Ouço na “Antena 1” as razões que levaram os portugueses do Rio de Janeiro a votar, maioritariamente, na extrema-direita. A reportagem de Pedro Sá Guerra, correspondente da RTP no Brasil, que pode ouvir aqui https://www.rtp.pt/noticias/politica/chega-foi-o-mais-votado-no-rio-de-janeiro_a1559197, retrata a visão bolsonarista de 13.724 eleitores da comunidade lusa na “cidade maravilhosa”. Para eles, Ventura é a versão portuguesa de Bolsonaro. Isto é, tem as qualidades que “toda a pessoa do bem aprova: seriedade, competência e trabalho”.
“Seriedade, competência e trabalho” que a Polícia Federal (PF) acaba de colocar em causa, pois acusa formalmente Bolsonaro, e mais 16 pessoas, por um “suposto esquema de falsificação de cartões de vacinas”. Segundo a investigação, iniciada no ano passado, no Ministério da Saúde há um cartão de vacinação que indica que o ex-Presidente foi vacinado a 19 de Julho de 2021 na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Parque Peruche, na Zona Norte de São Paulo.
Mais: as investigações da PF concluíram que “um grupo ligado a Bolsonaro inseriu informações falsas de vacinação contra Covid-19 no ConecteSUS para obter vantagens ilícitas e depois retirou as mesmas informações do sistema”.
A PF identificou que “os dados falsos foram inseridos poucos dias antes do então Presidente viajar aos Estados Unidos, a 30 Dezembro de 2022”. De acordo com o inquérito, foram forjados dados de vacinação de pelo menos sete pessoas, entre elas a filha de Bolsonaro.
Em declarações à PF, “o ex-ajudante de ordens do então Presidente, Mauro Cid, informou que os dois documentos foram impressos no Palácio da Alvorada – residência oficial da Presidência da República – e entregues em mãos a Bolsonaro”. A acusação da PF junta-se assim à extensa lista de que é alvo. Recordo que a pandemia provocou a morte de 700 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde do Brasil.

