O Mistério do Papel Higiénico: Uma Análise (Semi) Científica do Comportamento Humano durante o Apagão! – Carlos Pereira Martins

O Mistério do Papel Higiénico: Uma Análise (Semi) Científica do Comportamento Humano durante o Apagão!

por Carlos Pereira Martins

Foi uma pergunta que encarei, de início, mal dirigida a mim que me fez uma minha ex Colega de liceu, que me levou a reflectir um pouco mais a sério, mais a brincar, sobre este assunto.

E, na verdade, eu reflito agarrado ao computador ou a uma folha de papel A4 que depois passo ao computador.

Assim aconteceu agora.

 

O Mistério do Papel Higiénico: Uma Análise (Semi) Científica do Comportamento Humano Durante o Apagão

No dia do apagão, quando as luzes se apagaram, os ecrãs ficaram pretos e o micro-ondas deixou de aquecer as lasanhas congeladas, muita gente reagiu com o instinto mais primitivo do ser humano moderno: correr para o supermercado. Até aqui, tudo bem. Mas aos meus olhos e de muitas mais pessoas, pareceu tratar-se de um mistério: por que motivo, entre tudo o que se podia comprar – comida enlatada, lanternas, baterias, água – foi o papel higiénico o produto mais procurado?

Seria um protesto silencioso contra a civilização moderna? Uma homenagem simbólica à fragilidade do nosso conforto? Não. A explicação está algures entre a psicologia de massas, o medo irracional e… também, o intestino humano.

O Efeito de Contágio Social

Quando vemos outras pessoas a fazerem algo em pânico, tendemos a imitá-las, mesmo que não percebamos porquê. Chama-se a isto comportamento de manada. Se três pessoas saem do supermercado com carrinhos cheios de papel higiénico, o cérebro dos restantes interpreta: “Atenção, há algo que eu não sei. Melhor levar também, não vá o diabo tecê-las.” Ninguém quer ser o único a ficar sem folhas quando o mundo parece estar a ruir.

A Ilusão de Controlo

Num momento de crise – como um apagão nacional ou internacional – as pessoas sentem que estão a perder o controlo. Comprar papel higiénico em quantidades bíblicas, diga-se, dá uma sensação reconfortante de preparação. Podemos não ter energia, internet ou telemóvel, mas pelo menos sabemos que, aconteça o que acontecer, estamos prontos para enfrentar… uma situação de medo exacerbado e repentino!

Medo do Desconhecido  e Instinto de Sobrevivência

Apesar de não haver nenhuma relação directa entre falta de eletricidade e colapsos intestinais colectivos, o cérebro humano associa “crise” a “isolamento”, e daí a “não sei quando volto a sair de casa”. O raciocínio quase sempre inconsciente é simples: se tiver que ficar em casa durante dias, o que é absolutamente essencial? Alimento? Água? Sim. Mas sem papel higiénico… é que não dá.

Humor e trauma da Pandemia

Convém lembrar que muitos de nós ainda temos memórias frescas da pandemia, em que o papel higiénico também desapareceu misteriosamente das prateleiras. Parece que ficou registado no nosso DNA recente:  temos um comando inconsciente que nos diz “Em caso de emergência, corre ao supermercado e traz rolos.”

Em resumo, o frenesim do papel higiénico é uma mistura fascinante de psicologia social, medo irracional e uma pitada de trauma colectivo. Talvez nunca saibamos ao certo porquê, mas uma coisa é certa: nos momentos de escuridão – literal e metafórica – o ser humano agarra-se ao que pode. E, pelos vistos, ao papel higiénico.

(Direitos reservados)

 

 

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