Seleção e tradução de Francisco Tavares
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Mais indícios de um massacre de falsa-bandeira provocado pelo regime de Kiev: no funeral na aldeia de Hroza
Publicado por
em 10 de Outubro de 2023 (original aqui)

Zelensky precisava de um golpe de propaganda para o seu apelo de mais armas e os media ocidental viram-se obrigados, como de costume, a pintar a Rússia como bárbaros malvados.
Um massacre numa aldeia ucraniana na semana passada, que foi amplamente atribuído aos militares russos em reportagens dos media ocidentais, deu uma nova reviravolta que mostra ainda que o incidente foi na verdade uma provocação de bandeira falsa pelo regime de Kiev.
A imprensa ocidental informou na semana passada que 52 pessoas foram mortas quando um café foi atingido supostamente por um míssil de precisão russo na quinta-feira, 5 de outubro. Todos os relatos dos media ocidentais citaram autoridades ucranianas como sua fonte para atribuir a culpa aos militares russos que dispararam um míssil Iskander.
O café estava lotado de famílias que compareceram a um funeral de um soldado ucraniano.
O presidente ucraniano Vladimir Zelensky, que participava no mesmo dia numa cimeira em Granada, Espanha, com líderes europeus, denunciou a atrocidade como “agressão genocida” da Rússia.
Depois de divulgar amplamente o massacre na aldeia de Hroza, no leste da Ucrânia, no meio de uma torrente de acusações à Rússia, como de costume, os media ocidentais rapidamente mudaram seu foco para outros eventos mundiais, principalmente a erupção de violência entre israelitas e palestinos no fim de semana.
No entanto, um relatório de acompanhamento da AP sobre o horror em Hroza inadvertidamente lança mais luz sobre quem realmente disparou o míssil. Há boas razões para suspeitar que o regime de Kiev orquestrou o ataque aéreo como um golpe de propaganda de falsa bandeira. Por outras palavras, o regime deliberadamente matou civis no seu próprio território num esforço cínico para difamar a Rússia.
A nova reviravolta é que as famílias das vítimas, segundo os relatos, não sabem como as forças russas sabiam da reunião de pessoas para o funeral do soldado morto. A aldeia não tem bases militares nem valor táctico. Situa-se a cerca de 30 quilómetros da linha de frente entre as tropas ucranianas e russas no leste da Ucrânia.
O relatório de acompanhamento da AP afirma que as pessoas locais suspeitam que um informante na aldeia possa ter dado as coordenadas do funeral aos militares russos. Mas, em vez de fazer essa dedução, uma explicação mais plausível para o ataque mortal pode ser encontrada nas necessidades políticas agudamente sentidas do regime de Kiev.
O momento do massacre no mesmo dia em que Zelensky estava a fazer um grande apelo por mais ajuda militar dos membros europeus da NATO sugere fortemente que as forças do regime de Kiev realizaram o ataque à aldeia de Hroza para dar ao seu presidente mais poder emotivo no seu apelo aos líderes europeus.
Existem precedentes para um acto assim tão vil. Como observado anteriormente, quando o Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, visitou Kiev no mês passado, em 6 de setembro, para entregar US $1 bilhão em armamento americano, no mesmo dia um ataque com mísseis matou 17 pessoas na cidade de Konstantinovka, no leste da Ucrânia. A cidade está sob o controlo dos militares ucranianos. Essa atrocidade foi imediatamente atribuída à Rússia, que Zelensky e Blinken condenaram veementemente na altura. Mais tarde, porém, descobriu-se que as Forças Armadas da Ucrânia realizaram o ataque aéreo num erro aparente, de acordo com o New York Times.
Este autor argumenta que o ataque a Konstantinovka não foi um erro, mas sim um acto deliberado de matar civis ucranianos para difamar a Rússia e angariar apoio para mais ajuda militar americana.
Acredita-se que o mesmo modus operandi explique o massacre na aldeia de Hroza na semana passada.
Lembre-se de que a Cimeira de Granada a que se dirigia Zelensky, onde citou a carnificina em Hroza e acusou convenientemente a Rússia de terrorismo depravado, foi realizada num momento político crucial em relação ao apoio financeiro americano e europeu ao regime de Kiev. O Congresso dos EUA suspendeu temporariamente milhares de milhões de dólares para a Ucrânia e a pressão recai sobre a Europa para manter o fluxo de dinheiro.
O apelo altamente emotivo de Zelensky em Granada pareceu reforçar o apoio militar europeu com relatórios do mesmo dia em que a Espanha se comprometeu a fornecer mais sistemas de defesa aérea à Ucrânia.
Voltando ao último relatório da AP, foi dito: “os habitantes locais dizem que [a aldeia de Hroza] é estritamente uma área civil. Nunca houve qualquer base militar, seja russa ou ucraniana. Eles disseram que apenas civis ou familiares vieram ao funeral e ao velório fúnebre, e os residentes eram as únicas pessoas que saberiam onde e quando estava a ocorrer.”
O relatório da AP continuou: “Dmytro Chubenko, porta-voz do procurador regional, disse que os investigadores estão a verificar se alguém da área transmitiu as coordenadas do café aos russos – uma traição a todos que agora sofrem em Hroza… muitos compartilham essa suspeita, descrevendo um ataque programado para matar o número máximo de pessoas. A data do funeral foi marcada há algumas semanas e o momento foi partilhado por toda a aldeia no final da semana passada.”
Esta versão dos acontecimentos exige credulidade. Será que um habitante da aldeia local se esforçaria para contar aos militares russos sobre uma reunião fúnebre familiar? Será que os militares russos se dariam ao trabalho de disparar um míssil de precisão Iskander contra uma reunião civil a 30 km da sua linha de frente e também saberiam que os meios de comunicação ocidentais previsivelmente difamariam a Rússia por “barbárie”?
Essa explicação de um alegado informador e da depravação russa não encaixa.
O que encaixa, pelo contrário, é que as autoridades do regime de Kiev sabiam que um funeral para um dos seus próprios soldados estava a ter lugar no mesmo dia em que o seu presidente estava a fazer um grande apelo por mais armas numa cimeira em Espanha.
Zelensky precisava de um golpe de propaganda para o seu apelo e os media ocidentais viram-se obrigados, como de costume, a pintar a Rússia como bárbaros malvados.
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O autor: Finian Cunningham é um antigo editor e escritor para as principais organizações noticiosas. Tem escrito extensivamente sobre assuntos internacionais, com artigos publicados em várias línguas. É licenciado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico para a Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir uma carreira no jornalismo. É também músico e compositor. Durante quase 20 anos, trabalhou como editor e escritor nas principais organizações de comunicação social, incluindo The Mirror, Irish Times e Independent. Vencedor do Prémio Serena Shim para a Integridade Incomprometida no Jornalismo (2019).


