O POVO É QUEM MAIS ORDENA por Luísa Lobão Moniz

 

No dia 25 de Abril de 1974, o povo saiu à rua e entre várias palavras de Ordem ouvia-se “Eleições Livres”, e assim foi. No programa do MFA estava consignado o direito a Eleições Livres por sufrágio universal, direto e secreto.

Em Abril de 1975, as primeiras eleições livres foram um facto importante na concretização da Democracia, após 40 anos de ditadura.

O Povo Português, mais de 90%, homens e mulheres, saiu à rua para ir votar com a alegria imensa de participarem no destino do país que reclamava o fim da guerra colonial,

Com a Constituição de 1976, que veio substituir a do Estado Novo de 1933, já em vigor, o processo de Democratização do país avançou com eleições para outros órgão de soberania nacionais e regionais. Estava assim cumprido um dos direitos consignados no Programa do MFA, também conhecido como o Movimento dos Capitães.

Os Portugueses e Portuguesas, maiores de 18 anos, puderam votar pela primeira vez em eleições, podendo escolher livremente entre os partidos políticos que se apresentavam ao escrutínio popular.

Das primeiras eleições livres foram eleitos:

Mário Soares PS, Francisco Sá Carneiro PPD, Álvaro Cunhal PCP, Diogo Freitas do Amaral CDS, Pereira de Moura MDP/CDE, Manuel Serra FSP, Afonso de Barros MES, João Pulido Valente UDP, Diamantino Ferreira ADIM ( Associação de defesa dos interesses de Macau)

Apenas o CDS votou contra a Constituição da República Portuguesa de 1976.

O ambiente revolucionário da época tomou forma de letra no texto da Constituição que tinha como objetivos principais a transição para o socialismo, o poder dado às classes trabalhadoras e a apropriação coletiva dos principais meios de produção.

A Constituição de 1976 consagra ainda os direitos e deveres fundamentais de uma democracia: o princípio de igualdade, a liberdade de expressão do pensamento, a liberdade de imprensa, a liberdade religiosa, direitos laborais, sociais e culturais e e reconhecia aos arquipélagos da Madeira e dos Açores o estatuto de autonomia.

Deu-se a queda do Governo da coligação entre o PSD, o CDS e o PM devido ao número de votos contra uma moção de confiança apresentada pelo Primeiro Ministro. O Presidente da República decretou eleições antecipadas a realizar-se no dia 18 de Maio de 2025.

Os partidos representados na A.R., PSD, CDS, PS, Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda, Livre, PAN, Chega, CDU, fizeram uma campanha eleitoral politicamente pobre, centrando-se mais nos presidentes dos partidos do que nos seus programas eleitorais, demagogia e populismo foram as vedetas da campanha. O Povo coloca livremente o seu voto na urna, mas não escolhe livremente porque não foi devidamente elucidado sobre os programas dos partidos. Vai votar, de uma maneira geral, no partido que melhor souber seduzir os indecisos com promessas não concretizáveis, com intensa propaganda governamental. O que sabemos nós da posição de Portugal em relação às guerras, às normas de segurança do país, do efeito das tarifas impostas por Trump, da defesa das mulheres e das crianças maltratadas e quantas vezes abusadas sexualmente, do aumento da mortalidade das crianças, da falta de médicos, das contratações feitas a médicos tarefeiros, à educação, à falta de professores, aos prejuízos provocados pelo apagão, do problema da habitação, dos cada vez mais sem abrigo, quais os critérios para legalizar quem está ainda ilegal no nosso país, como combater a extrema direita?

O que se ouvia na rádio durante o período da consolidação da democracia em Portugal, porquê esquecê-lo?

DESTA VEZ É QUE É DE VEZ

O povo é quem mais ordena

O povo é quem mais trabalha

Desta vez é que é de vez

Agora é que já não falha

Socialismo português

Revolução num país novo

Liberdade para viver

Pelo pão, pela paz, pelo povo

Vamos todos trabalhar

Vamos todos sem exceção

Cantar, viver, lutar

E fazer a Revolução

O povo é quem mais trabalha

Desta vez é que é de vez

E desta vez é que já não falha

No mês de Abril vencemos nós

E agora todo o mundo vai ouvir a nossa voz

No mês de Maio o sol virá

A vitória em Portugal é do povo e do MFA

Pela Revolução

Somos um país novo

Somos a liberdade

Somos suor e povo

Somos campo e cidade

Com a reforma agrária

Com a educação

Pela independência

Pela paz, pelo pão

Pelo nosso futuro

Pela revolução

Povo de abril e sangue

Povo trabalhador

Povo primeiro de Maio

Dia libertador

Com a reforma agrária

Com a educação

Pela independência

Pela paz, pelo pão

Pelo nosso futuro

Pela revolução

Porque esquecer o que traduziu sem igual a alegria de viver num país libertado e com esperança num mundo melhor?

Nas eleições podemos mudar para uma sociedade melhor.

Votar é um direito e um dever exercidos com alegria, porque é preciso dar um jeito…

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