EDELWEISS
por Eva Cruz
Alguns finais de tarde da minha semana são ocupados com uma aulinha de Alemão dada ao meu neto mais velho, já formado e a trabalhar, mas que decidiu aprender com a avó mais uma língua, coisa muito útil nos tempos que correm. São momentos deliciosos, porque é sempre uma ternura estar com os netos, e neste caso, muito especialmente, por ser uma revisitação do meu passado de professora, tempos em que a vida se me oferecia como um jardim.
Calhou, nesta tarde de hoje, termos por base de trabalho um texto, por sinal muito lindo, sobre a Primavera. Tudo se transforma, a limpidez do céu, a pureza do ar e as belíssimas metamorfoses da floresta. As árvores, as bétulas, as faias, os carvalhos, tudo reverdece. E a vida ganha outro fôlego e movimento no correr dos veados e das corças, no deambular das raposas e javalis, no desabrochar das flores de todas as cores e matizes. Especialmente nos Alpes, os Alpes austríacos ou suíços, a que se refere o texto que estamos a analisar, onde crescem as flores raras do degelo, como as roxas gencianas e a lendária flor Edelweiss (branco nobre). Edelweiss é uma flor pequenina, muito delicada, de um branco de neve e já muito rara. Há muitas lendas ligadas à Edelweiss, sobretudo de carácter romântico como um talismã de amor, em que só um amor muito forte pode levar o rapaz a subir a paisagem agreste e perigosa dos Alpes para colher a florinha de Edelweiss para a sua amada. Era também usada como símbolo de resistência à ocupação nazi. Foi esta flor que deu origem à bela canção “Edelweiss, Edelweiss” do filme “Sounds of Music”(Música no Coração), cantada por Julie Andrews.
Ao tentar explicar ao meu neto de que flor se tratava, lembrei-me de que tinha uma flor de Edelweiss dentro de uma medalhinha de vidro, comprada numa festa de flores junto a um dos muitos lagos da Áustria, há muitos anos, quando tínhamos por gosto viajar de carro por essa Europa fora, à deriva, sempre à deriva. E que belas recordações tais aventuras nos deixaram!
Ofereci essa pequenina relíquia ao meu neto, para juntar a outras que a avó já lhe oferecera, aproveitando a letra da canção para lhe ensinar mais algumas lindas palavras de Alemão. Ambos cantámos a bela Edelweiss, a culminar uma aula gira, como disse o meu neto, e como disseram em tempos muitos dos meus alunos quando se lhes espelhava no rosto a alegria de a cantarem.

