Ceifeira, não dobres tanto a cintura
Ceifeira,
cantar agreste
na flor do vento,
trigo e suor
amargurado
no esquecimento.
Ceifeira,
de sol a sol
teu canto trespassa
o trigo.
Com lâmina
fere a espiga,
põe-na revolta,
explosiva.
Ceifeira,
ó que amargura
te vai no corpo
agravado.
Sempre a dar
o corpo à terra
e teu sangue
amotinado.
Ceifeira,
levanta a foice
não dobres tanto
a cintura.
Quem trabalha
a terra alheia
não pode usar
a ternura.
in Crónica Breve, (Tomar, 1970)

