Hélder Mateus da Costa: Um génio da dramaturgia e um cidadão exemplar – por Carlos Pereira Martins

Hélder Mateus da Costa: Um génio da dramaturgia e um cidadão exemplar

por Carlos Pereira Martins

Hélder Mateus da Costa

O teatro português é um espelho da nossa cultura, das nossas inquietações e da riqueza emocional que caracteriza o nosso povo. No vasto universo da dramaturgia nacional, poucos nomes brilham com a intensidade de Hélder Mateus da Costa. Autor, actor, encenador e cidadão de rara sensibilidade, Hélder tem marcas profundas na arte cénica e na forma como esta dialoga com a sociedade.

Como dramaturgo, Hélder Costa é um mestre na arte de entrelaçar o humor subtil com o drama mais pungente, criando textos que nos fazem rir, chorar e reflectir. As suas obras transpiram humanidade, explorando os dilemas éticos, sociais e culturais que nos definem enquanto indivíduos e enquanto colectivo. Ele é capaz de transformar a simplicidade do quotidiano em poesia teatral, demonstrando um profundo entendimento das nuances da alma portuguesa.

Enquanto encenador, Hélder revela uma habilidade notável para traduzir as palavras do texto em movimentos, sons e imagens no palco. A sua visão cénica é meticulosa, sempre ao serviço da narrativa e da emoção e, quase sempre, da história portuguesa e universal.

Cada gesto, cada pausa, cada olhar dos actores é cuidadosamente orquestrado para alcançar uma ressonância única no espectador. Os seus espectáculos são, sem dúvida, experiências que transcendem o mero entretenimento, tornando-se momentos de partilha e introspecção.

Como actor, Hélder Mateus da Costa possui uma presença magnética, sendo capaz de dar vida às mais complexas personagens com uma naturalidade que cativa o público. Ele compreende que a força de uma interpretação reside na verdade emocional, e é precisamente isso que transmite em cada papel que encarna. A sua entrega em palco é uma celebração da arte de contar histórias.

Tem sido, ao longo de várias décadas, um pilar da grandiosidade e da enorme qualidade que A Barraca tem levado à cena, quer no seu espaço em Santos quer por todo o país, pela Europa e por outros países.

Para além da sua inegável genialidade artística, o meu muito querido amigo Hélder,  é também um cidadão comprometido com o mundo que o rodeia, com Abril, com a Liberdade e a Democracia. Republicano assumido, sempre demonstrou um elevado sentir fraterno para com o mundo e a sociedade que o rodeia.

Nas suas obras e na sua vida, a sua voz ergue-se em defesa dos valores de justiça, igualdade e liberdade. Hélder Costa  não é apenas um criador, é um pensador, um crítico e um participante activo nas questões do seu tempo. A sua coragem em abordar temas sensíveis e em questionar estruturas de poder faz dele uma figura de referência não só no teatro, mas também na esfera pública.

O legado que Hélder Mateus da Costa tem vindo a construir para os vindouros, é um testemunho do poder transformador da arte. Lembra-nos que o teatro é mais do que um espaço de representação; é um palco onde se discute a condição humana, onde se desafiam as convenções e onde se reacende a esperança. Que a sua obra continue a inspirar gerações e a iluminar os palcos do nosso país.

Que venham mais actos deste grande dramaturgo, encenador e cidadão!

Carlos Pereira Martins, Maria do Céu Guerra e Hélder Mateus da Costa

(Na amizade que tenho com o Hélder, coloco-o como mais um dos meus maiores  companheiros, cúmplices  e,  inegavelmente, como um verdadeiro irmão no sentido afectivo da palavra!)

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