Aqui, mesmo à minha frente, no ecrã do computador, tenho o concerto do Ano Novo da Filarmónica de Viena, um acontecimento que não perco, ano após ano, por me afastar dos problemas que se arrastam desde o Ano Velho, e que ameaçam eternizar-se.
El Roto
El País, 31.12.23
E enquanto se vão sucedendo valsas, polcas, outras composições dos Strauss, Anton Bruckner e alguns outros, e uma dezena de gentis bailarinos e bailarinas, intervala as caras dos componentes da orquestra, faço o possível por esquecer as imagens terríveis de Gaza e das cidades ucranianas que uns fulanos que nunca devem ter investido um pedaço mínimo do seu tempo, a assistir a espectáculos como este, se vão encarregando de mandar destruir, apenas por quererem manter as mãos limpas como Pilatos.
Mas não creio que este Novo Ano, que as imagens desejam tão meticuloso e brilhante como está a ser o concerto, nos prometa algo de diferente e esperançoso como a Paz para todos os homens sem dúvidas, sem dívidas de sangue, sem esqueletos escondidos em armários mais ou menos emparedados, sem mãos de fora a espreitarem entre ruínas e a pesar-lhes na consciência –se a tiverem e lhes servir para alguma coisa–, a ver pelos aspirantes a comanditários de países e regiões que arrogam ser os donos dos destinos do mundo.
E quando soam os acordes da Marcha Radeztky, a ‘pedir’ a participação de toda a assistência também ‘bati palmas’ interiormente, a pedir quem deve ou devia olhar por este mundo, para nos libertar dos mandões e candidatos a ocuparem-lhes os lugares, não sei de que maneira –mas não violenta, por a violência não ser, nunca, solução– mesmo sem lhes pôr nomes, por infelizmente todos os conhecerem, seja qual for o tamanho do assento onde eles se querem sentar, e de qualquer maneira!
Votos de Bom e melhor Ano, sem tal gente!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor