O impacto da alteração climática e do aquecimento que se está a verificar em algumas zonas do planeta –leia-se Mediterrânio– deu origem a que os céus se tivessem aberto e despejado sobre Valência –sabe-se lá porquê!– e acabado com a vida de umas centenas de pessoas, destruindo o presente e futuro de muitos milhares mais, entre ruínas, escombros, lamaçais e ruas completamente atravancadas por montes de automóveis, e pessoas a equilibrar-se em cima para poderem atravessar a rua.
Não havia água, nem luz, telefone ou internet para pedirem socorro, que tardou dias a chegar e…
el roto
El País’, 05.11.24
Vivemos num mundo e numa sociedade em que, por muita culpa nossa, os poderosos têm cada mais poder, financeiro ou político, ao mesmo tempo que os mais fracos, mesmo com a aparência de remediados, estão e são cada vez mais frágeis. E é sempre em ocasiões como esta, ou naquelas outras provocadas pelos tais poderosos, que se expõe essa fragilidade, maiormente visível entre os mais antigos e os mais pobres, por serem os mais desprotegidos pelos favores dos céus.
Sou de um tempo em que os professores nos ensinavam a falar a linguagem antiga, aquela que os nossos maiores usavam, e o professor Rabaça até me obrigava a ter um ‘caderno de significados’, com cada página dividida em duas, com a palavra antiga à esquerda e os significados do outro lado. Assim ganhei o gosto pela leitura, pela escrita e pelo ‘Siera’ onde o meu pai ouvia os noticiários, e eu praticava quando ele saía, nas alturas em que não havia ninguém para jogar à bola, e tinha de aproveitar aqueles momentos de ócio –palavra aprendida assim também.
Agora as palavras e os discursos até podem ser substituídos por ‘cartoons’, às vezes com vantagem para evitar redundâncias, repetições abusivas de ideias ou palavras.
Só que, e repito, estamos a viver num mundo e numa sociedade em que, por muita culpa nossa, os poderosos têm cada mais poder, financeiro ou político, ao mesmo tempo que os mais fracos, mesmo com a aparência de remediados, estão e são cada vez mais frágeis. Prova disso é o facto de ter lido um título num jornal lá de fora que aqui deixo traduzido, ‘Um delinquente como Donald Trump, condenado por 34 delitos graves, não só anda livre, como pode voltar a converter-se no homem mais poderoso do planeta e, precisamente, graças à sua inteligência e sabedoria!’
Com o diria um internacionalmente conhecido jornalista e radialista, para este fulano ‘Escrúpulos será um nome grego!’ e, visto isso, as minhas palavras e qualquer opinião podem mais uma vez também, ser substituídas por um ‘cartoon’ premonitório, publicado ontem mesmo, dia 5 de Novembro, no ‘Diario.es’ daqui ao lado.
Manel Fontdevila
‘elDiario.es’ 05.11.24
E, logo a seguir, hoje mesmo, dia 6 de Novembro, depois destas notícias demasiado preocupantes, leio também, ‘Declaro-me em situação de angústia. Angustiar-me pelo cínico fascismo que cresce à minha volta, e por levar a angústia dentro, sempre e em surdina. É a minha maneira de dizer não e, por isso, declaro aqui e com firmeza, o meu estado de angústia permanente’, no dizer e escrever da escritora e cronista Maruja Torres.
E mais um cronista, Viriato Soromenho Marques, no DN do passado dia 2, ‘O que une quem manda nos EUA e na UE é um desespero crepuscular, da sua inteira responsabilidade. Para travar o inevitável, sacrificam-se vidas e valores. É indecente falar no Ocidente em direitos humanos, quando a desigualdade doméstica resvala na pobreza, e se alimenta o genocídio e agressão perpetrados por Israel. Quando a nossa identidade se define pela fabricação e punição de ‘inimigos’, e não pelo poder inclusivo de um projecto de futuro, já entrámos no reino das sombras’.
E sei também, que esta Carta não vai adiantar coisa alguma, mas afirmo estar totalmente solidário com Maruja Torres.
Ámen!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor