REFLEXÃO sobre a Verdade, o Carácter e a Dignidade – por Adão Cruz

REFLEXÃO sobre a Verdade, o Carácter e a Dignidade

por Adão Cruz

Para mim, o Pensamento e a Razão são as duas maiores riquezas do ser humano. Ser capaz de parar para pensar é um enorme privilégio. Eu tenho um escrupuloso respeito pelo pensamento dos outros, quando racional e honesto. Acredito que todos nós, aqueles que nunca se venderam a nada nem a ninguém, procuram honestamente, de uma forma ou de outra, não viver fora do caminho e da procura da Verdade. Há, para mim, algumas verdades que a reflexão profunda e séria de uma vida inteira tornaram irrefutáveis. Mas são minhas, e de modo algum eu pretendo impô-las a quem quer que seja. Uma delas é a convicção de que o conhecimento e a cultura são os mais seguros agentes contra a mentira, e os mais poderosos factores de desenvolvimento da consciência social e da solidariedade entre os povos. Outra verdade, no meu entender, é o papel nefasto dos obscurantismos, quer políticos quer sociais ou religiosos, arrastando consigo a secundarização do conhecimento e a irracionalidade, dois dos grandes inimigos da Verdade. Uma terceira convicção, quanto a mim, é que a desinformação generalizada é hoje imposta ao mundo de forma avassaladora pelas forças que o dominam, transformando a consciência e a inconsciência das pessoas numa gelatinosa certeza de que não há maior verdade do que a mentira.

O Carácter é um conjunto de traços de ética e honestidade que definem o modo de agir e pensar de uma pessoa. O Carácter revela-se nas atitudes do dia a dia, na seriedade, na autenticidade, na repulsa da mentira, na consciência do que se adquiriu honestamente como Verdade, no respeito pelo próximo e na coerência entre palavras e acções. Sem se confundir com a Personalidade, mais individualizada e susceptível de ser influenciada por factores externos, o Carácter, moldado por experiências e decisões desde que nascemos, reflecte os valores mais profundos do indivíduo. Edificado ao longo da vida, o que consideramos o bom carácter é o único alicerce seguro na construção das relações saudáveis e da convivência justa entre os povos e a sociedade em geral.

A Dignidade é um valor fundamental que deveria residir como essência evolucionista na natureza do coração humano, mas que, infelizmente, parece dissolver-se progressivamente no amplo mar da indignidade político-social dos poderes corruptos.  A Dignidade está intimamente ligada à ideia de respeito por si próprio e pelos outros, à liberdade e reconhecimento do valor intrínseco de cada pessoa, independentemente de sua origem, condição social, crença ou qualquer outra característica. O que não quer dizer, que ao respeitar o crente, sejamos obrigados a respeitar a crença. São coisas muito diferentes. Nenhum de nós é santo, e temos de reconhecer que vivemos numa sociedade onde muitas vezes a Dignidade humana, própria e dos outros, é violada de maneira subtil ou explícita, quando deixamos de nortear as nossas acções, valorizações e escolhas quotidianas por princípios éticos. Pondo de lado os criminosos monstros de hoje e da História, quando uma pessoa é discriminada, desrespeitada, excluída de integração, do acesso à saúde, educação, habitação ou trabalho digno, a sua dignidade, como a mais nobre essência do ser humano, é ferida, por vezes de morte. O mundo de hoje atravessa um infindo deserto de desumanidade e barbárie, mas qualquer pessoa de bom carácter procura resistir natural e normalmente em favor do respeito pela dignidade dos outros. Contra tudo e contra todos, por mais voltas e reviravoltas que o mundo dê, a Verdade, o Carácter e a Dignidade continuam a ser os mais nobres sentimentos de convivência ética, justa e saudável da humanidade.

Quadro de Adão Cruz

 

 

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