Mais de um milhão de pessoas em Gaza enfrentam níveis catastróficos de insegurança alimentar (APA)
Habitualmente os mercados de Gaza estão cheios com pessoas e bens antes da Eid al-Adha. Neste ano só têm ruínas.
Doces, roupas e decorações festivas deveriam ser abundantes na Praça da Palestina. Este ano, a praça acolhe apenas algumas bancas, que oferecem pouca mercadoria.
O Eid al-Adha é suposto ser uma festa. Gaza está a ser assolada pela fome.
Mais de um milhão de pessoas – cerca de metade da população de Gaza – enfrentam níveis catastróficos de insegurança alimentar.
Em média, durante a primeira semana de Junho, chegaram a Gaza por dia cerca de 80 camiões de ajuda humanitária. Antes da guerra genocida actualmente em curso conseguiam chegar a Gaza 500 camiões por dia.
Mais de 96 por cento das mulheres não estão a conseguir ter as suas necessidades nutricionais, segundo cálculos de organizações humanitárias.
Uma delas é Walaa, de 23 anos.
“Perdi mais de 40 quilos e sofro de anemia”, conta. “Isso deixa-me extremamente cansada e com tonturas”.
Tem problemas intestinais que atribui ao facto de “comer todos os restos que conseguimos encontrar durante esta fome”.
“E eu estou à beira de uma insuficiência renal”, acrescentou. “Isso é por causa da água contaminada que somos obrigados a beber”.
Não ter comida suficiente afecta as pessoas tanto física como psicologicamente.
“O estado constante de fome e de escassez de alimentos deixa-nos nervosos”, diz Fahim, 20 anos, irmão de Walaa. “Mesmo quando conseguimos comer alguma coisa, nunca é suficiente.”
Baraa está grávida de oito meses. Um médico informou-a de que o crescimento do bebé no seu ventre tinha estagnado devido a má nutrição aguda.
“Estou constantemente preocupada com a saúde do meu bebé”, diz ela. “Temo o pior.
Embora lhe tenham sido receitados suplementos nutricionais, “não notei qualquer melhoria”, afirma.
“Alguns dos suplementos até me provocam vómitos”, afirma ela.
“Não posso alimentar-me a mim e ao meu bebé com alimentos naturais por causa da fome”, acrescentou. “E não posso compensar isso com os suplementos que me foram receitados.”
A situação é tão grave que os pais nem sequer podem alimentar os bebés.
Ibtihal tem um bebé de 5 meses chamado Anas.
“O meu marido e eu procurámos incansavelmente por leite em pó, encontrando-o muitas vezes por acaso e a preços muito caros”, disse Ibtihal.
“Mesmo que eu possa pagar, muitas outras mães – se encontrarem alguma – não podem. É de partir o coração que os nossos bebés também enfrentem a fome.”
Sondos Alfayoumi é escritora e tradutora in Gaza.
Para ler no original clique em:
Famine at a feast time | The Electronic Intifada



