Espuma dos dias — O enigma da Síria: como ele pode transformar-se na Primeira Guerra dos BRICs. Por Pepe Escobar

Nota de editor:

O presente texto de Pepe Escobar, tal como o que ontem publicámos de Alastair Crooke foram escritos antes da queda de Bashar-al-Assad. No entanto, parecem-nos conter informação relevante sobre o contexto dos acontecimentos na Síria. Igualmente, o texto que publicaremos amanhã da autoria de Lorenzo Pacini, escrito em cima dos acontecimentos da queda de Damasco, pensamos ser do maior interesse para a análise do que se passou e passa na Síria, e mais em geral no Médio Oriente.

FT


 

Seleção e tradução de Francisco Tavares

8 min de leitura

O enigma da Síria: como ele pode transformar-se na Primeira Guerra dos BRICs

 Por Pepe Escobar

Publicado por  em 4 de Dezembro de 2024 (original aqui)

 

 

A maioria mundial deve estar em alerta total. O ataque ao grande Idiblistão [referência à província Idlib situada a noroeste perto da fronteira da Turquia] faz parte de uma complexa operação interligada.

 

A linha do tempo conta a história.

18 de novembro: Ronen Bar, chefe do Shin Bet [serviço de segurança interna] de Israel, reúne-se com os chefes do MIT, o serviço de inteligência da Turquia.

25 de novembro: o chefe da NATO, Mark Rutte, encontra-se com o sultão turco Erdogan.

26 de novembro: os jihadistas-salafitas reunidos pela Hayat Tahrir al-Sham (HTS-organização pela libertação do levante), anteriormente Frente Nusra [n.t. com fortes laços ideológicos e logísticos à al-Qaeda], apoiados pela inteligência turca, além de uma robusta coligação jihadista (Jihadistas de aluguer), lançam um ataque ultrarrápido contra Aleppo.

A ofensiva Rent-A-Jihadi teve origem no Grande Idlibistão. Foi aí que dezenas de milhares de jihadistas foram escondidos, de acordo com a – agora provada fracassada – estratégia Damasco-Moscovo de 2020, que a Turquia teve de aceitar a contragosto. A máfia Rent-A-jihadista é composta por dezenas de mercenários que atravessaram – em que outro lugar poderia ser – a Turquia: uigures, Uzbeques, tadjiques, ucranianos e até importações do ISIS-K.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Iraniano Esmaeil Baghaei, no início da semana, confirmou que a ofensiva salafista-jihadista foi coordenada por EUA/Israel.

Baghaei não mencionou a Turquia, ao mesmo tempo que sublinhou que o ataque terrorista aconteceu imediatamente depois de Israel aceitar um cessar–fogo com o Hezbollah – já quebrado por Telavive dezenas de vezes – e depois de Netanyahu acusar publicamente o presidente sírio, Bashar al-Assad, de “brincar com fogo” ao permitir o trânsito de modernos mísseis iranianos e equipamento militar através da Síria para o Hezbollah.

Pouco antes do cessar-fogo, Telavive destruiu praticamente todas as rotas de comunicação entre a Síria e o Líbano. Netanyahu sublinhou posteriormente que o foco agora está na “ameaça iraniana”, essencial para esmagar o Eixo da Resistência.

De acordo com uma fonte dos serviços especiais sírios, conversando com a RIA Novosti, os conselheiros ucranianos desempenharam o papel fundamental na captura de Aleppo – fornecendo drones e sistemas americanos de navegação por satélite e guerra eletrónica, e ensinando colaboradores sírios e operativos do partido islâmico do Turquestão como usá-los.

As comunicações do exército árabe sírio (SAA) foram completamente bloqueadas por esses sistemas de guerra eletrónica: “os grupos de assalto e drones foram equipados com dispositivos GPS criptografados e uso extensivo de IA, de modo que o uso e a navegação de UAVs (veículos aéreos não tripulados) de ataque e drones kamikaze ocorreram desde longa distância.”

O mecanismo foi criado há meses. Kiev fez um acordo direto com jihadistas-salafistas: drones em troca de lotes de takfiris [crentes] para serem armados contra a Rússia na guerra por procuração EUA/NATO na Ucrânia.

 

O que é que a Turquia está realmente a tramar?

O papel prático da Turquia na ofensiva salafista-jihadista do Grande Idlibistão é tão obscuro quanto parece.

No último fim-de-semana, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Hakan Fidan, significativamente também ex-chefe da inteligência, negou qualquer papel turco. Ninguém – além da esfera da NATO – acredita nisso. Nenhum jihadista- salafista no noroeste da Síria pode acender um fósforo sem ter luz verde da inteligência turca – uma vez que é o regime de Ancara que os financia e arma.

A linha oficial da Turquia é apoiar a “oposição” síria – jihadista-salafista- no seu conjunto, enquanto lamenta vagamente a ofensiva do Grande Idlibistão. Mais uma vez, cobertura clássica. No entanto, a conclusão lógica é que Ancara pode ter acabado de enterrar o processo de Astana – traindo os seus parceiros políticos Rússia e Irão.

Erdogan e Hakan Fidan, até agora, não conseguiram explicar a toda a Ásia Ocidental – bem como ao sul Global – como esta sofisticada operação jihadistas de aluguer poderia ter sido criada pelos EUA/Israel sem qualquer conhecimento da Turquia.

E no caso de isso ter sido uma armadilha, Ancara simplesmente não tem poder soberano para denunciá-lo.

O que os factos explicam é que uma nova frente foi de facto aberta contra o Irão; o dividir para reinar dos EUA/Israel tem o potencial de esmagar completamente a entente Teerão-Ancara; e os principais activos russos – principalmente aeroespaciais – terão de ser desviados da Ucrânia para apoiar Damasco.

Não há aqui qualquer mistério: há anos que Ancara morre de vontade de controlar Aleppo – mesmo que indirectamente, de “estabilizá-la” para as empresas (em benefício das empresas turcas) e também de permitir o regresso de muitos refugiados relativamente ricos de Aleppo que se encontram actualmente na Turquia. Paralelamente, ocupar Aleppo é também um projecto americano: neste caso, para minar seriamente o Eixo de Resistência em benefício de Telavive.

E que mais é novo? O sultão Erdogan – agora um parceiro do BRICS – está mais uma vez na berlinda. Pior: vis a vis dois membros-chave dos BRICS, Moscou e Teerão esperam muitas explicações detalhadas. Não há nada que Putin abomine mais do que uma pura e simples traição.

Erdogan tomou a iniciativa e chamou Putin – introduzindo uma reviravolta: ele concentrou-se nas relações económicas Rússia-Turquia. Após o tsunami de sanções contra a Rússia, a Turquia transformou-se na ponte privilegiada entre Moscovo e o Ocidente. Além disso, há importantes investimentos russos na Turquia: gás, energia nuclear, importação de alimentos. Ambos os intervenientes abordaram sempre a guerra na Síria ligada à geoeconomia.

 

Uma roda de turbas Jihadistas alugadas

Entretanto, os factos são novamente implacáveis. A HTS, a antiga Frente Al-Nusra, pode não ser estritamente ISIS; é antes um ISIS da Turquia. O comandante Abu Mohammed Al-Joulani, de facto emir da mudança de marca ultra duvidosa, abandonou todas as variantes da al-Qaeda mais o ISIS para formar a HTS. Ele comanda uma série de jihadistas de aluguer – principalmente do interior. E ele é um queridinho do MIT (serviço de inteligência) da Turquia. Portanto, um queridinho de Israel/NATO.

A CIA e o Pentágono, cada um operando a sua própria rede, armou 21 das 28 milícias sírias, jihadistas-salafitas e outras, organizadas pelo MIT da Turquia numa espécie de “exército nacional” mercenário no Grande Idlibistão, de acordo com o think tank turco SETA.

O analista sírio Kevork Almassian mostrou como os proverbiais “ex-funcionários israelitas” admitiram ter fornecido fundos, armas, munições e até tratamento médico à quadrilha do Grande Idlibistão.

O ex-coronel do exército israelita Mordechai Kedar admitiu abertamente o apoio aos “rebeldes” para “remover o triângulo do Hezbollah, do Irão e de Assad”. Os “rebeldes”, disse ele, até manifestaram o seu desejo de “abrir embaixadas de Israel em Damasco e Beirute”.

A HTS é a última encarnação de um dos brinquedos favoritos do Ocidente coletivo: o “rebelde moderado” (lembre-se de Obama/Hillary?) A lealdade é quase 100% a Ancara. Eles odeiam xiitas e alauítas – e administram uma extensa rede de prisões.

Foram os jihadistas-salafitas da HTS que forçaram a rendição completa de Aleppo – sem luta – e filmaram-se em frente à lendária Cidadela. De 2012 a 2016, apenas algumas dezenas de soldados das SAA conseguiram defender com sucesso a cidadela, mesmo quando estavam completamente cercados.

Desde o início da guerra em 2011, Damasco nunca teve uma derrota tão devastadora como a queda de Aleppo. O Iraque viveu algo tragicamente semelhante com a queda de Mosul em 2014. É justo argumentar que a maioria absoluta dos sírios é contra o acordo Rússia-Turquia-Irão de 2020, que de facto impediu a libertação de Idlib: um grande erro estratégico.

A situação piora – porque o problema realmente começou em 2018, quando os turcos nem sequer estavam em Afrin, e a libertação de Hama/Idlib foi interrompida em favor da libertação dos subúrbios de Damasco. Foi a partir daí que dezenas de milhares de jihadistas foram transferidos para Idlib.

Quando chegamos a 2020 já era tarde demais: Idlib foi defendido por nada menos que o exército turco.

As forças armadas da Síria (SAA), quando se trata de Idlib, provou ser um desastre adormecido ao volante. Eles não atualizaram as suas defesas, não integraram o uso de drones, não prepararam defesa tática contra drones FPV kamizake e drones de observação, não prestaram atenção às dezenas de espiões estrangeiros. Não é de admirar que a turba de Jihadistas de aluguer não tenha encontrado resistência para tomar a maior parte de Aleppo em 48 horas.

Após o Acordo de 2020, as forças iranianas e pró-iranianas deixaram a Síria, especialmente nas províncias de Aleppo e Idlib. Estes sectores foram transferidos para as SAA. Quanto às empresas russas, que já não estavam exactamente interessadas em serem sancionadas por ir contra o bloqueio Ocidental contra Damasco, foram desprezadas pelos clãs, tribos e famílias locais.

Desta vez, ficou claro durante meses que a HTS estava a preparar uma ofensiva. Foram enviados avisos a Damasco. Mas os sírios confiaram no acordo com a Turquia e nas relações restabelecidas com as nações árabes. Grande erro.

Tudo isso dá pelo menos duas lições sérias para a Rússia. De agora em diante, aconteça o que acontecer, Moscovo terá que reinar nessas redes sírias incestuosas – e corruptas – para realmente ajudar a defender a soberania da nação. E o que aconteceu em Idlib mostra que a guerra contra os banderistas em Kiev terá de ir até ao Dniester, e não parar nas fronteiras da República de Donetsk.

 

Guerra na estrada – numa encruzilhada de conectividade

Até agora, o HTS e as turbas de jihadistas de aluguer não estão a cometer demasiados erros. Eles estão a tentar ocupar todas as estradas que alimentam Aleppo para impor novas batalhas o mais longe possível da cidade, então eles têm tempo para uma tomada completa.

A guerra na Ásia Ocidental é um assunto a caminho. Ou com cavalos no deserto ou com Toyotas. Não há muito terreno minado e não há lama como na Ucrânia. Assim, a guerra síria está em constante fluxo – e sempre a caminho. A HTS já está a utilizar a auto-estrada M4 de Idlib e a avançar em sectores da crucial M5 de Aleppo a Damasco.

Entretanto, estão a ser postas em prática as linhas de uma contra-ofensiva. Do Iraque, dezenas de milhares de milícias xiitas, Yazidi e cristãs do Kata’iB Hezbollah, da Brigada Fatemiyoun e Hashd Al-Shaabi (as unidades de mobilização Popular, PMUs, muito experientes na luta contra o ISIS) entraram na Síria no nordeste através da travessia de Al-Bukamal.

As forças Tigre da 25A divisão  do respeitado comandante Suhail Al-Hassan, na verdade as melhores forças sírias, estão em movimento ao lado das milícias tribais.

A Síria é uma encruzilhada de conectividade absolutamente fundamental – remontando às antigas rotas da Seda. Se a combinação EUA/Israel realizar o seu sonho perene de mudança de regime em Damasco, bloquearão o ponto de trânsito crucial do Irão para o Mediterrâneo Oriental.

Eles também permitiriam/forçariam o Catar a finalmente construir um gasoduto para fornecer gás natural à Europa através da Síria, um dos esquemas de Brzezinski para substituir o gás natural russo – e um dossier que eu estava a examinar em detalhe já há 12 anos.

As tácticas do Estado Profundo dos EUA não são exactamente uma novidade; tentar desviar a Rússia concentrando-se na Síria; esticar Moscovo; e aliviar a pressão sobre a Ucrânia, precisamente antes da assinatura da muito séria parceria estratégica global Rússia-Irão.

Mas há fatores complicadores para os EUA. A Arábia Saudita, que era um ávido defensor do terrorismo no início da guerra contra a Síria, mudou a sua política depois de a Rússia se ter envolvido em 2015. E agora Riad também é um – ainda sentado em cima do muro – parceiro do BRICS. A Arábia Saudita, o Egipto e os EAU apoiam significativamente Assad contra os capangas da HTS.

A Síria é absolutamente crucial para a estratégia global da Rússia na Ásia Ocidental-África. Damasco é uma importante ligação russa à África – onde Moscovo está de facto a implantar todo o seu poder global, como testemunhei recentemente na África do Sul, com alguns complementos intrigantes sob a forma de contra-sanções de facto contra oligarcas ocidentais, cujas posições em toda a África estão a ser prejudicadas em série.

A Rússia e o Irão, membros do BRICS, não têm outra escolha: precisam de corrigir, por todos os meios necessários, a incompetência demonstrada por Damasco e pelas SAA, para que possam manter o seu acesso ao Mediterrâneo Oriental, ao Líbano, ao Iraque e além. Isso implica um movimento muito sério: a Rússia desviar os principais ativos da batalha em Novorossiya para preservar uma Síria relativamente soberana.

 

Sonambulismo na Primeira Guerra do BRICS

Tal como está, as SAA parecem ter criado uma linha de defesa ainda frágil nas aldeias a norte de Hama. O lendário General Javad Ghaffari, ex-número dois do General Soleimani, especialista em todos os vetores de guerra contra o terror, chegou do Irão para ajudar. A propósito, em 2020 ele queria ir até Idlib. É por isso que Assad exigiu que ele tivesse que sair; Damasco optou por congelar a guerra. Agora é um jogo de bola completamente diferente.

A turba jihadistas alugados/NATO do Grande Idlibistão tem zero defesas aéreas. Eles estão agora a ser atingidos praticamente sem parar por jatos Russos/sírios.

A situação em Alepo é dramática. As gangues terroristas lideradas pela HTS controlam praticamente toda a Zona Vermelha, e os raros setores ainda não invadidos estão sob cerco. Eles também estão a avançar na frente Aleppo-Raqqa, mas também os curdos apoiados pelos EUA: isso significa um avanço da NATO. No deserto, tudo é assustadoramente silencioso.

O exército russo tinha apenas 120 pessoas em Aleppo. Os que sobreviveram foram-se embora. Então, o que está por vir para a Rússia? O melhor cenário possível a médio prazo seria concentrar-se em Lattakia; ensinar os soldados sírios a lutar ao estilo russo; e orientá-los sobre como libertar adequadamente a sua própria nação.

O passo imediato é dar-se conta das terríveis consequências de oferecer um porto seguro para dezenas de milhares de terroristas no Grande Idlibistão em 2020.

O próximo passo é compreender plenamente que, se Moscovo negociar uma espécie de Minsk-3 com a NATO – que é essencialmente o que Trump defenderia – Kiev tornar-se-á Idlib 2.0. E as gangues banderistas garantirão que haja Aleppos recém–caídos dentro da Federação Russa.

A maioria do mundo deve estar em alerta total. O ataque ao grande Idiblistão faz parte de uma complexa operação interligada – com o caos implantado como instrumento preferencial – destinada a virar a Ásia ocidental de pernas para o ar e literalmente incendiá-la. Isso pode muito bem estar metastatizando para uma Primeira Guerra dos BRICS.

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O autor: Pepe Escobar [1954-] é um jornalista e analista geopolítico brasileiro. A sua coluna “The Roving Eye” para o Asia Times discute regularmente a “competição multinacional pelo domínio sobre o Médio Oriente e a Ásia Central”.

Em Agosto de 2000, os Talibãs prenderam Escobar e dois outros jornalistas e confiscaram o seu filme, acusando-os de tirarem fotografias num jogo de futebol. Em 30 de Agosto de 2001, a sua coluna no The Asia Times alertou para o perigo de Osama bin Laden numa peça que tem sido chamada “profética. A entrevista de Escobar de 2001 com o principal comandante da oposição do Afeganistão contra os Taliban foi também amplamente citada. A sua peça de 26 de Outubro de 2001 para o Asia Times, “Anatomia de uma ONG ‘terrorista’”, descreveu a história e os métodos do Al Rashid Trust.

“Pipelineistão” é um termo cunhado por Escobar para descrever “a vasta rede de oleodutos e gasodutos que atravessam os potenciais campos de batalha imperiais do planeta”, particularmente na Ásia Central. Como Escobar argumentou num artigo de 2009 publicado pela CBS News, a exploração de condutas de energia das nações ricas em energia perto do Mar Cáspio permitiria à Europa estar menos dependente do gás natural que actualmente recebe da Rússia, e ajudaria potencialmente o Ocidente a depender menos da OPEP. Esta situação resulta num conflito de interesses internacional sobre a região. Escobar afirmou que a guerra do Ocidente contra o terrorismo é “sempre por causa da energia”.

De acordo com Arnaud De Borchgrave, durante a Guerra Civil Líbia em 2011, Escobar escreveu uma peça “desvendando” os antecedentes de Abdelhakim Belhaj, cuja liderança militar contra Kadhafi estava a ser auxiliada pela NATO, e que tinha treinado com a Al-Qaeda no Afeganistão. Segundo a história de Escobar, publicada pelo Asia Times a 30 de Agosto de 2011, os antecedentes de Belhaj eram bem conhecidos dos serviços secretos ocidentais, mas tinham sido ocultados ao público. avisando que Belhaj e os seus colaboradores mais próximos eram fundamentalistas cujo objectivo era impor a lei islâmica uma vez que derrotassem Kadhafi.

O Global Engagement Center (GEC) do Departamento de Estado dos EUA identificou vários pontos de venda que publicam ou republicam trabalhos de Escobar como sendo utilizados pela Rússia para propaganda e desinformação. Em 2020, o GEC declarou que tanto a Strategic Culture Foundation como a Global Research, duas revistas online onde o trabalho de Escobar tem aparecido, actuaram como sítios de propaganda pró-russa. Escobar tem sido também comentador de RT e Sputnik News; ambos os pontos de venda foram destacados num relatório de 2022 da GEC como membros do “ecossistema de desinformação e propaganda da Rússia”. Em 2012, Jesse Zwick na The New Republic perguntou a Escobar porque estava disposto a trabalhar com a RT; Escobar respondeu: “Eu conhecia o envolvimento do Kremlin, mas disse, porque não usá-lo? Passados alguns meses, fiquei muito impressionado com a audiência americana. Há dezenas de milhares de espectadores. Uma história muito simples pode obter 20.000 visitas no YouTube. O feedback foi enorme”.

(fonte, Wikipedia, ver aqui)

 

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