Li há poucos dias a crónica de um veterano jornalista internacional, de onde tirei uma ideia de algum modo parecida com isto (não seria exactamente com estas palavras) –os mercados sabem três coisas básicas, sabem os altos e baixos da política, os passos e retrocessos, como são terríveis para as empresas, como dificultam planificações, investimentos, contractos, dos proteccionismos e recessões que lhes sucedem, como sabem de tudo isto por terem memória– que, aparentemente, ‘é uma mercadoria rara na Casa Branca’.
Confesso mais uma vez que a noção de recessão já me acompanhou algumas vezes, principalmente quando uns senhores que raramente se enganavam ou teriam dúvidas, me ficaram com uns trocos que hoje me fazem muita falta, principalmente a partir do meio do mês.
Mas o mesmo cronista ainda adiantava, por causa de umas tarifas para a China, que este país não era Mónaco –Se ela, em autodefesa, começar a vender as enormes reservas de dólares americanos que mantém no seu banco central, poderá levar à falência dos Estados Unidos. Isto também é sobre póquer. Vamos ver quem consegue resistir ao ataque sem vacilar– e copiei a frase para não me confundir.
Começo também eu a compreender que as contas de somar e sumir em volta do dinheiro da reforma, não têm nada a ver com cálculos como estes, até por ter lido também num editorial do ‘Le Monde’, ‘Trump provavelmente nunca ouviu falar de Jean Cocteau, mas ele poderia fazer sua, uma citação famosa, ‘Quando os eventos nos oprimem, vamos fingir ser seus organizadores’; quando sentiu a pressão do mercado de títulos, fez uma manobra que não enganou ninguém e parou tudo, e os mercados ganharam o primeiro round’. E traduzi assim a última frase do editorialista, ‘O mais inquietante será acabar por perceber não haver qualquer estratégia, além da arrogância e narcisismo de um fulano com quarto na Casa Branca’.
Narcisismo que ficou devidamente abalado quando ‘Os gigantes financeiros ameaçaram cortar o financiamento à Casa Branca e ao Partido Republicano’, de acordo com o analista Lluís Amiguet, publicado no ‘La Vanguardia’, a que se juntaram ainda ‘Os avisos dos trabalhadores da indústria automóvel do Michigam, ao descobrirem que já estavam arcando com o peso das tarifas’, o que quer dizer a diferença existente entre Wall Street e Main Street, ou entre a rua das bolsas e a economia real, a que interessa aos trabalhadores, e que os milionários não se importam muito!
Amorim, ‘Tariftrump’
‘Le Monde’,25.04.07
Tudo leva a crer que ‘O mundo onde a chamada globalização está chegando ao fim. Os Estados Unidos eram a força motriz desse mundo, mas foram também o motor de sua própria destruição. Mantiveram um sistema que surgiu após o fim da Segunda Guerra Mundial enquanto lhes serviu para manter a hegemonia. Fizeram os EUA e também a URSS até ela ter deixado de existir e, depois da Guerra Fria, as coisas ficaram muito mais fáceis para Washington’, escreveu no ‘Publico.es’ a professora de Ciência Política Ruth Ferrero-Turrión.
Voltando ainda ao analista Lluís Amiguet, ‘Temos visto repetidamente que, quanto mais fácil é transportar pessoas e mercadorias ao redor do mundo, menos pobres nos tornamos. E esses dias mostraram que esse fluxo livre tirou milhões de pessoas da pobreza, e para sempre, porque agora sabemos que não há como voltar atrás’.
E o da gravata e apaniguados acreditarão nisso?
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor
[…]um marionete que dança ao som das grandes corporaçõeas internacionais, em grande proporção estadunidenses. O truque todo é, distraindo, destruir as ditas democracias e […]
[…]um marionete que dança ao som das grandes corporaçõeas internacionais, em grande proporção estadunidenses. O truque todo é, distraindo, destruir as ditas democracias e […]
https://gustavohorta.wordpress.com/2025/04/16/doido-bobalhao-idiota-na-na-ni-na-nao/
Estou consigo!
A.O.