O Jazz não é tudo, o Jazz não será quase tudo mas é uma grande, imensa parte, de quase tudo.
Quando criou a música, Deus (foi ao sétimo dia num Sábado à noite, já eventualmente um pouco toldado) pareceu-lhe que viria a haver, tal como em outras áreas da Sua Criação, dificuldades com os mais ímpios, dificuldades em aceitarem assim uma coisa, uma parte dessa tal música que os transcenderia, uma coisa que levou quase dois mil anos a ser entendida e mesmo assim, como muito bem sabeis, apenas por alguns Eleitos e apenas nos finais do século XIX.
O Senhor o criou, ao Jazz, claro, assim como criou outras coisas bem piores (o Hitler, o Salazar, o Gengis Khan, o Bush, o Papa, o Fado Corrido, os Corridinhos do Algarve, o Hino Nacional, etc.) e hoje apenas existem ainda alguns (poucos) apóstolos que têm vindo a espalhar aquela Divina Música pelo mundo, sempre com enorme dificuldade e sacrifícios – perseguidos, quando não sacrificados nas fogueiras da Santa e Musical Inquisição.
Eu sou um desses apóstolos, eu tento levar a música do Sr. ou pelo menos uma boa parte dela, aos locais mais longínquos, às paragens mais simples e primitivas tais como àquela extensão do Norte de África, também conhecida por Al Gharve – tudo quase sempre em vão.
Para terminar e dada a importância transcendente deste tipo de música e uma vez que foram os negros os primeiros a irromper com o Som que mais tarde se transformaria em algo de tão divino e poderoso, vou abrir um pouco o véu sobre a minha actual pesquisa religiosa, cujas conclusões serão por demais evidentes:
Deus é (evidentemente) preto.
Carlos
Novembro de 2002
(*) Antigo Testamento, Capítulo Improvisado, Versículo em Blue de Doze Compassos, segundo S. Duke Ellington e S. Louis Armstrong.