FRASES (QUASE) SOLTAS
as estantes enlouquecem com o rumor dos livros por abrir.
lêem-se bulas de medicamentos e instruções de máquinas de lavar
e basta.
não damos conta, mas repetimos o ritmo da nossa queda
quando decidimos ser, apenas, humanos sentados no tempo.
ficou vulgar esta mediocridade que aceitamos sem hesitar.
os pardais. ainda os pardais. quanta da sua ingénua alegria
continuamos a estragar com crepúsculos insanos de pólvora?
a ingratidão escorre nas telas desta civilização
e danifica a inteligência. os antepassados não nos dão lições.
a extinção de tudo o que mexe é um fado que já começou.
os artistas, os poetas e os simples estão a perder a boca.
passo a passo, dão-se grandes passos na destruição desastrada do planeta.
mas, talvez antes disso, nos suicidemos, passo a passo, com bombas e estupidez.
ou, talvez ainda antes, a casa nos caia em cima.
se assim for, talvez não fique a mínima prova de que, alguma vez, tenhamos existido.
mil ou milhões de anos depois, alguém terá curiosidade para quebrar o rumor de um livro novo por abrir.
homo sapiens poderá ser, então, o nome de um bicho, de uma coisa estranha, de um acidente.
mas já o é.



Artigo interessante, uma profunda analogia . Da uma sensação de que ainda há pessoas lúcidas e inteligentes.
Tenho esperança de que a humanidade reconheça estes factos.
E pare esta loucura.
Obrigada por compartilhar.🥰