Teoria e Política Económica: os grandes confrontos de ontem, hoje e amanhã, também – uma homenagem ao Joaquim Feio — Capítulo 1 — Parte B: Texto 2 – A economia de Sraffa, por Paul A. Samuelson

Reflexos de uma trajetória intelectual conjunta ao longo de décadas – uma homenagem ao Joaquim Feio

 

Capítulo 1 – Dos Clássicos a Sraffa, de Sraffa aos neo-ricardianos

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

1 min de leitura

Parte B: Texto 2 – A economia de Sraffa

 Por Paul A. Samuelson

Este capítulo foi publicado originalmente em  The New Palgrave: a Dictionary of Economics, 1ª edição, 1987. Editado por John Eatwell, Murray Milgate e Peter Newman (ver aqui)

 

Resumo

Piero Sraffa, nasceu em 1898 em Turim, filho de um abastado professor de direito e viveu desde os anos vinte até à sua morte, em 1983, uma vida tranquila de solteiro na King’s e Trinity Colleges, em Cambridge. Embora as suas obras publicadas e não publicadas sejam poucas, Sraffa possui as quatro razões fundamentais para a glorificação em ciência económica e história das ideias.

(i) O seu artigo de 1926, “The Laws of Returns Under Competitive Conditions“, foi um precursor seminal da revolução da concorrência monopolística. Só isto, por si mesmo, justificaria a glória de uma vida.

(ii) Como íntimo de Keynes e de Wittgenstein, diz-se que Sraffa levou a que Wittgenstein tenha acelerado a sua segunda viragem filosófica, em resultado de uma questão numa estação ferroviária, “Qual é então o significado deste gesto [siciliano]?” O jovem Sraffa forneceu livros e algum dinheiro ao marxista Antonio Gramsci, preso por Mussolini, e manteve-se discretamente interessado em assuntos de esquerda. Sraffa foi um dos organizadores do famoso “Círculo” de Cambridge de 1931-5, que incluía Joan e Austin Robinson, Roy Harrod, James Meade e muitos outros. Utilizando Richard Kahn como o anjo mensageiro Gabriel, John Maynard Keynes retirou muitos benefícios deste seu brilhante grupo de discípulos para a sua nascente obra “Teoria Geral”. Com exceção da discussão do capítulo 17 sobre as taxas de juro específicas, em que Keynes deve ter beneficiado da polémica de 1932 entre Sraffa e Friedrich Hayek, há poucos sinais de um interesse de Sraffa pela macroeconomia da procura efetiva. Partilhando com Keynes um grande interesse por livros raros nos antiquários, Sraffa e Keynes descobriram, identificaram e editaram em conjunto o valioso “Abstract of A Treatise on Human Nature” que David Hume tinha publicado anonimamente como um esboço para o seu grande trabalho inicial sobre filosofia.

(iii) A edição por Sraffa de “The Works and Correspondence of David Ricardo”, um esforço de lobo solitário ao longo de um quarto de século (muito ajudado na parte final por Maurice Dobb) é uma das grandes realizações académicas de todos os tempos, ombreando na sua perfeição com os trabalhos de equipa dos editores de Horace Walpole e James Boswell.

(iv) Finalmente, na sétima década da sua vida, Piero Sraffa publicou um clássico da teoria do capital, “The Production of Commodities by Means of Commodities” (1960). Tal como no caso de Mozart e de Mendelssohn, a morte de Sraffa deixa a posteridade com a sensação de que todo o seu potencial nunca foi publicado: o que não daríamos às boas fadas, se algures no sótão de uma casa de campo fosse descoberto um manuscrito escrito por Sraffa apresentando a planeada crítica do marginalismo?

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O autor: Paul Anthony Samuelson [1915-2009], foi um economista estado-unidense, amplamente reconhecido como um dos formuladores mais importantes das ciências económicas modernas e figura de particular relevância na história do pensamento económico em geral. Licenciado pela Universidade de Chicago, recebeu uma educação económica tradicional ou neoclássica. Posteriormente, aderiu ao keynesianismo, sendo um dos seus maiores divulgadores nos EUA. Doutorado pela Universidade de Harvard. (para mais detalhe ver aqui)

 

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