedor de material para o programa militar deste país, primeiro plutónio para a bomba atómica, e, depois, trício, para a bomba de hidrogénio.
A energia nuclear dita “pacífica”, esteve sempre ligada, desde o início, à produção da bomba atómica. Tanto assim, que foram os países pioneiros no desenvolvimento da bomba atómica, EUA, União Soviética, Reino Unido e França, os primeiros a instalar reactores nucleares para produção de energia eléctrica e foram os reactores utilizados nos submarinos, os PWR (pressurized water reactors, a urânio enriquecido) de menores dimensões para poderem ser usados naquelas embarcações, que se impuseram aos outros tipos de reactores, a urânio natural.
Quer dizer, a investigação realizada para fins militares foi, só algum tempo depois, utilizada para a produção de energia eléctrica. Até no tipo de reactor que acabou por vingar.
Apesar das declarações de Eisenhower, dos dirigentes soviéticos e de outros dirigentes, a “energia nuclear pacífica” serviu sempre de cobertura dos fins militares, não sendo possível apurar se o plutónio – que resulta da reacção de cisão, depois de o combustível irradiado ser sujeito à operação chamada de reprocessamento, separando aquele elemento do urânio não utilizado e dos produtos altamentes radioactivos resultantes da reacção – é ou não utilizado no fabrico de bombas. O facto é que durante muitos anos as potências referidas foram fabricando bombas que ensaiavam em diversas partes do mundo. Os EUA no seu território e nas Ilhas Marshall no Pacífico, a União Soviética no Cazaquistão, a França no Sahara da Argélia, nos atols de Moruroa e Fangataufa, o Reino Unido nas Ilhas Montebello no Pacífico, na zona da Austrália, etc. E alguns países não se coibiam de lançar produtos altamente radioactivos nas águas territoriais de outros países, como fez o Reino Unido durante anos na Fossa da Nazaré, nas águas territoriais portuguesas. O comandante Costeau denunciou essa situação numa zona que abrangia desde a Galiza aos Açores[2].
O Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e o seu incumprimento
A certa altura, por grandes pressões da opinião pública de muitos países, com protestos contra as experiências com bombas e na sequência das negociações decorrentes da “coexistência pacífica” em ambiente de “Guerra Fria”, os países nucleares tiveram de refrear essas acções e estabeleceram acordos para limitação do armamento nuclear e, numa orientação de “não proliferação nuclear”, impedir que outros países acedessem à tecnologia e pudessem dispor de plutónio ou trício para a produção de armas. Assim, a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), uma organização das Nações Unidas, com sede em Viena, passou a realizar missões periódicas a centrais e outras instalações nucleares, como laboratórios e centros de investigação, para fiscalizar a sua actividade e contabilizar os materiais radioactivos e as respectivas matérias primas.
No entanto, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e outros não impediram que a Índia, o Paquistão, Israel, Coreia do Norte e outros países que já não as possuem (?) – Bielorússia, Cazaquistão, Ucrânia e África do Sul – conseguissem fabricar ou apenas possuir bombas atómicas e de hidrogénio. A Índia, que possui desde há muito uma escola notável de físicos, conseguiu mesmo construir um tipo de reactor nuclear desenvolvido pelo Canadá, a urânio natural, arrefecido a água pesada, o reactor designado por CANDU. Sabem os técnicos de energia nuclear que este tipo de reactor, cuja tecnologia é mais fácil de absorver por um país de menor nível científico e tecnológico, facilita, ao mesmo tempo, a utilização do plutónio para a produção de armamento.
Claro que a Índia enveredou por este caminho para poder possuir a arma nuclear, que a sua vizinha e grande rival geoestratégica China já possuía há muito. E o Paquistão seguiu o mesmo caminho na rivalidade com a Índia e, por isso, também usou a via CANDU. Aliás, a China é hoje um dos países que aposta forte neste tipo de energia.
A propósito, convém recordar que a Argentina – que desde os anos 50 vinha tentando incorporar a ciência nuclear -, após os golpes militares de 1963 e, em especial do regime militar de 1966-1973, dirigido sucessivamente pelos conhecidos generais Ongania, Levingston e Lanusse -, enveredou pela construção da central nuclear de Atucha, arrancando com a construção de um grupo nuclear em 1968 e concluído em 1974. É transparente, atendendo ao que aqui foi escrito atrás, por que razão o regime avançou em 1974 com a construção do grupo nuclear CANDU de Embalse. Na vigência da ditadura militar de 1976-1983, com os generais Videla até 1981 e, depois, Viola, Galtieri e Bignone, no decorrer da qual terão sido assassinados 30.000 argentinos, foi decidida a construção do grupo 2 da central de Atucha, iniciada em 1981.
Ora, lembrando a rivalidade entre a Argentina e o Brasil, que vinha dos Sécs. XVII e XVIII, entre os impérios coloniais português e espanhol, de que resultaram várias duras guerras durante o Séc. XIX, percebe-se que o regime militar brasileiro implantado em 1964, e que durou até 1985, tenha ficado preocupado com o possível acesso da Argentina às armas nucleares e tenha decidido construir uma central nuclear no Brasil, a de Angra, perto do Rio de Janeiro, iniciando-se a construção de um primeiro grupo em 1971, concluído em 1982 e um segundo grupo iniciado em 1976 e só concluído em 2000.
Assim, também não espanta que o Irão, grande país produtor de petróleo, muito antes de as alterações climáticas estarem na ordem do dia, ter enveredado pela “utilização pacífica “ da energia nuclear[3]. A não ser por razões militares, não se compreende que um grande produtor de petróleo queira enveredar pela energia nuclear civil.
Como se vê a “utilização pacífica” da energia nuclear esteve sempre associada ao armamento nuclear e os países sem pretensões hegemónicas geoestratégicas foram sendo arrastados pelas potências hegemónicas para a construção de centrais para produção de energia eléctrica, pois os programas nucleares “pacíficos” daqueles primeiros países não eram suficientes para garantir a economicidade dos investimentos realizados nas unidades industriais ou empresas de produção de equipamentos, nomeadamente os reactores. São bem conhecidas as diligências das empresas dos EUA e do governo francês em várias latitudes para conseguir convencer governos a construírem grupos nucleares. Nuns casos, os países que podemos chamar “fundadores” conseguiram impor a outros da sua esfera de influência a opção nuclear na produção de energia eléctrica. Quase sempre, acompanhando o fornecimento do equipamento com o “apoio” científico, técnico, e, principalmente, financeiro através de um banco, num projecto que é sempre de muito elevado montante[4].
Chegaram mesmo a ser denunciadas acções de corrupção de ministros, tendo sido muito falado o caso de um país do Oriente. É conhecido dos técnicos que trabalhavam com orçamentos de grupos nucleares, fornecidos por empresas de equipamento ou por empresas de consultores, necessários nos estudos de planeamento dos sistemas electroprodutores – incluindo o português, em que o autor do presente texto participou em toda a sua vida profissional, de 1968 a 2008 – que esses orçamentos incluíam sempre uma rúbrica de “Imprevistos” num montante que podia atingir 10%. Esse montante correspondia em parte a possíveis verdadeiros imprevistos, mas sabia-se que contemplava também o pagamento de “luvas”.
Além disso, também é muito conhecido o caso do governo francês na América Latina, implementando programas de “cooperação científica”, mas cujo propósito era procurar convencer os países a encomendar grupos nucleares à então fabricante francesa de reactores, a Framatome, urgentemente necessitada de encomendas, porque o programa nuclear francês não era suficiente para garantir a sua rendibilidade. Portugal também foi sujeito a pressões no governo de Mário Soares dos anos 80, tanto por parte dos franceses (pelo próprio Miterrand), como dos alemães.
Por outro lado, muitos dos países que enveredaram pela via nuclear civil por estratégia nuclear própria ou por imposição dos países que dominavam o respectivo espaço geoestratégico, não tinham regimes democráticos, onde a imprensa livre pudesse debater a questão nuclear. Podemos recordar, entre os primeiros a União Soviética e a China e, entre os segundos, todos os países do Pacto de Varsóvia, a Turquia, o Irão, o Paquistão, os Emiratos Árabes Unidos. Os ex-países do Pacto de Varsóvia, hoje em maioria na União Europeia, são os que mais desejam continuar os programas nucleares, pois as suas populações não só não têm tradição no debate do assunto, como as suas democracias e a sua liberdade de imprensa são muito imperfeitas e condicionadas por novos interesses.
Não só os autores do referido texto publicado pela Ordem dos Engenheiros escamoteiam que, historicamente, não foram os EUA os primeiros a construir um reactor nuclear a produzir energia eléctrica para fornecimento à população, como adoçam a pílula da declaração de Eisenhower e, por arrastamento, a de outros dirigentes mundiais, como os soviéticos e alguns europeus.
O “bloco soviético” mais os lobbies ligados às energias renováveis
O artigo referido publicado na revista Ingenium faz a seguinte afirmação: «O acidente de Three Mile Island e a atividade dos lobbies ligados a outras formas de energia, com o apoio do bloco soviético, travou o desenvolvimento de novos reactores globalmente».
Se é verdade que o acidente de Three Mile Island, em 1979, teve influência na condução da política de construção de reactores nucleares, em particular nos EUA, é inteiramente falso que “o bloco soviético” tivesse tido influência na travagem dos programas.
Pelo contrário, a URSS desenvolveu um programa nuclear intenso[5] com introdução de diferentes tipos de reactores, o RMBK e o VVER, que implementou também nos países do Pacto de Varsóvia[6], construiu instalações industriais de enriquecimento de urânio, de produção de elementos de combustível, de reprocessamento e fomentou a exploração de urânio no seu território e no de outras regiões das suas repúblicas. Na cena internacional, defendeu a “utilização pacífica” da energia nuclear e criticou duramente as organizações ambientalistas que nos EUA e na Europa atacavam essa utilização – mas também a produção de armas nucleares. O seu menosprezo pelas críticas que essas organizações faziam, levou mesmo a uma menor atenção aos problemas de segurança, considerando que a tecnologia era inteiramente segura, como agora afirmam os autores do citado artigo. Esse menosprezo levou, por exemplo, à não construção do espesso contentor de betão que as empresas construtoras ocidentais utilizavam para envolver e proteger o núcleo do reactor. Nos grupos soviéticos iniciais, o núcleo era envolvido apenas por um contentor de aço no interior de edifícios idênticos aos das indústrias não nucleares. Nos reactores ocidentais, além do contentor de betão também existia, e ainda existe, um contentor de aço, idêntico aos soviéticos.
Essa visão soviética não foi aceite, por exemplo, pela Finlândia, onde a URSS construiu a central de Loviisa com dois reactores VVER, mas em que teve de instalar os contentores de betão por imposição das autoridades finlandesas. E, depois, a central de Oikiluoto, também com dois reactores.
Aliás, além deste país, a URSS empenhou-se na propaganda da “utilização pacífica” da energia nuclear em outros países e teve um papel importante na propaganda nuclear na Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Em Portugal, nos anos 80, quando a EDP se propunha concretizar um programa nuclear com vários reactores, missões dos EUA, França, República Federal Alemã, aqui se deslocaram para apresentarem os seus reactores, e uma missão da AIEA as virtudes da energia nuclear. Uma missão soviética veio a Portugal com o mesmo fim. Apresentou, até, uma exposição na FIL, com a colaboração da sua embaixada. Os nuclearistas da EDP e do aparelho de Estado pensavam, assim, entalar o Partido Comunista, que também se opunha à construção de uma central nuclear.
É totalmente falsa, pois, a afirmação feita naquele texto da Ingenium. Mais adiante veremos quais as principais forças que em Portugal se opuseram ao nuclear.
Por outro lado, os Partidos Comunistas em geral, defendiam a “utilização pacífica” da energia nuclear e o português sempre o fez, embora nos anos 70 e 80 rejeitasse o programa que os governos de então pretendiam implementar.
Os Partidos Comunistas o que criticavam era a produção de armas nucleares e opunham-se à sua instalação nos países onde tinham expressão. Mas não eram apenas eles. Numerosas organizações pacifistas e ambientalistas também o fizeram em todo o mundo. E numerosos intelectuais e cientistas. São conhecidas as posições, nomeadamente de Einstein e de Oppenheimer, considerado o pai da bomba atómica estadounidense, este logo a seguir à sua utilização pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki. Também Otto Hahn, que descobriu em 1938 a fissão nuclear do urânio, a base da energia nuclear. E a família Curie, investigadora neste domínio. E as do filósofo e matemático, social-democrata inglês Bertrand Russel, o qual organizou grandes manifestações em muitos países, utilizando o célebre símbolo da paz.
Em 1958, foi publicado em Portugal pela editora ContraPonto e impresso na Imprensa do Douro, da Régua, o livrinho A Bomba Atómica – O Futuro do Homem, de Karl Jaspers, um alemão discípulo de Kierkegaard, em que se condenava as acções de Hiroshima e Nagasaki e a corrida às armas nucleares.
Nesta publicação figurava a célebre frase de Albert Einstein dirigida aos sábios italianos sobre o armamento nuclear das principais potências: «A potência desencadeada pelo átomo tudo modificou, salvo a nossa maneira de pensar e, deste modo, somos arrastados para uma catástrofe sem precedentes. Para que a humanidade possa sobreviver, é indispensável uma nova maneira de pensar». Figuravam, também, as posições de muitos outros cientistas.
Em 1948, realizou-se em Wroclaw, na Polónia, o Congresso Mundial dos Intelectuais para a Paz, em que participaram muitas dezenas de intelectuais de todo o mundo, dos mais conhecidos em todas as áreas das artes e das ciências: 53 franceses, como Picasso, Fernand Léger, Paul Éluard, Henri Lefebvre, Claude Autant-Lara, Fréderic e Irene Joliot-Curie, Roger Vaillant, Julien Benda, etc; 67 italianos, como Luchino Visconti, Giuseppe di Santis, Cesare Zavatinni, Elio Vitorini, Cesare Pavese, etc; 19 soviéticos, como Cholokov, Ehrenburg, Pudovkine; etc; brasileiros, como Jorge Amado, Portinari, Oscar Niemeyer, etc; ingleses.como Graham Green e o Deão de Cantuária; delegações dos EUA, Suiça, Chile, neste caso com Pablo Neruda e outros; africanos como Léopold Senghor e Aimé Cesaire. Portugal participou com uma delegação composta por Alves Redol, que falou em nome da delegação, Fernando Lopes Graça, o psiquiatra João dos Santos e mulher e o físico Manuel Valadares e mulher – tendo este sido demitido da Universidade portuguesa pelo governo de Salazar, o primeiro cientista português a trabalhar com a radioactividade, que colaborou com o casal Curie e chegou a dirigir um sector do mundialmente prestigiado Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS)[7], em França. A delegação portuguesa foi tratada com uma atenção especial para evitar a prisão dos membros que viviam em Portugal quando aqui regressassem.
Na sequência deste Congresso, realizaram-se numerosas reuniões organizadas pela Conferência Mundial da Paz, de que se destacou o Apelo de Estocolmo em 19 de Março de 1950, assinado por mais de 230 milhões de pessoas pelo desarmamento nuclear e a prevenção da guerra atómica. Neste domínio é que os comunistas e outras forças de esquerda se empenharam nos anos 50 e seguintes.
Em todos estes eventos, sempre defenderam a “utilização pacífica “ da energia nuclear, embora como se viu, o nuclear civil e o nuclear militar tenham andado sempre de mãos dadas nos países nucleares. No entanto, o não recurso às armas nucleares era uma aspiração dos povos, que, então, conheciam bem as consequências da guerra nuclear, pois Hiroshima e Nagasaki estavam relativamente próximos e presentes na comunicação social e nos escritos dos intelectuais.
De seguida, iremos referir oposições e lutas, algumas das quais violentas, contra a energia nuclear civil em vários países, dando relevo aos anos em que a oposição em Portugal foi decisiva para se abandonar esta via.
(continua)
[1] Um importante físico italiano, naturalizado estadounidense, Prémio Nobel da Física de 1938, com investigações relevantes no domínio da física atómica.
[2] António Eloy, “Esfregando dois pauzinhos”, Almaraz e Outras Coisas Más, (Coordenação António Eloy), Caldas da Raínha, Cooperativa Editorial Caldense, CRL, p. 17.
[3] Tendo-se iniciado o apoio a um programa nuclear iraniano por parte do Governo estadounidense ainda no tempo do Xá, o primeiro reactor nuclear iraniano resultou de um acordo com a empresa alemã Kraftwerk Union em meados dos anos 70. Tendo-se iniciado a construção, ela foi interrompida na sequência da Revolução Iraniana de 1979, sendo concluída apenas em 2013 com o apoio da Rússia.
[4] Sempre percentagens relevantes do PIB, particularmente em países de menor poder económico e quase sempre respeitantes a programas de vários reactores e não apenas um. Hoje, não é fácil saber exactamente quanto custa um grupo nuclear, porque o sigilo é muito maior do que, por exemplo, nas décadas de 70 e 80 do Séc. XX. Mas sem se saber exactamente que componentes incluem, as publicações especializadas referem custos de um grupo nuclear de cerca de 1.200 MW entre 12 e 15 mil milhões de euros, estimando-se para um EPR francês de 1.600 MW 19 mil milhões de euros.
[5] A Federação Russa ainda é hoje um dos países com maior número de reactores.
[6] Hungria, Bulgária, Checoslováquia, República Democrática Alemã. A Roménia pretendendo afirmar a sua autonomia relativamente à União Soviética, optou pelos reactores do tipo CANDU. Países da antiga URSS, como a Bielorússia, a Ucrânia, a Arménia, possuem reactores nucleares de fabrico soviético. A Lituânia encerrou o seu reactor em 2009. A Polónia estava a construir um reactor quando se deu o acidente de Chernobyl, abandonando a sua construção. Da antiga Checoslováquia, existem reactores na Eslováquia e na República Checa..
[7] No CNRS realizaram-se parte das investigações sobre o nuclear civil, mas a maioria e mais importantes foram realizadas no CEA, as quais conduziram à construção de tipos de reactor a urânio natural, arrefecimento a gás, com moderação por grafite, mais tarde abandonados em França em favor do reactor PWR, com grande oposição dos cientistas daquelas entidades. A maioria dos cientistas do CNRS eram de esquerda e mesmo comunistas, como Manuel Valadares.
Para ler a segunda parte deste trabalho de António Mota Redol clique em:
UMA HISTÓRIA DA OPOSIÇÃO À ENERGIA NUCLEAR NO MUNDO, por ANTÓNIO MOTA REDOL – 2.ª PARTE
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UMA HISTÓRIA DA OPOSIÇÃO À ENERGIA NUCLEAR NO MUNDO, por ANTÓNIO MOTA REDOL – 3.ª PARTE
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UMA HISTÓRIA DA OPOSIÇÃO À ENERGIA NUCLEAR NO MUNDO, por ANTÓNIO MOTA REDOL – 4.ª PARTE





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