Uri Misgav e Gideon Levy, são dois jornalistas da “Haaretz”, um diário israelita com uma linha editorial bem crítica com o governo de Netanyahu, publicado em hebraico, mas com edições online; no passado dia 25, Misgav escrevia assim, ‘Adultos e bebés estão a morrer de fome em Gaza. Muitos outros, desnutridos ou à beira da morte. É a isso que chegamos. O círculo se fecha. Somos parte de um crime de proporções históricas, que não pode ser sanado. Em todos os lugares, perguntarão a nós e aos nossos filhos: onde estavam vocês e o que faziam quando a luta passou de uma guerra defensiva, iniciada como resposta legítima a uma invasão bárbara, para uma campanha de vingança selvagem e sistemática contra o povo de Gaza?’
Por seu lado, e no mesmo dia, Levy ‘informava’, ‘O gangue israelita ‘Riviera em Gaza’ é formado por jihadistas judeus. O plano de Israel para a limpeza étnica da Faixa de Gaza avança a todo vapor, talvez até melhor do que o esperado. Além dos avanços significativos em termos de matança e destruição sistemática já registrados, os últimos dias testemunharam mais um feito crucial: a fome deliberada começou a dar resultados’.
Aquele dia 25 de Julho foi fértil em notícias sobre Gaza, e aqui deixo alguns títulos e subtítulos:
‘Le Monde’ – ‘A ONU acusa Israel de matar mais de 1.000 pessoas durante distribuição de ajuda em dois meses’.
O exército israelita é acusado de as matar a tiro, perto de locais administrados pela Fundação Humanitária de Gaza. Com a situação a piorar após 21 meses de guerra, a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que ‘todas as opções permanecem em aberto se Israel não cumprir as suas promessas’.
‘Diario16’ – ‘Israel impõe censura radical e fornece apenas desinformação ao mundo ocidental’.
Agência da ONU para Refugiados da Palestina (UNRWA) relançou um apelo urgente para que a media internacional tenha permissão para entrar na Faixa de Gaza, actualmente fechada à imprensa estrangeira. ‘650 dias de atrocidades contra civis sem a presença da imprensa internacional. Mais de 200 jornalistas palestinos foram mortos’ denunciou a agência no X.
‘Publico.es’ – ‘Quase 90% de Gaza está sob ordens de deslocamento ou controle militar israelita’.
87,8% da Faixa de Gaza está sob ordens de deslocamento forçado ou foi convertida em uma área militarizada para o exército israelita, e ‘Isso deixa 2,1 milhões de civis espremidos em 12% da Faixa de Gaza, onde serviços essenciais entraram em colapso’. A agência da ONU recalculou o controle de Israel sobre Gaza, depois de os militares ordenarem no domingo, a evacuação forçada de Deir al-Balah (centro de Gaza), que nunca havia lançado uma operação terrestre nesta cidade, e se tinha tornado um foco de deslocados e um importante centro de operações para muitas organizações internacionais.
Catherine Russell, Directora Executiva da UNICEF, ‘Ladrões de Bicicletas’ – ‘Nos últimos 21 meses, mais de 17 mil crianças foram mortas e 33 mil ficaram feridas em Gaza. Uma média de 28 crianças foram mortas por dia, o equivalente a uma sala de aula inteira. Pensem nisto por um momento… uma sala de aula inteira de crianças mortas todos os dias durante quase dois anos. Estas crianças não são combatentes, estão a ser mortas e mutiladas enquanto fazem fila para receber alimentos e medicamentos que lhes salvam a vida.
Manel Fontdevilla, ‘Morrem de fome’
‘Diario.es’, 25.07.25



