ANTES MORRER QUE CEDER por Luísa Lobão Moniz

 

Na minha última reflexão senti que a palavra que mais se ouvia desde 2023 era a palavra guerra, continuei a estar atenta e verifico que a palavra medo é também referida ou sugerida com alguma frequência, ora, evidentemente, que esta percepção é muito subjectiva e apenas sustentada por alguma sensibilidade à escuta de como as pessoas reagem às realidades que as rodeiam, ou às realidades em que estão mergulhadas.

A guerra não é uma emoção nem um sentimento, mas um dos medos que podemos que poderemos vivenciar, é uma das emoções mais básicas do Ser Humano.

O medo é uma emoção que surge ligada à sobrevivência, pois aparece em situações ameaçadoras para o Ser Humano.. só há duas alternativas para enfrentar o medo que são a fuga ou a luta.

Estou no Folio, em Óbidos, e assisti a uma mesa cujo o tema era O medo das Fronteiras. Nesta mesa estavam Domingues Abrantes, Conceição Matos, Isabel do Carmo, entre outros, todos lutadores pela Liberdade e pela Justiça. Precisamente Domingues Abrantes falou, com muita acuidade, sobre o medo que nos pode paralisar e ficar à espera que passe ou, ter um sentimento alicerçado nas nossas convicções, nos nossos ideais e na certeza que não estamos sozinhos, que o nosso grupo de pertença continua a lutar, não só para nos libertar do caminho que nos querem impor, o da fuga à ameaça, enquanto continua a lutar pela mesma causa Antes morrer do que ceder!

As emoções nascem com o Ser Humano: como a alegria, a tristeza, a raiva e o Medo, entre outras. Cabe a cada Ser Humano ter a sabedoria suficiente para escolher o sentimento pelo qual quer exprimir as suas emoções.

O medo vive para quebrar ou manter fronteiras: a luta ou a fuga.

São muitos os medos que nos acompanham durante as nossas vidas, e as vidas que nos darão continuidade irão estabelecer, ou não, novas fronteiras geográficas, sociais e entre ideologias para que as fronteiras sejam motivo de afastamento dos povos, mas não dos poderosos que dominarão o mundo através, não de sentimentos ou emoções, mas de novas tecnologias que não deixarão espaço nem tempo para Era uma vez…

Continuo a acreditar que o maior inimigo do medo não são as armas de guerra, mas armas do conhecimento adquirido pelos povos. Assistimos a uma vaga, não de mar, mas de palavras de ódio que colhem frutos perante pessoas pouco escolarizadas, com pouco poder económico.

Há cada vez mais pobres, mais desalojados, mais ignorantes, mais ditadores que através de discursos de ódio, de salvadores dos mais frágeis conseguem convencer os eleitorados a votar na extrema direita, que, como sabemos, é ágil em destruir e matar tudo o que for diferente.

E se eu for o diferente?

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