Cara Bárbara Reis
Não pretendo dar graxa, mas se há coisas que admiro (e distingo, com veemência e sem benevolência) é o Jornalismo, quando confrontado (como se houvesse algo a confrontar) com a epidemia funesta das redes sociais. E digo estas coisas, porque me lembro de a) um antigo texto seu em que descrevia a dificuldade em sair de uma dessas cloacas (como lhes chama o Pacheco Pereira) e de b) um outro em que se dedicara a contar cadeiras e mesas na triste Rua Augusta de hoje.
No decorrer da leitura deste seu texto, feito com rigor e trabalho, ficamos a conhecer aquilo de que suspeitávamos e ninguém se atreve a dizer, ou sequer nisso pensar, muito menos o presidente Carlos Moedas (uso estas expressões porque não sou jornalista, apenas um comentador de Café) que pouco ou nada se preocupa deveras com o centro histórico da cidade. Nem sei se sabe do que se trata.
E acrescento (já que não sou jornalista, apenas um comentador de Café) que me parece ser uma característica destes recentes (de há quase 50 anos) administradores do país e da cidade, uma cambada (não se trata de uma geração, atenção) uma cambada de incultos, falhos de qualquer tipo de cultura, conhecimento, amor ou sedução pelo que realmente importa numa cidade e na vida dos seus habitantes – os que sobram e cada vez menos nela vivem, já que são empurrados para os arredores e até para arredores de arredores.
É preciso coragem e (ante)visão para pensar no que vai acontecer, como vai estar a Rua da Prata em Abril, quando “falarmos”. Plena de esplanadas cheias de turistas broncos e gordos, mais cheia (ainda) de lojas de trampas e da trampa (uso estas expressões porque não sou jornalista, apenas um comentador de Café) a venderem amuletos plásticos do mais execrável gosto e desevidente graça, tudo o que o turismo de massa e de passagem adora comprar, very typical.
Somos abjectos e genuflectivos. O turismo é a nossa profissão, já que pouco produzimos. Somos (estamos) tendencialmente terceiro-mundistas. Na Rua Augusta, na Rua da Prata e nas que ainda hão-de vir. O Turismo em si não é, não seria uma coisa má: o seu único inconveniente são os turistas.
Uso estas expressões porque não sou jornalista, apenas um comentador de Café.
O meu cumprimento.
Carlos Reis




