Todos nós temos os nossos desertos, pequenos ou grandes, e todos nós temos os nossos labirintos, pequenos ou grandes, simples ou complexos.
Os caminhos e os percursos entre os nossos desertos e os nossos labirintos, mais rectos ou mais sinuosos, são, ao fim e ao cabo, os caminhos da nossa vida. E esses caminhos são feitos predominantemente de silêncio.
A grande força da nossa vida reside no silêncio. O silêncio das nossas meditações, das nossas reflexões, das nossas decisões, dos nossos segredos e intimidades, dos nossos medos e coragens, dos nossos sonhos e entusiasmos, das nossas alegrias, das nossas mágoas e frustrações.
O silêncio é a primeira voz que um homem ouve quando está dentro de si.
O silêncio é o respirar do nosso íntimo, a dialéctica da nossa personalidade, o único espaço onde a mentira não cabe.
O silêncio é o relógio oculto e secreto das nossas horas.
A mágica sensatez do silêncio é o fio-de-prumo da nossa calibração.
São imensas as verdades que podemos conhecer, só por ficarmos estendidos na cama a olhar para o tecto e a pensar calmamente. Porque as verdades estão em nós e só o silêncio nos permite desvendá-las.
Nós somos a nossa própria teia e só o silêncio nos deixa ver e separar os emaranhados fios que a tecem.
Tantas vezes o silêncio tem vontade de fugir e necessidade de gritar! De gritar as verdades que descobre. Mas como o silêncio não tem palavra de se ouvir, vai enformando os mais variados actos da nossa vida, os gestos e as artes da vida que só nele vive.
Assim nascem, assim se criam e se desdobram todas as nossas inúmeras expressões vivenciais, algumas delas ditas artísticas, que mais não são do que as vozes ampliadas dos nossos próprios silêncios.


