ao céu sem margens que há nas árvores
à luz sem muros que é linguagem das estrelas
à água sem nome que é chão e nuvem e corpo
aos pássaros todos que são candeias dos inícios
à mulher que é nascente de todos os lugares que são
ao milagre do sol nas florestas que são berço
aos animais confusos que nos olham espantados
com a mudez absoluta dos deuses tristes
a tudo isto que é vida casa e jornada
se curvam todas as faces das palavras possíveis.
a tudo isto que é tudo o que é e se completa
se curvam os bichos os homens e as coisas
mesmo que se quebrem os remos do sossego.
apesar das sucessivas migrações da inteligência
e do gume insano das tempestades absurdas
tudo muda sem nada mudar.
e dir-se-á hoje quando é agora.
e dir-se-á hoje quando for depois.
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