Sempre gostei dos provérbios populares, também conhecidos como adágios, sendo esta designação mais erudita para definir aquilo que a tradição e sabedoria popular transformou do pragmatismo para quase numa realidade científica, empiricamente provada!
“Os provérbios são frases curtas e de fácil compreensão que transmitem um ensinamento ou conselho popular. Também conhecidos como ditados populares, adágios, rifões ou anexins, os provérbios são uma forma de sabedoria acumulada ao longo dos tempos e transmitida de geração em geração.”
Procuro às vezes encontrar equivalente de um idioma para outro, nem sempre é fácil, e algumas vezes, intraduzível, quando o outro idioma nos entrega imagens e palavras completamente diferentes. A modo de exemplo ao nosso, A quem madruga Deus lhe ajuda…a língua inglesa propõe ideias totalmente diferentes, sendo traduzido como the early bird catches the worm, isto é: “o pássaro madrugador apanha a minhoca”.
E haverá, sem dúvida, muito mais para ilustrar este tema.
Das expressões que gosto em português, e que são muitas, nada mais ilustrativo do que as que dão título a este texto, e que parece que estão sempre actuais em qualquer momento.
Senão vejamos. Passar de bestial para besta, aplica-se tão efusivamente aos políticos como aos futebolistas. Na atualidade, recentemente, o ocorrido no Europeu de Futebol, em relação ao crack Ronaldo e ao afortunado/infortunado (mais tarde) guarda redes Diogo Costa, defensor de três penáltis consecutivos e nenhum em cenários muito próximos!
E não falemos do (in)Félix João!
Relativamente aos políticos, o povo (e não só), congratula-se com a eleição de António Costa para o Conselho Europeu, quando o mesmo povo (e os políticos paradoxalmente) o desaprovam interna e nacionalmente…
E lembramos aqui o Presidente de todos os afetos e de todas as selfies possíveis, que por um acto de generosidade compassiva, se vê massivamente criticado no caso das meninas gémeas brasileiras.
Caso que muita tinta e verborreia tem derramado na imprensa, na rádio e TV.
Confesso que o que se passou na Assembleia de República em nada nos dignificou…como também destacar que, pouco ou nada, se fala sobre aquelas duas pequenas e do seu estado atual de saúde. Como estão elas, o tratamento está a dar, ou deu resultado? Talvez isto em nada interesse àqueles que apenas querem vender manchetes e manter audiências!
Assim, o Presidente Marcelo passou de uma categoria para outra, violentamente, com a verbalidade e a ironia que caracterizam os povos, talvez vitima das suas próprias virtudes e defeitos, como todos nós, pela boca morre o peixe…diz também, com sapiência, o povo!
Um graffiti pode ter tanta força como um provérbio. Saindo da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti, e virando à direita pela rua Gil Vicente, mesmo enfrente ao cruzamento com a Rua da Constituição/Porto, alguém pintou nas paredes, ISRAHELL, assim mesmo como aqui está escrito…depois de nove meses da guerra em Gaza, nada mais ilustrativo que esta mancha avermelhada na parede, paradoxalmente grafitada nas proximidades do dramaturgo português que nos ajudou a navegar nas suas Barcas do Inferno, Purgatório e Glória.
Roberto Merino
Nota: nem oito nem oitenta, expressão que sugere; de forma moderada, nem muito nem pouco; sem exageros: basta que se busque o equilíbrio…etc.


