ADÃO CRUZ – MANEL

 

O meu Manel (Manel Cruz), tem mais de dois mil desenhos feitos ao longo da adolescência e também alguns poemas. Já publiquei algumas centenas de desenhos, mas todos os dias encontro mais e mais cadernos e papéis cheios deles. Vou publicando, tenham paciência.

 

(Dois poemas de Manel Cruz, na adolescência)

I

E dera a morte a esse homem que choveu

Que de imortal só restará a poesia

Esculpiu um corpo de ilusões quando morreu

Pois de palpável só a alma conhecia.

Se um dia quente nada em mim resta de eterno

Que noutros peitos como em ruas chova eu

E misturado nesse sangue de quem sente

Que me evapore para um corpo que morreu.

Mas o perfume que anuncia o desfrutar

Torna o meu peito um grande palco de canções

E aos que um dilúvio nada faz porque não sentem

Vou encharcar de minha chuva os corações.

 

II

 

Se tropeço num turbilhão de palavras

Procurando confessar o que desejo

E é bem perto dos meus sonhos

Leve o sonho todo o medo

E fique um beijo.

 

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