ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA – TROVA DO VENTO QUE PASSA, de MANUEL ALEGRE e ANTÒNIO PORTUGAL

(1942 – 1982)

 

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TRANSCREVENDO PORTUSCALEPT:

 

Trova do vento que passa __

Letra: Manuel Alegre

Música: António Portugal

Interpretação: Adriano Correia de Oliveira, Octávio Sérgio (guitarra portuguesa) e Fernando Machado Soares (viola e voz) .

atuação no programa – “Cantos e Contos de Coimbra” de Sansão Coelho, RTP Porto, 1982.

Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira (Porto, 9 de abril de 1942 – Avintes, 16 de outubro de 1982) foi um músico português, intérprete da canção de Coimbra e cantor de intervenção.

Versão integral do poema escrito por Manuel Alegre, em 1963, e incluído no livro – “Praça da Canção” (1965). A versão musicada por António Portugal e cantada por Adriano é um excerto, com a primeira e as duas últimas quadras.

 

Pergunto ao vento que passa

notícias do meu país

e o vento cala a desgraça

o vento nada me diz.

 

Pergunto aos rios que levam

tanto sonho à flor das águas

e os rios não me sossegam

levam sonhos deixam mágoas.

 

Levam sonhos deixam mágoas

ai rios do meu país

minha pátria à flor das águas

para onde vais? Ninguém diz.

 

Se o verde trevo desfolhas

pede notícias e diz

ao trevo de quatro folhas

que morro por meu país.

 

Pergunto à gente que passa

por que vai de olhos no chão.

Silêncio – é tudo o que tem

quem vive na servidão.

 

Vi florir os verdes ramos

direitos e ao céu voltados.

E a quem gosta de ter amos

vi sempre os ombros curvados.

 

E o vento não me diz nada

ninguém diz nada de novo.

Vi minha pátria pregada

nos braços em cruz do povo.

 

Vi meu poema na margem

dos rios que vão pró mar

como quem ama a viagem

mas tem sempre de ficar.

 

Vi navios a partir

(Portugal à flor das águas)

vi minha trova florir

(verdes folhas verdes mágoas).

 

Há quem te queira ignorada

e fale pátria em teu nome.

Eu vi-te crucificada

nos braços negros da fome.

 

E o vento não me diz nada

só o silêncio persiste.

Vi minha pátria parada

à beira de um rio triste.

 

Ninguém diz nada de novo

se notícias vou pedindo

nas mãos vazias do povo

vi minha pátria florindo.

 

E a noite cresce por dentro

dos homens do meu país.

Peço notícias ao vento

e o vento nada me diz.

 

Mas há sempre uma candeia

dentro da própria desgraça

há sempre alguém que semeia

canções no vento que passa.

 

Mesmo na noite mais triste

em tempo de servidão

há sempre alguém que resiste

há sempre alguém que diz não.

 

Adriano Correia de Oliveira – trova do vento que passa (letra) (youtube.com)

(35) adriano correia de oliveira trova do vento que passa – YouTube

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1 Comment

  1. É bom recordar as canções da minha adolescência. Cantores como Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, Zeca Afonso, José Mário Branco e outros que procuravam chamar atenção às pessoas dos momentos obscurantistas do regime fascista em que se vivia.

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