CARTA DE VENEZA – VENEZA, O FUTURO E O CINEMA – por Vanessa Castagna

 

 

Um dos momentos mais icónicos de Veneza e, em especial, da ilha do Lido é constituído pelo Festival de Arte Cinematográfica, que todos os anos atrai artistas internacionais, filmes, jornalistas, público e polémicas, juntamente com muito glamour e a devida animação. O Festival de cinema veneziano tem conseguido manter-se a par dos tempos, sem se mumificar numa nostálgica memória de belos tempos passados, tanto que em setembro do ano passado o empresário Emiliano Biraku – na altura presidente da associação Confesercenti – lançou a ideia de um projeto focado precisamente na excelência e nas potencialidades do conúbio entre Veneza e o Cinema.

Recentemente o projeto de criar um polo cinematográfico inovador no Lido, para funcionar durante o ano inteiro, voltou a ser tema noticioso, havendo agora a indicação do local identificado para o hospedar, ou seja, a zona denominada “Terre Perse”. A área deverá acolher todas as instalações, incluindo estúdios, salas de produção digital e de pós-produção, ambientes com equipamento tecnológico avançado, por exemplo para produção de efeitos especiais e cenários 3D, e outros espaços multifuncionais, mas sem se perder a ambição de sustentabilidade e integração harmónica no contexto envolvente.

O objetivo seria tornar-se num ponto de referência para produções tanto nacionais como internacionais, passando pela criação de infraestruturas e levando à criação de novos postos de trabalho ligados à indústria cinematográfica. O projeto apresenta-se, nestes moldes, como uma grande oportunidade, porém há quem aponte para o risco de se transformar numa nova forma de turismo cultural, destinado a complicar – em vez de resolver – todos os problemas produzidos pelo overtourism que já avassala Veneza.

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