Pequeno historial
Devem os meus leitores lembrar-se que, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, jornalistas e comentadores portugueses alarmaram toda a gente, porque uma catástrofe pior do que a de Chernobyl podia acontecer, em resultado dos combates na proximidade da central e da sua ocupação por tropas russas.
Chamei a atenção que as armas utilizadas por ambos os lados nesses combates, mesmo a artilharia, não poderiam afectar os órgãos fundamentais da central, protegidos por um contentor de betão pré-esforçado e por uma cuba de aço, bastante espessos. E que só bombas perfurantes lançadas de avião o poderiam fazer. Na realidade, apesar dos combates prosseguiram na região de fronteira entre a zona ocupada pela Rússia e o resto da Ucrânia, nenhum acidente se verificou, mesmo de pequena amplitude.
Aliás, como já escrevi anteriormente, desde que uma missão da Agência Internacional de Energia Atómica visitou a central em Setembro de 2022, apesar de o seu Director–Geral ser claramente pró-EUA/União Europeia, e constatou que não havia nada de muito preocupante, as vozes calaram-se.
A central tem agora 5 grupos desligados e um a produzir vapor para a cidade próxima, Ernodar, onde vive a maior parte dos trabalhadores da central, os quais passaram, por opção própria, a estar sob o comando da empresa russa de energia nuclear, a Rosatom, rescindindo o contrato com a empresa ucraniana.
O facto de a central estar desligada não agradará à Rosatom, pois certamente desejaria que ela alimentasse em energia eléctrica a zona que a Rússia ocupa no Sul. A importância estratégica de uma central eléctrica explica a razão porque foi ocupada pelas tropas russas e a insistência em a manter, apesar das pressões internacionais e do Governo ucraniano para a desocupar.
Os combates continuam naquela zona de fronteira e os ataques à central por drones ucranianos continuam, embora os citados jornalistas e comentadores, quando ainda falam do assunto, procuram fazer passar a mensagem, sub-repticiamente, que são os russos os autores, o que não tem sentido, pois estariam a visar uma instalação que ocupam, de que necessitam e que querem proteger. Interessa referir que os ataques são às linhas que saem da central, impedindo que alimentem as populações. Outras centrais ucranianas, não ocupadas pelos russos, são por eles atacadas pelo mesmo motivo que os ucranianos atacam esta: impedir o fornecimento de energia eléctrica às populações. Assim, das 4 linhas a 750 kV (ou 750.000 V, comparados com 220 V das nossas casas) e das 2 a 330 kV, apenas duas estão operacionais.
Entretanto, em Março deste ano, o Director-Geral da AEIA encontrou-se com Putin, o que mostra que as coisas não estão a correr bem para a Ucrânia.
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