Nota de editor
Um artigo de Politico, um sítio na internet que é propriedade do titã dos media alemães Axel Springer, um interessante texto do olhar de um certo establishment sobre as eleições regionais no leste da Alemanha.
FT
Seleção e tradução de Francisco Tavares
5 min de leitura
Como olhar para as eleições na Alemanha de leste de modo profissional
Espera-se que a extrema-direita e a extrema-esquerda aumentem a sua votação nas eleições estaduais de domingo [1 de setembro].
Publicado por
em 30 de Agosto de 2024 (original aqui)

Berlim – Prevê-se que os partidos populistas nos extremos da extrema-direita e da extrema-esquerda do espectro político aumentem nas eleições regionais a realizar no leste da Alemanha este domingo. Se as actuais previsões se confirmarem, o resultado de domingo irá provocar ondas de choque político em toda a Alemanha e ilustrar o grau em que os eleitores do leste do país se rebelam contra os principais partidos políticos.
Aqui está tudo o que você precisa saber sobre as próximas votações — e o que tudo isso significa para o governo de coligação de três partidos cada vez mais enervado do chanceler alemão Olaf Scholz.
Onde e quando decorrem as votações?
Os eleitores vão às urnas este domingo em dois estados da Alemanha de leste – Saxónia e Turíngia – para eleger os seus deputados estaduais. Os eleitores de um terceiro estado do leste, Brandemburgo, irão às urnas em 22 de Setembro.
A que horas sairão os resultados?
As primeiras projecções para a Turíngia e a Saxónia, com base nas sondagens de boca de urna, estão previstas para domingo à noite, às 6 da tarde. Pouco depois, serão divulgadas as primeiras projecções baseadas na contagem antecipada de votos. Espera-se que os resultados finais se tornem claros ao longo da noite.
Quem é provável que ganhe?
Na Turíngia, o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) parece estar pronto para um primeiro lugar, agora com uma previsão de votação ligeiramente inferior a 30%. Isto apesar do facto de o partido ser liderado por Björn Höcke, considerado um dos políticos mais extremistas do partido e alguém que foi por duas vezes considerado culpado por um tribunal alemão por empregar propositadamente a retórica Nazi.
Na Saxónia, as sondagens mostram que a conservadora União Democrata-Cristã (CDU) tem uma ligeira vantagem sobre a AfD, mas a corrida continua a ser considerada uma disputa acirrada.
A região alemã da Saxónia dirige-se às urnas
A Turíngia dirige-se às urnas
As sondagens também sugerem que um novo partido populista de esquerda fundado pelo ícone esquerdista Sahra Wagenknecht terminará em terceiro na Turíngia e na Saxónia — um resultado notável para um partido fundado há apenas alguns meses — potencialmente colocando o partido num papel de charneira quando se tratar de formar governos de coligação.
Por que está tanto em jogo?
A ascensão de partidos radicais no leste da Alemanha será vista como uma repreensão inconfundível aos principais partidos da Alemanha — e, em particular, ao Governo de coligação tripartido e de esquerda do Chanceler alemão Olaf Scholz.
Todos os três partidos da coligação de Scholz – o Partido Social Democrata (SPD), de centro-esquerda, o Partido Democrático livre (FDP), orçamentalmente conservador, e os Verdes – estão a lutar para atingir o limiar de 5% necessário para eleger deputados aos parlamentos estaduais. Se estes partidos não conseguirem conquistar um número significativo de lugares, será mais um embaraço para uma coligação já fraca que luta para se manter intacta.
Numa tentativa de reverter a sua sorte política logo antes da eleição, o governo de Scholz anunciou uma série de medidas de migração mais duras — mostrando como a ascensão da AfD assente numa mensagem anti-imigração abalou o establishment político do país.
Como todos os outros partidos prometeram não formar coligações com a AfD, é improvável que o partido ganhe um poder de governo real, apesar do aumento da extrema-direita. Mas o facto de um partido que os principais líderes políticos alertam ser extremista, até mesmo Nazi, estar a ganhar terreno é susceptível de fazer soar alarmes em todo o país. O resultado também é susceptível de ser visto como prova de como a Alemanha não conseguiu integrar politicamente a antiga Alemanha Oriental após a queda do Muro de Berlim.
Uma pessoa que provavelmente celebrará o resultado no domingo é o presidente russo, Vladimir Putin. A ascensão de partidos amigos da Rússia no leste da Alemanha dá a Putin, um ex-espião da KGB baseado em Dresden durante a Guerra Fria, uma posição na política alemã.

O que acontece depois?
Dado o cenário político fragmentado, espera-se que a formação de coligações após as eleições seja altamente complicada.
A aliança de Sahra Wagenknecht e a CDU de centro-direita podem estar a milhas de distância em muitas questões políticas, mas podem ser forçadas a governar em conjunto para impedir que a AfD participe nos governos estaduais.
Se a AfD conseguir conquistar um terço dos assentos nos parlamentos estaduais, daria ao partido o poder de bloquear os votos que exigem uma maioria de dois terços. Isso poderia tornar extremamente difícil a aprovação de certas leis e a nomeação de juízes.
O resultado desta eleições é importante para as próximas eleições nacionais alemãs?
A conservadora CDU tem actualmente uma grande vantagem nas sondagens nacionais. Salvo uma grande mudança, é provável que o partido saia vitorioso quando os alemães votarem nas suas próximas eleições nacionais em setembro de 2025.
Mas, dada a fraqueza de outros partidos tradicionais atualmente na coligação de governo da Alemanha e a ascensão da extrema esquerda e da extrema direita, não está claro com quais partidos a CDU será capaz de formar uma coligação. A nível nacional, a AfD está actualmente posicionada nas sondagens como a segunda maior força do país, com 18%.
Após as eleições estaduais no leste, tanto Wagenknecht como a AfD esperam expandir sua influência em todo o país.
Se forem bem sucedidos, os resultados no leste podem ser um prenúncio do que está por vir.
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A autora: Nette Nöstlinger é repórter de Politico desde junho de 2024, tendo anteriormente trabalhado na Reuters e também em Politico. É licenciada e mestre em Ciência Política pela Vrije Universiteit de Bruxelas. É também mestre em Jornalismo pela HMKW University of Applied Sciences for Media, Communication and Management em Berlim.




