A piada do ano, que pode ser usada ainda durante muitos mais –pelo menos enquanto ele andar nas “políticas”– foi dita pelo trumpa no dia 18 de Agosto, num dos meetings para americanos/republicanos, e para eventuais conservadores/doadores de tais encontros. E, usando mesmo uma tradução do Yahoonews, facilitada pelo dr. Google, é extraordinariamente, soez, curta e reles, mas merece ser guardada: ‘Sou mais bonito que Kamala, e não digam que sou um fala-barato. Digo eu, que sou mais bonito que ela!’
Obviamente que tal afirmação arrasta comentários diversos. ‘Quem é este personagem, e onde se terá escondido o Donald Trump? Acreditarão os eleitores que o prepotente, autoritário, embusteiro, condenado e complexado ex-presidente desapareceu, desde que o tentaram matar? Ou converter-se em mártir, será um degrau para o seu gigantesco narcisismo?’ pergunta um cronista de um diário europeu.
Para John Carlin, correspondente de alguns jornais, do ‘Guardian’ ao ‘La Vanguardia’, a explicação parece simples, ‘Goste-se ou não, temos de reconhecer que em Trump, parafraseando Hamlet, é que há método na sua loucura. Talvez não tenha consciência disso (uma pessoa bem próxima disse que terá a idade mental de um garoto de 11 ou 12 anos) mas tem um dom de valor incalculável num líder, fala para as emoções dos seus fiéis, que vibram com ele’.
E, sarcasticamente, John Carlin pergunta ainda ‘E que melhor forma de devolver o golpe, que obrigar os convenciditos “progres” a engolir o seu detestado Trump, mais quatro anos na Casa Branca? Quanto mais degenerado, criminoso e vulgar seja, mais serão os motivos para votar nele, por mais doer aos que tanto o desprezam’.
Não só os americanos/republicanos que apostam no gadelhudo loiro, eternamente preocupado com a sua própria aparência que, afirma o psicólogo Avrum Weiss ao ‘New York Times’ do passado dia 22, ‘Os elogios e as críticas do sr. Trump podem simplesmente estar por trás da insegurança sobre si mesmo’. E além de Musk, que lhe ofereceu 50 milhões de dólares, também o fundo ‘Blackstone’, o primeiro fundo de inversão do planeta, anunciou que o vai apoiar, significando que estas doações milionárias vão aumentar grandemente a publicidade para tal candidato.
Só que a escritora e jornalista argentina Mariana Enríquez, tem um conceito especial sobre todo este assunto, ‘O Mal, assim com maiúscula, existe. E mais, governa. Redacta leis, molda emoções e dá forma ao aceitável. O Mal é, hoje, parte da liberdade. Não, o Mal é hoje um direito. Se conseguiu entranhar-se no mais profundo da sociedade humana, deve-se à convivência com os donos do dinheiro, que actuam como o seu principal portador’.
Os caminhos da anormal, complexada e ‘bonita’ aparência do donald!
Quando acabei a revisão do texto, fui dormir. Acordei de madrugada e na “2”, a rádio que me acompanha em permanência, estava a uma senhora a explicar em espanhol, os problemas de um bairro qualquer, devido a problemas ligados ao álcool e à droga. Olhei para o relógio, faltavam uns minutos para o noticiário e mudei para a “1”; ali apanhei outra senhora a cantar uma coisa igual (ou parecida), pelo ritmo e pela berraria, a pelo menos outras dez mil que, a essa hora, estariam a ser também postas no ar por igual número de emissoras, deste mundo ocidental onde vivemos.
Mas como ouvi o locutor dizer que antes do noticiário, ainda haveria lugar para um pouco de ‘memória’, continuei por ali. E quando chegou a tal memória, ouvi um tipo a cantar em (brasilês), a ‘Inquietação’ do José Mário Branco.
Mas aguentei até ao noticiário, para ouvir o que se passaria no mundo; só que o serviço foi todo ocupado, àquela hora da madrugada, pelos resultados das candidaturas ao ensino superior, e fiquei a saber que a nota mais alta para entrar era a de Engenharia Aeroespacial, 19,45, numa universidade qualquer. ‘Porreiro, pensei eu àquela hora, talvez inventem qualquer coisa para nos libertarem e mandarem para o espaço, os ‘tvde’ e os tipos que nunca usam os piscas, e nos passam à frente em qualquer lugar onde encontrem um buraco, mesmo que seja duas faixas ao lado daquela por onde seguem’.
Voltei a sintonizar a “2”, mas ali estava outro tipo a fazer perguntas em inglês, que tinham sempre a mesma resposta, ‘The barbarians are coming’. Cansei-me de ouvir rádio, cansado que estava já da boniteza do donald, e resolvi sair da cama.
Uma Carta em dois tons, mas foi o que me aconteceu no passado fim de semana!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor


