SINAL ABERTO
O laxante do “Zé”
por Soares Novais
(Imagem gerada por IA – pixlr.com)
A cena aconteceu há dias na minha cidade. Ao virar uma das esquinas da “Rodrigues de Freitas”, que é uma das avenidas mais bonitas do Porto. Recheada de frondosas árvores centenárias e de palacetes, como o do Braguinha, que alberga “Belas Artes”, desde 1937.
(staging.cultura.cm-porto.pt)
Junto ao edifício da Biblioteca Municipal do Porto, dou de caras com um velho conhecido. Abraçamo-nos afectuosamente. Com a cumplicidade de quem já não se topa há muito. Ficámos, então, por ali à conversa. Durante largos minutos.
A dada altura, falámos sobre o estado da nação e das escolhas eleitorais da malta. Dou-lhe a conhecer a minha mágoa pelos resultados eleitorais e sou surpreendido pela resposta do meu interlocutor, um pintor autodidata, como ele próprio se define: – Meu caro, pela primeira vez em 50 anos fui votar. Para me livrar da prisão de ventre… Olha, não tenho problema nenhum em o dizer: votei no Chega.
Fiz um sorriso amarelo. Estendi-lhe a mão direita e saí de cena. Já em casa, refeito da murraça, considerei-me um privilegiado por ter conhecido um assumido votante no partido que agora diz ir apresentar um governo sombra ao da chamada Aliança Democrática.





Soares Novais