O escritor e professor Carlos Fortea, especialista em geopolítica, é um dos meus cronistas preferidos e, quando o encontro nas minhas peregrinações pelas páginas dos jornais que vou conseguindo ler, ganho sempre alguma coisa, tanto a nível do conhecimento como do modo de ver e analisar um qualquer acontecimento.
Na sua última crónica, subordinada ao título ‘Um mau presságio’, Fortea escreve em subtítulo, ‘A Europa não só perdeu a oportunidade de demonstrar que é um gigante económico, como também deixou aqueles que agora deveriam ser seus aliados naturais, sozinhos no confronto com Trump’, justificando esta afirmação com o argumento de que a geração dele, (Madrid,1963), cresceu rodeada pelo velho ditado de a Europa ser um gigante económico, mas um anão político, o mesmo que esteve num campo de golf da Escócia, ‘para se vergar às imposições de um sátrapa caprichoso’.
No mesmo periódico, Victor Moreno, Secretário da Conferência de Ministros de Justicia de Países Ibero-Americanos, e com um título sugestivo ‘Oh, Europa, Europa!’, escreve um artigo demolidor, de onde saliento, ‘A UE é uma farsa de União. Não só abaixa a cabeça diante do ataque tarifário do vigarista americano, como também não consegue enfrentar Israel, permitindo que continue seu genocídio premeditado e hediondo. Hoje, o mal é chamado de genocídio palestino, e Trump, é seu endossador carniceiro’.
Se juntarmos as afirmações destes dois artigos, não há qualquer dúvida de poderão ser encarados um mau presságio de tudo aquilo que também nos pode acontecer, se dermos atenção à panorâmica geopolítica mundial, incluindo actores principais e secundários, porque, na minha opinião, se estão a repetir os mesmos cenários do princípio dos anos trinta do século passado, como poderão confirmar todos aqueles que ainda gostam de ler, e para quem a História é a base de todas aquelas disciplinas ‘chatas de ler’ das Humanidades, que alguém se tem encarregado de ir banindo do ensino em português.
Talvez fosse conveniente lembrar a quem tem por função cuidar do bem-estar de todos nós, que numa aliança militar, todos os que a lideram, joguem ou não golf ou façam complicadas e secretas consultorias, têm o dever a obrigação de zelar pela dignidade e interesses particulares, sociais e económicos de todos os atingidos pelo tal zelo, eventualmente menosprezados por outros bem mais poderosos, dentro ou fora das nossas raias, porque o que vai para as armas, nunca vai para pensões, assistência social, salários mínimos e muito menos para livros e cultura.
William I. Robinson, professor de Sociologia e Estudos Globais e Internacionais na Universidade da Califórnia-Santa Bárbara, escreveu no passado dia 25 de Julho, ‘No dia seguinte à vitória eleitoral de Trump, o preço das acções da Corrections Corporation of America, a maior proprietária de prisões e centros de detenção de imigrantes nos Estados Unidos, disparou 40%. Deve ter-se em atenção que estes números são de 2016, mas dá uma ideia de como o mundo dos negócios opera quando alguém como Trump chega ao poder’.
Tenho uma sensação de que todas estas grandezas, só poderão ser abaladas por ‘pequenas iniciativas’, de seres que até já não vemos como se viam naqueles anos trinta!
Flavita Banana, ‘Pequenas iniciativas’
‘El País’, 13.07.25
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor



