faço o que posso
para descobrir pequenas lógicas na sucessão das circunstâncias
porque a normalidade é um território onde não sou bem-vindo.
as minhas certezas são dúvidas autenticadas pelos tempos somados
em gerações antigas que conversavam indagando o universo
e em que todas as sabedorias se vestiam de humildades sérias.
faço o que posso
mas os extintores feitos de silêncios não são grandes combatentes
perante a modernidade das evidências artificiais a quezília das relações
construídas como se fossem legos de papel
e a indiferença agressiva que adolesce gerações adentro.
percebo que
as desordens continuam a nascer nos mestres dos mil teclados
principalmente nos mais poderosamente avulsos e selvagens.
já ninguém compra canetas.
a experiência foi derrotada pela presunção mecânica
de profetas instantâneos.
o vento não resistiu à aragem dos dias rápidos.
as guerras são espelhos sujos de hominídeos sem valor.
Darwin enganou-se e só os macacos sabem disso.
e os deuses fazem lives para apóstolos sem perguntas.

