Maria Teresa Horta: A Palavra Insubmissa – por Carlos Pereira Martins

2025 Fevereiro 4

Maria Teresa Horta: A Palavra Insubmissa

por Carlos Pereira Martins

Maria Teresa Horta e Carlos Pereira Martins

 

Partiu Maria Teresa Horta, mas a sua mensagem, a força da sua voz e da sua escrita, não se calou. 

A voz que incendiou páginas e consciências permanecerá, livre como sempre quis ser. A poesia, essa trincheira de resistência e desejo, não se rende à morte.

Poeta da insubmissão, mulher de coragem e verbo afiado, Maria Teresa Horta desafiou o tempo e os seus dogmas. 

Das Novas Cartas Portuguesas, escritas em aliança com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, à sua vasta obra poética, a sua escrita foi um acto contínuo de rebeldia e beleza. Defendeu a liberdade com o corpo das palavras e pagou o preço da ousadia, mas nunca se vergou. 

Mulher de Abril mas também Mulher do Estado Novo, sem medo, não se escondeu dos esbirros! Nessa época, Mulher de Luta e de Resistência. Um espinho cravado fundo na ditadura.

Os seus versos trouxeram à luz o feminino reprimido, o amor sem concessões, a força do desejo sem pudor. No país onde as mulheres foram, por séculos, educadas a calar-se, a sua poesia ensinou-as a erguer-se. Num tempo em que o medo era lei, Maria Teresa Horta escreveu o que era urgente dizer.

Hoje, deixa-nos órfãos da sua presença, mas nunca do seu legado. Nas suas palavras, a pulsação da liberdade continua intacta. Que a sua poesia nos ensine, sempre, a não baixar a voz.

Dedicatória de Maria Teresa Horta ao autor

 

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