HORAS SEM TEMPO
Ao soar das horas mortas
Abro as asas que foram do meu voo.
Para lá do nevoeiro
sei que ainda moram noites de luar
e apetece-me gritar por ti e chorar.
Vestido de tempo sem espaço
e de espaço sem tempo
tento fundir a neve que me cobre
com o calor da tua nudez
mas a vida é uma teia sem olhos
no gélido mundo da tua ausência.
A respiração acabou
e o poema nasceu fechado
no teu corpo
tão perto e tão longe e de mim.
Velha semente sem terra
ainda sinto a tua doçura
nas entrelinhas da secura.
adão cruz

