A coragem é um dos mais nobres sentimentos do ser humano. A coragem é o uso da razão e da coerência com os princípios, a despeito da dor e sofrimento que possa acarretar. A coragem, no caso do General Humberto Delgado e tantos outros, enfrentou o caminho mais adverso na luta contra uma ditadura feroz, sem medo das balas traiçoeiras que, não matando a História, o apanharam e lhe tiraram a vida. A coragem é bravura, intrepidez, ousadia, é não ter medo do medo e acreditar na diferença entre o arcaico poder instituído e uma sociedade nova, justa e solidária. É lutar de cabeça erguida, na senda dos sonhos e utopias, enfrentar a hipocrisia e o obscurantismo, denunciar a fome, a miséria, as injustiças, as perseguições e assassinatos de quem luta e dá a vida pela liberdade. Percorrer caminhos incertos quando a consciência diz sim e acreditar que não há bonança sem tempestade nem céu sem nuvens encobrindo o sol. Coragem é ter a consciência de pôr a verdade no lugar do erro por força do carácter.
O General Humberto Delgado foi um Homem de Coragem. Por isso lhe atribuíram merecidamente o cognome de “General Sem Medo”. É uma figura incontornável da nossa história moderna e colectiva, um símbolo de liberdade e libertação que lhe custou o bem mais precioso que temos, a vida. Por todo o País lhe foram erigidas gloriosas estátuas de gratidão. S. João da Madeira tem razão para sentir orgulho ao associar-se desta forma à homenagem a Humberto Delgado. Ao fazê-lo, está também a homenagear a coragem dos Sanjoanenses que lhe deram a vitória nas urnas das eleições de 1958, contra todas as manobras fraudulentas do antigo regime. S. João da Madeira foi um dos casos raros em todo o país, onde, contra tudo e contra todos, o general Humberto Delgado ganhou as eleições.
Creio ser de toda a justiça o erguer da sua estátua branca na Praça Luís Ribeiro, um lugar de destaque nesta histórica, laboriosa e democrática terra de S. João da Madeira. Sinto-me honrada por ter estado presente na cerimónia da sua inauguração e congratulo-me, como cidadã, pelo simbolismo universal deste justo, pedagógico e corajoso acto político-social. A História e a sua interpretação são a ponte que liga o Passado ao Presente e ilumina a construção do Futuro.
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