MEMÓRIAS
há memórias que são pessoas casas mil coisas
e que ainda são um hoje a desaparecer.
memórias cercadas por cortinas
que são um ontem a respirar numa aflição com asas baças
incapazes de esvoaçar infância.
por isso a urgência deste sossego de palavras que são cacos
que se escrevem devagar
como se o poema fosse um relento que fica.
da água que escorre saem todos os meus
que vivem sentados nas pálpebras que agora
vertem encruzilhadas no lavatório.
quando acabar de lavar os dentes
serei um rochedo de luz redonda.


