EVA CRUZ – E ASSIM…CONTINUA A POESIA A DAR VIDA ÀS CANÇÕES.

Um palco meio iluminado, vazio de cenários. Apenas um lenço, pendente de uma cadeira, com a fantasia das casinhas de uma aldeia a preto e branco e um poema escrito na flor da farinha. Dois homens de Abril criança e uma mulher de Abril mais maduro brilhavam nos olhos de uma assistência raiada de esperança. Tudo envolto numa sintonia serena, discreta, natural, deixando a conversa fluir como as águas mansas de um rio.

Entre outros, soaram na sala os versos líricos e vigorosos de Ary dos Santos, de José Fanha, da corajosa Maria Teresa Horta, versos da resistência a acordar as consciências mais adormecidas. Cristina Marques, na sua profissão de educação e acção, lembra que “isto vai, amigos, isto vai…” e “que o presente é um tempo que se vai/ e o futuro é o tempo resistente.”

No coração da conversa, a voz inconfundível de Fernando Tordo, acordando uma vez mais a poesia do “Poeta do Povo”, uma das mais belas da nossa Literatura Poética, em canções como “Cavalo à Solta”, “Estrela da Tarde”, rematando com a Canção “Tourada”, onde o poeta, de modo subversivo, tão habilmente ludibria a censura.”

E diz o inteligente /que acabaram as canções”.

Mas…”Mesmo na noite mais triste/Em tempos de servidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não.” E assim…continua a Poesia a dar vida às Canções.

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