CARTA DE BRAGA – “deprimidos” por António Oliveira

O que está a acontecer? Por que será que ninguém aparece –com credibilidade– a explicar o que querem fazer de nós todos? Para onde nos querem arrastar? Leio e releio jornais de créditos firmados, nas línguas que consigo entender e, por muito que pense, tente adivinhar mentiras, incongruências e paradoxos, não consigo chegar a qualquer conclusão.

E, depois, tento evitar com mais pesquisas e novas leituras, a desmobilização que se me oferece como melhor solução; sei como a apatia e a tristeza que normalmente a acompanha, jogam inevitavelmente a favor da desinformação, e só tenho uma alternativa, a conversa e a análise dos nossos problemas com os meus amigos à mesa do café onde nos costumamos sentar, amigos a quem dói sentir como as Humanidades foram lenta mas continuadamente, retiradas do ensino.

Não podemos nem queremos acompanhar o progressivo esvaziar da cabeça perseguido pelas centrais de desinformação, bem apoiadas pelas redes e plataformas sociais que, afirma Victor Ângelo, ex-secretário-geral adjunto da ONU, no DN de 22 de Novembro, ‘Se transformaram em ninhos de serpente que só cospem raivas e insultos; infiltradas por agentes de ditadores, bem como por apoiantes de crimes contra a humanidade, por os seus algoritmos estarem assim programados’.

É óbvio também que o lugar principal pertence a Elon Musk, ‘O homem mais rico do Mundo, investiu mais de cem milhões de dólares na campanha de Trump, e comprou, dessa forma, um lugar na Casa Branca’, nas palavras de um respeitado e credível blog nacional.

Este último depois do buraco na orelha, parece ter acreditado que a sua vitória é ‘O triunfo da Santíssima Trindade, Deus, pátria e livre mercado (ou de crenças)’, um título bem acertado de um jornal lá de fora, logo seguido de um outro, um pouco mais abaixo, ‘O importante para Trump e seus multimilionários, é regular o mundo dos negócios de acordo com a sua visão do dinheiro’.

Uma escritora daqui ao lado, Soledad Puértolas, autora do ‘Resta a Noite’, cá editado pela ‘Terramar’, afirmou numa entrevista não há muito tempo, ‘A classe política está interessada em que estejamos deprimidos; e a escritora justifica esta afirmação com uma pergunta a que cada um poderá dar uma resposta para si mesmo, ‘Quem é que, deprimido, vai começar uma revolução ou reclamar os seus direitos?

Se repararmos bem, tanto a nível internacional como mesmo ‘dentro de casa’, as coisas não estão bem, com genocídios, guerras por ambições e sonhos de impérios, aquecimento global, milhões a fugir da fome e do abandono, milhares a serem engolidos pelos mares e por tais guerras e, por tudo estar mal, como nos dizem de todos os ‘altares políticos’, será melhor para nós perdermo-nos a ‘dedar’ no móvel que zelosamente levamos, por ser a única coisa que ‘parece bem’, e mesmo conforme com os desejos de tal classe.

Um outro título, do mesmo jornal onde apanhei os outros, mostra bem como ‘Quanto mais fugirmos do passado, mais nos deparamos com ele’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impo

 

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