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Versão atualizada em 31/10/2025, 14:15 h
Nota prévia:
Para algum leitor que possa duvidar da validade dos meus pontos de vista quanto ao subjacente da campanha de amanhã, dos meus pontos de vista quanto às intenções da campanha governamental de amanhã e anos seguintes sobre o Dia da Poupança – a capitalização privada dos ambicionados dinheiros das pensões de reforma, velho mantra do neoliberalismo – gostaria de assinalar o seguinte.
Em conversa com pessoa amiga perguntei-lhe se tinha presente um artigo que eu tinha discutido com ela sobre o historial de Maria Luis Albuquerque aquando da sua nomeação para a Comissão Europeia. Disse-me que não, que já não tinha esse artigo. Enquanto eu concluía a revisão final do presente texto procurou, procurou e encontrou um outro artigo publicado pelo portal SAPO que confirma a minha posição e do qual inseri uma longa citação a seguir ao parágrafo que faz referência à “senhora swap, a cara da troika” como foi então caracterizada pelas jornalistas Liliana Borges e Rafaela B. Relvas em artigo no jornal Público de 28/08/2024. Vale a pena lê-la.
JMota
Notas soltas sobre a música desafinada que nos é cantada pelos filhos bastardos de Hayek
Hoje 31 de Outubro, dia mundial da poupança.
Coimbra, em 31 de Outubro de 2025
Tenho estado a divulgar textos sobre os filhos bastardos de Hayek e o exemplo escolhido foi Javier Milei e Trump, ou melhor, sobre Milei e a relação entre estes dois políticos. Diremos que quarenta milhares de milhões para suster o valor do peso ainda valem alguma coisa. Publicaremos no fim da série um texto de um importante economista argentino, de linha marxista, sobre muito do que esteve em jogo para esta vitória, um texto publicado na véspera das eleições.
Contra todas as expectativas Milei ontem ganhou e, na minha opinião, o povo argentino perdeu e para mais de uma década deste futuro próximo.
Neste entretempo estive a trabalhar sobre um texto de Christopher Newfield intitulado
As Universidades após o neoliberalismo: Uma história de quatro futuros
onde o autor debate longamente sobre o declínio das Universidades, declínio esse que é, segundo ele, endógeno ao capitalismo de hoje. Nesse sentido diz-nos [que o futuro imediato das Universidades] poderia ser chamado de Declínio Fragmentado – resultado da combinação de privatização, (…) substituindo a deliberação democrática pela gestão tipo empresarial na função publica, nas Universidades. Este é o caminho do “tudo como de costume”: a narrativa sem alegria do “declínio anunciado” que se tem vindo a realizar.
As condições para esse futuro já existiam anteriormente, mas foram consolidadas pelas políticas e pelas respostas administrativas frágeis da década de 2010, um período que registou aumentos consideráveis tanto na privatização como no controle da gestão privada nas universidades britânicas. No Reino Unido, David Willetts [ministro de Estado para as Universidades e a Ciência entre 2010 e 2014] e o governo da Coligação cortaram o financiamento central e substituíram-no por taxas sustentadas por empréstimos estudantis, e com isso geraram uma explosão da dívida estudantil. Ao mesmo tempo, aumentou também a lógica das auditorias e do controle direto sobre o ensino e a investigação, o que é sinalizado por uma proliferação de indicadores, em especial o Teaching Excellence Framework (TEF) e o Longitudinal Educational Outcomes (LEO).
Esses indicadores são, em geral, considerados pelos profissionais como profundamente errados – tanto como medidas da qualidade do ensino como da quantidade de aprendizagem. Como técnicas de conformidade induzida, por outro lado, têm sido altamente bem-sucedidos. Como medida, o LEO simplesmente correlaciona o rendimento atual de um ex-aluno com o curso que ele fez no passado. Não há nenhuma base científica para afirmar que a participação no curso gerou esses rendimentos; mais fundamentalmente, o rendimento é um efeito de como o mercado de trabalho remunera as ocupações, e não da instrução universitária, portanto, o que está a medir é simplesmente algo diferente do que o seu nome sugere, e, ainda assim, tal como o TEF, o LEO estendeu a possibilidade de classificação e estratificação entre universidades, forçou os novos “perdedores” a esforçarem-se para aumentar os tipos de funções e comportamentos pelos quais os indicadores selecionam, e aumentou a autoridade do governo para dizer ao setor o que fazer. (Nota 4). Os principais resultados têm sido a fragmentação dos objetivos do setor, o aumento da desigualdade de recursos, maior pobreza para as instituições mais propensas a educar os estudantes mais pobres do país e estudantes negros, e a redução dos recursos educativos líquidos para a maioria, se não para todas, as universidades. O declínio fragmentado é um futuro que já conhecemos bem. (…)
“ Na nossa condição fragmentada e estratificada de referência do futuro, o sistema universitário cria um “cognotariado, ou seja, ”um sistema de trabalhadores com elevado nível de formação e com condições de trabalho altamente precárias. O sistema universitário uberiza o trabalho do conhecimento. A própria universidade foi pioneira na precariedade económica dos profissionais por meio do sistema de docentes temporários, que agora formam a maioria dos docentes universitários. Ela forma pessoas altamente qualificadas e vincula essas altas qualificações a salários médios — e frequentemente precários. A universidade restringe direitos, como pensões e assistência médica, a trabalhadores de colarinho branco especialmente formados e credenciados, em vez de distribuí-los amplamente como sinal de prosperidade. Se a terceirização internacional (offshoring) rompeu o acordo entre salário e produtividade para os trabalhadores da indústria, o ensino superior ajudou a romper esse acordo para os trabalhadores de colarinho branco. Ele (o sistema universitário) aceitou o domínio económico sobre as escolhas políticas, promoveu a competição por posições privilegiadas e escassas, em vez de uma distribuição igualitária dos recursos educacionais, e estratificou a qualidade da educação. Fala-se muito hoje a economia gig, a economia da precariedade extrema, dos pequenos biscates, Uma das condições que a torna possível é a “academia dos pequenos biscates”, a “academia gig”. Fim de citação “.
Trata-se de um texto profundo onde se mostra a degradação do ensino da Universidade contra a qual não ouvi do ministro até agora nenhuma palavra e penso que em vez de andar na propaganda política, prestando um mau serviço ao sistema educativo português, era muito bom que pensasse bem na missão da Universidade .
Depois de rever o trabalho de Christopher Newfield abri o jornal, o Público. Ao ler o jornal vejo um artigo de Barbara Reis com o sugestivo título
E se deixássemos de ensinar gramática?
Sou velho, já tenho dificuldade em ler as letras miudinhas do Público, sobretudo depois do almoço, não por causa de copos que não bebo, mas porque a impressão do jornal é digitalizada e com a luz do dia as letras ainda perdem contraste. Procurei o artigo na Internet, mas não consegui ter acesso ao artigo, o que me levou a pedir a pessoa amiga com assinatura do jornal que mo arranjasse. O que aconteceu. Mas com essa busca na Internet deparei-me com artigos vários sobre a máquina de propaganda que o Governo de Montenegro estava a preparar para o dia da poupança, 31 de outubro.
Uma notícia do Público, no Observador, uma notícia no site Sapo, intervenções de figuras deste país, filhos bastardos ou não de Hayek, era o que li, o que vi, o que ouvi, mas com os diabos que tem isto a ver com a Argentina de Milei e de Trump? Digo bem, que tem isto a ver com a Argentina de Milei e de Trump? Muito e é isso que vamos ver.
Por volta de 2010-2012 organizámos na FEUC uma sessão debate sobre a crise da Argentina de 1998-2002, organizámos uma coletânea de textos sobre essa crise, projetámos o filme Memória de um Saque realizado por Fernando Solanas, organizámos um debate. Lamentavelmente tudo isso ficou apagado no registo organizado na FEUC, nos tempos da direção de .Álvaro Garrido, Pedro Godinho e Hélder Costa. Não foi culpa de ninguém. O servidor foi desativado, toda a gente foi avisada da sua extinção, todos menos aqueles que organizaram aqueles registos. O filme Memória de um Saque era a análise de um saque ao povo argentino, à sua riqueza, um saque organizado pelo FMI, à frente do qual estava Camdessus, e pela grande burguesia argentina à frente da qual estaria o peronista Carlos Menem e Fernando de la Rua, entre outros.
O tempo passou, lembro-me do filme, mas não ao detalhe. Por isso, deixem-me refrescar a memória consultando o chatGPT . Pedi-lhe que me dê uma longa síntese do filme. Perguntei:
Faz-me um resumo alongado da importância política do filme Memória de um Saque.
A resposta do ChatGPT foi:
“Aqui vai um resumo da importância política do documentário Memória do Saque (original: *Memoria del Saqueo, Argentina, 2003/2004) dirigido por Fernando E. Solanas — e porque é que ele importa em termos de análise política, social e histórica.
- Contexto e enredo
- O filme aborda a grave crise socioeconómica da Argentina no início dos anos 2000, sobretudo o colapso que culminou nas revoltas populares de 19-20 de dezembro de 2001. memoriasdaditadura.org.br+4faed.udesc.br+4Omelete+4
- Solanas faz uma recapitulação das políticas iniciadas nos anos 1980, passando pelos governos de Raúl Alfonsín, Carlos Saúl Menem, até Fernando de la Rúa, mostrando como essas escolhas moldaram a trajetória argentina — privatizações, liberalização, endividamento, desemprego. memoriasdaditadura.org.br+2Omelete+2
- O título “saqueio” (saque) não se refere apenas a saques de rua, mas sim a “grandes saques” económicos e financeiros: saída de capitais, privatização massiva, abandono das empresas estatais, pagamento da dívida externa, etc. bdtd.ueg.br+2Omelete+2
- Importância política
a) Denúncia das políticas neoliberais
O filme funciona como crítica contundente ao modelo neoliberal argentino e seus efeitos sociais: concentração de riqueza, desemprego estrutural, aumento da miséria e destruição da classe média. Essa denúncia política é central. Omelete+1
b) Memória coletiva e responsabilização
Ao recuperar este período, o documentário fortalece a ideia de que é necessário entender o passado político-económico para questionar responsabilidades — de governos, instituições financeiras, corporações, mercados internacionais. A memória torna-se instrumento político. periodicos.uff.br+1
c) Mobilização popular e crise democrática
A dramatização das manifestações de 2001 revela uma rutura: cidadãos que saem à rua, protestam, o governo que renuncia. Há um momento de crise da democracia liberal sob o peso das políticas económicas. O filme torna esse momento visível e visceral. Filmow+1
d) Reflexão sobre soberania e modelos externos
O filme leva o espectador a questionar até que ponto as decisões políticas internas da Argentina foram pressionadas ou determinadas por organismos internacionais (como Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial) ou mercados estrangeiros, e como isso afeta a soberania do país. docverdade.blogspot.com+1
- Relevância para além da Argentina
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- O filme serve como alerta para outros países latino-americanos (e para economias emergentes em geral) sobre as armadilhas de modelos económicos que privilegiam liberalização, abertura irrestrita ao capital externo, fragilização da indústria local, austeridade e desproteção social.
- Como instrumento cultural, ele estimula o debate sobre memória histórica, justiça social, a função do Estado, e quais são os meios legítimos de resistência política.
- No plano académico e educativo, é referenciado como obra-documento que ajuda a compreender crises, neoliberalismo, globalização, e formas de luta popular.” Fim de citação
Ontem como hoje, afinal. Hoje diz-nos Matt Klein, um homem que não pode ser acusado de extremista, o seguinte, neste mês de outubro:
“Javier Milei afirma que entrou na política porque o seu cão morto lhe disse para fazê-lo, e agora depende dos cinco clones desse cachorro para receber “conselhos”. Javier fez campanha pela presidência da Argentina com uma motosserra, quer abandonar o peso e adotar o dólar americano, e acredita que os argentinos deveriam poder vender os seus órgãos.
Ainda assim, Milei acaba de ser empossado após vencer com ampla margem. Os eleitores estavam dispostos a ignorar as suas excentricidades porque estavam (com razão) desesperados por mudança. O padrão de vida é muito pouco diferente dos modos de vida de há 25 anos e caiu significativamente desde o seu pico em 2011. O peso argentino desvalorizou cerca de 99% em relação ao dólar americano desde 2016, e a inflação anual está em três dígitos. Cerca de 40% dos argentinos vivem abaixo da linha da pobreza, e 10% são considerados pobres demais para comprar a “cesta básica” de alimentos. A taxa de pobreza infantil está próxima de 60%.
A Argentina tem muitos problemas antigos, mas a questão imediata é simples: ninguém quer manter dinheiro no país. (O sublinhado é nosso, JM)
Desde meados de 2018, os argentinos transferiram em dinheiro cerca de 78 mil milhões de dólares para fora do país, enquanto investidores estrangeiros venderam 23 mil milhões de dólares em títulos da dívida argentina. Esses fluxos foram compensados em grande parte — mas não totalmente — pela liquidação das reservas internacionais da Argentina, pelo maior empréstimo já concedido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e por uma linha de swap do Banco Popular da China.” Fim de citação
A História repete-se, primeiro como tragédia e depois como farsa, diz-nos Marx, na esteira de Hegel. A história repete-se, diz-nos Hegel, quando um acontecimento historicamente importante é depois ratificado por um segundo acontecimento igualmente importante e com a mesma matriz. E o que está agora a acontecer pela mão dos bastardos de Hayek é exatamente a ratificação da crise de 1998-2002 com um segundo saque ao património da Argentina.
Mas há um dado importante na crise provocada e conduzida pelas mãos dos alunos de excelência do FMI do início do século. Foi com Menem que se deu a privatização das pensões de reforma que passaram do regime de contribuição para um regime de capitalização, isto é, os fundos de pensões passam a reger via mercados financeiros as pensões futuras de quem trabalha. E estes sistemas estoiraram com a crise de 1998-2002.
Dado o apagão dos nossos trabalhos na FEUC pedi ao ChatGPT que me relembrasse do que se passou. E este respondeu:
- Em 1994, durante o governo de Carlos Menem, a Argentina reformou o sistema previdenciário, criando um sistema misto:
- Uma parte pública (administrada pelo Estado).
- Uma parte privada, administrada pelas chamadas AFJPs (Administradoras de Fondos de Jubilaciones y Pensiones).
- Isso foi, sim, uma privatização parcial do sistema de pensões, inspirada nas reformas neoliberais da época (como a do Chile em 1981).
- O que aconteceu na crise (1998–2002):
Durante a crise económica e social que culminou em 2001–2002, o sistema privatizado foi fortemente criticado, pois:
-
- As AFJPs tiveram maus resultados
- Muitos trabalhadores perderam poupanças.
- O governo teve dificuldades em financiar as aposentadorias públicas remanescentes.
Assim, a crise enfraqueceu o modelo privatizado, mas não o criou.
- Depois da crise:
- Em 2008, durante o governo de Cristina Fernández de Kirchner, o sistema foi reestatizado: as contas das AFJPs foram transferidas de volta para o Estado, criando a Administración Nacional de la Seguridad Social (ANSES) como gestora única”. Fim de citação
Estamos a falar de poupanças, estamos a falar de reformas, estamos a falar de fundos de pensões, estamos pois a aproximar-nos do problema do dia da poupança, o dia 31 e para o qual o Administração de Montenegro mobilizou os mais conhecidos dos bastardos de Hayek que com ele trabalham. As escolas da primária, ao ciclo, ao secundário vão ser invadidos por discursos sobre a poupança, sobre a literacia financeira!
Dizem-nos os media:
“Estudantes e professores do ensino superior nas áreas da Economia, Gestão, Finanças ou Contabilidade vão no dia 31 dar uma aula sobre poupança a milhares de alunos do Ensino Básico e Secundário.
A aula sobre Literacia Financeira com enfoque no tema da poupança, no Dia Mundial da Poupança, é promovida pelo Ministério da Educação Ciência e Inovação (MECI) e acontece em todo o país em escolas públicas e privadas.
“A Literacia Financeira é cada vez mais necessária para o exercício de uma cidadania plena”, diz o MECI num comunicado sobre a iniciativa, recordando que o Governo deu prioridade ao tema, razão pela qual na reestruturação da disciplina de Cidadania, a Literacia Financeira passou a estar presente em todos os anos de escolaridade.
O Governo pretende que a iniciativa marque o início de uma colaboração continua entre as escolas e as universidades e politécnicos, no âmbito da disciplina de Cidadania, mas não só.
“Saber gerir dinheiro, compreender decisões económicas e fazer escolhas conscientes, com o olhar no futuro, são competências fundamentais para a vida adulta e em sociedade. Quanto mais cedo começarmos a desenvolvê-las, mais preparados estaremos para enfrentar os desafios do futuro e contribuir para uma sociedade mais equilibrada e sustentável“, disse citado no comunicado o ministro da Educação, Fernando Alexandre.
Entende o Governo que a iniciativa beneficia os alunos do Ensino Básico e do Secundário, as escolas, as comunidades educativas, as instituições de ensino superior, os estudantes e as organizações da sociedade civil participantes.
Entre outros benefícios, os alunos do ensino básico e secundário terão acesso a conteúdos atualizados e relevantes, as instituições de Ensino Superior terão a oportunidade de participação em projetos de educação e literacia financeira, e os estudantes universitários podem aplicar os conhecimentos adquiridos e desenvolver competências de comunicação.
A iniciativa do dia 31, “Educar para a Cidadania: Poupar, um Compromisso com o Futuro”, é feita em parceria com as Autoridades de Supervisão Financeira: o Banco de Portugal (BdP), a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões (ASF).
Nela participam também, a dar uma aula, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, o presidente da CMVM, Luís Laginha de Sousa, e o presidente da ASF, Gabriel Bernardino.” Fim de citação.
Repare-se bem nas declarações do Ministro: elas representam um claro retrocesso com a reformulação da disciplina de Cidadania, “prisoneira de amarras ideológicas” levada a cabo pelo ministro Fernando Alexandre que, por seu lado, entusiasticamente defende a introdução de literacia financeira nessa mesma disciplina e isto segundo ele “não tem nenhuma amarra ideológica“.
Há, pois, conteúdos substituídos conforme nos relata a imprensa e quanto a alguns é muita pena que seja assim, porque são conteúdos com os quais eu e muita gente concorda, outros é discutível a sua presença, e outros é discutível se em vez de os substituir não mereciam antes serem rearranjados. Não o esqueçamos, há um enorme défice de cidadania e este não se resolve com literacia financeira.
Relata-nos a imprensa:
“Os conteúdos sobre sexualidade vão desaparecer do currículo dos alunos?
O novo guião de Cidadania e Desenvolvimento, que está plasmado na nova Estratégia Nacional para a Educação para a Cidadania, retirou das aprendizagens essenciais da disciplina matérias relacionadas com a sexualidade e o bem-estar animal.
Os temas como abusos sexuais, violência de género, bem como violência contra pessoas com orientação sexual e identidade e expressão de género não normativas só são mencionados nas aprendizagens essenciais para o terceiro ciclo, no capítulo dos direitos humanos.” Fim de citação
Pelo que li na altura fiquei com uma certeza: esta seria sempre uma disciplina muito difícil de lecionar, ao exigir quadros com forte formação e estrutura intelectual, em vez de formações de baixo custo, tipo as que são fornecidas pelos cursos de curta duração que nos vêm, sobretudo, desde a reforma de Bolonha. Aqui é que devia insistir, na formação de quadros à altura da exigência de uma disciplina deste tipo, e parece mesmo que lhe estão a faltar estruturas de formação para criar estes mesmos quadros, tal é o estado calamitosos em que se encontram muitas das nossas Universidades e sobre as quais o ministro parece muito silenciosamente calado. Mas esta ideia de docência e de docentes, pressupõe dignificação da atividade docente, dignificação ao nível das remunerações, dignificação do papel da própria Escola na sociedade e, hoje, nada disto acontece e, no plano dos factos, em nada disto os filhos bastardos de Hayek, todos eles, parecem estar interessados.
A disciplina Cidadania é uma disciplina que merecia, em vez de ser agredida pelo ministro, ser muita acarinhada e tanto mais quanto são brutalmente visíveis os défices de cidadania de muita da nossa juventude. Mas não, os conteúdos problemáticos na cabeça do ministro, mas não na sociedade, são substituídos pela literacia financeira, pela ideia de umas contas a fazer. Literacia, diz o ministro? Literacia financeira quando não se sabe ler, mal se sabe escrever, mal se sabe pensar? Não consigo imaginar.
Relembro aqui o artigo de Bárbara Reis que nos conta uma curtíssima e desagradável história que passo a reproduzir :
Mas penso muitas vezes na escritora Alice Vieira, que publicou mais de 40 livros para crianças, e um dia contou que não conseguia ajudar os netos a estudar português. Parecia-lhe chinês, era o “delírio taxonómico”. Numa entrevista, ela viu o cenário do fim da leitura antes de nós: (Veja-se jornal o Público de 19/01/2009 )
“Comecei a ir às escolas há 30 anos, para apresentar o meu primeiro livro, Rosa, minha irmã Rosa, e ia falar com os alunos dos 3º e 4º anos. Agora vou, exatamente com o mesmo livro, falar a alunos dos 7º e 8º anos. Alguma coisa está mal. É assustador!” Isto, em 2009” Fim de citação.
O ministro, a estes jovens que mal sabem ler, que não sabem estar uns com os outros, como processo de socialização o senhor ministro atira-lhes para a cara com o aprender a gerir o dinheiro. E di-lo e fá-lo com jovens que mal aprenderam a fazer contas ou aprenderam-no mal, muito mal! Não seria muito melhor ensinar-lhes matemática como deve ser e desde a primária, passando pelo secundário até ao superior? Mais ainda: não seria melhor elevar o nível de leitura das nossas crianças que tão mal andam de imaginário e numa faixa etária em que um tal trabalho sobre a leitura é fundamental para o futuro, seja ele próximo seja ele longínquo, destas crianças? Claro que sim, mas o ministro Fernando Alexandre parece não se importar que não saibam ler decentemente, que não saibam escrever decentemente, que não saibam refletir decentemente e de acordo com a faixa em que se situam? Mas, não é isso que o ministro tem andado a fazer, não, o senhor ministro parece estar mais interessado em motivá-los desde crianças para os lançar nos mercados financeiros. Querer que façam contas sobre juros sem dominar decentemente as matemáticas para isso, é, simplesmente, caricato. No superior, é o caso da Economia, cortam-se as matemáticas para metade do tempo de lecionação e está tudo bem, dizem-nos, é uma grande reforma, garantem-nos. Quanto a isso, o senhor ministro não diz nada.
São os tempos modernos, os do governo, os do ministro, não os meus. É assim que se entende a afirmação do ministro que reproduzo de novo:
“Saber gerir dinheiro, compreender decisões económicas e fazer escolhas conscientes, com o olhar no futuro, são competências fundamentais para a vida adulta e em sociedade. Quanto mais cedo começarmos a desenvolvê-las, mais preparados estaremos para enfrentar os desafios do futuro e contribuir para uma sociedade mais equilibrada e sustentável” Fim de citação
Já agora quanto à iliteracia deixem-me contar uma pequena história. Nos tempos da crise dita subprime soube-se que por erro de mercado, os dinheiros de Kadhafi tinham desaparecido de um grande banco internacional. Uma aplicação financeira, um erro de mercado foi o que se disse, e os milhares de milhões foram-se! Ninguém se preocupou, foi apenas um erro de mercado. Nessa altura fiz uma experiência curiosa em Coimbra. Dirigi-me a um banco para a secção de aplicações financeiras. Disse que tinha dez mil euros para aplicar, mas que não sabia em quê. O empregado bancário saído de uma qualquer universidade deste país diz-me que tinha um produto fabuloso, um produto derivado e de bom rendimento, e de cobertura garantida. Eram aplicações backed, diz-me para me descansar. Boa, mas está-me a falar de títulos com garantia de outros produtos que, por sua vez, são garantidos por outros produtos financeiros e a cadeia pode não mais parar! É isso, perguntei eu e continuei: isso foi o que aconteceu com os CDS ( Credit Default Swaps) na crise dita de subprime que estalou em setembro de 2007 nos USA e se espalhou rapidamente pela Europa. Nessa altura, muita gente atirou com a toalha ao chão, concluí. Não sei, foi a resposta do empregado bancário. Não sabia, ele vendia o produto financeiro como numa feira se vendem tremoços ou amendoins. Mas era um diplomado, um empregado da banca com esta iliteracia financeira e esta não se tira na infância, esta tira-se nas Universidades, mas, como se vê, nem aí ela se tira, quanto mais com a Iniciativa promovida pelo Governo, e em especial, pelo ministro Fernando Alexandre.
Com o ódio às amarras ideológicas de que falava o dono da Spinumviva relativamente à disciplina de Cidadania eis que agora ele e o seu Governo nos querem prender a outras amarras ideológicas bem perigosas e estas últimas são as amarras da financeirização [1] e, como se vê na foto abaixo, isto a ser feito desde pequenino porque é de pequenino que se torce o pepino [2].
Retomemos então a campanha do dia da Poupança. É encantador olhar para esta imagem, mas veja-se o vídeo da Iniciativa aqui ou mais diretamente aqui):
Literacia Financeira na Escola Primária- 1º ciclo
Mas ouçamos alguns dos nossos filhos bastardos de Hayek (ver aqui) :
- Lucélia fala-nos no momento 6 min e 17s que o dinheiro não deve estar parado nem mesmo num banco; no momento 7min 21s fala-nos em fazer aplicações em produtos financeiros.
- Rita Torcato fala-nos em pouparmos para pagar os custos de tirar um curso superior. Poupar para tirar um curso superior? Num país de baixos rendimentos, precisar de poupar para alcançar um diploma do Ensino Superior, hoje, isso significa esperar… sentado [3].
Vejam-se ainda a intervenção de Álvaro Santos Pereira (ver aqui) onde fala da poupança da sua mesada para a compra de livros, em especial de livros internacionais, coisa que era difícil na época em que era meu aluno. Esta foi uma matéria em que o ajudei quer pelos conselhos de livros a comprar quer porque eu própria me encarreguei de pedir a amigos meus que os comprassem.
Tudo isto vem a propósito da Argentina o que parece um absurdo, mas o que vemos aqui são já injeções de difusão através dos miúdos para a canalização de poupança para os mercados financeiros: dinamizar os mercados financeiros, creem os neoliberais, é a arma revolucionária do neoliberalismo para se desembaraçarem das crises, mesmo que a História mostre até à exaustão o contrário dessas crenças: a Argentina, entre muitos outros, é um exemplo chapado disso mesmo.
O dinheiro não deve estar parado, mesmo nos bancos, dizem-nos nessa iniciativa do Dia da Poupança. Não é por a acaso que os promotores que suportam esta Iniciativa são o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, o Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, o presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e de Fundos de Pensões (ASF), Gabriel Bernardino, onde já aparecem os fundos de pensões. O que me dá a entender é que isto é já uma mentalização para a financeirização mais intensa da sociedade portuguesa e, em particular, tal qual como na Argentina, é querer abrir o caminho para se estabelecer um regime de pensões de reforma por capitalização, pelo menos, um regime misto. Por detrás disto também estará certamente a Comissária Maria Luís Albuquerque, uma mulher da Troika que as jornalistas Liliana Borges e Rafaela B. Relvas em artigo no jornal Público de 28/08/2024 caracterizam como a “senhora swap” e a cara da troika.
A este propósito pessoa amiga com quem discuti partes do presente texto e a quem falei da minha desilusão em não ter encontrado um artigo curto mas excecional de Manuel Carvalho do jornal Público, encontrou um outro que é relevante para o tema em análise pelo que insiro aqui uma longa transcriação referentes às declarações de Maria Luís Albuquerque em Copenhaga sobre pensões e mercado de capitais. O jornal eletrónico SAPO noticiava em 19 de setembro de 2025 (original aqui):
“Maria Luís Albuquerque quer pensões canalizadas para o mercado de capitais
A comissária europeia para os Serviços Financeiros e para a União da Poupança e do Investimento insistiu na passada quinta-feira na criação de mecanismos que permitam que as pensões dos reformados europeus possam ser aplicadas nos mercados de capitais, deixando a porta aberta para um futuro “fundo de pensões europeu”. Maria Luís Albuquerque falou em Copenhaga,
Segundo a responsável, “as pensões serão uma pedra angular da União da Poupança e do Investimento. Um setor de pensões complementares mais forte pode proporcionar aos cidadãos maior segurança financeira na reforma e melhores oportunidades de beneficiar do crescimento da Europa, além de canalizar poupanças de longo prazo para os mercados de capitais e para investimentos estratégicos que impulsionem a economia da União Europeia (UE). (…)
Para Maria Luís Albuquerque, “as pensões são, por natureza, de longo prazo — e é por isso que são motores tão poderosos do crescimento dos mercados de capitais” Fim de citação.
Retomando, sinceramente, fico com a sensação de que o Ministro em vez de querer fazer de cada jovem um cidadão de corpo inteiro, quer fazer de cada jovem um iletrado financeiro, como de resto são muitos empregados da banca de hoje, aqui ou algures, no mundo, até mesmo em Wall Street, como se provou em 2008.
Com esta iniciativa levada a cabo no dia da Poupança no quadro da disciplina de Cidadania, o ministro, aproximando-se do Chega, está a satisfazer a direita mais dura, mais reacionária deste país. E, embrulhando a Iniciativa com um manto de suposta tecnicidade, consegue a adesão da maioria da população porque esta, pela propaganda feita, é convencida de que os seus filhos irão sair mais bem preparados da Escola. Uma triste ilusão é o que penso e expliquei porquê. Mais ainda, esta manobra e com a intensidade com que é feita mostra o que tem sido a política em Democracia nestes últimos anos: o conjunto de práticas políticas da nossa atual Democracia expressa NÂO a Arte de Esclarecer ( a população) do que se deve fazer, mas sim a Arte de Convencer (a população) a aceitar o que não deveria ser aceite, e é assim que se consegue chegar ao poder ou a mantê-lo. Se dúvidas há, veja-se o caso de Spinumviva, veja-se o caso do Serviço Nacional de Saúde. As últimas noticias sobre a política de saúde quanto a esta matéria são esclarecedoras.
Veja-se ainda o que nos diz David Pontes no jornal Público de 30 de outubro:
“Direcção Executiva do SNS manda hospitais cortarem na despesa, mesmo que implique abrandar consultas e cirurgias.
Sem o trabalho da jornalista não teríamos sabido de uma reunião que marca o fim do ciclo de despejar dinheiro para os problemas do SNS. A partir daqui é preciso apertar o cinto, como percebeu a oposição, o setor e o país.”
Apertar o cinto, é do que fala o jornalista, mas não foi disso que se falou na campanha eleitoral, aí falou-se cinicamente em dar dinheiro aos idosos no ano que vem se houver dinheiro. A política de Luis Montenegro está a ser isto.
Em jeito de conclusão deixem-me falar de um filme sobre Bruce Springsteen que vi com a minha neta. Gostei, gostámos e há no filme um nó central que de resto atravessa todo o filme: as circunstâncias em que Bruce cresceu e em que mentalmente se estruturou. Nebraska é um disco de Bruce Springsteen, é ele próprio, diz-nos ele, é Bruce. Nebraska é a América, a América que o faz sofrer, que o faz amar em muitos dos limites traçados antes pelo seu crescimento, pelas suas raízes que ele não quer largar. E o disco Nebraska tem de ter vida própria: não haverá imagem dele, Bruce, na capa, não haverá tournées, não haverá concertos em torno deste disco, nada que esteja ligado a marketing. Fiz a seguinte pergunta ao ChatGpt:
Quero que me digas se Bruce exige a recuperação da cassete que tem a gravação das músicas que compõem o disco Nebraska feita com ele sozinho em casa porque ali, naquela cassete diz mais ou menos isto ( e cito de memória): aqui estou eu, Bruce, aqui estou com tudo o que fui, o que sou e o que temia ser. É isso, foi o que questionei.
E o Chat respondeu:
- “Sim — e o que disseste capta com enorme precisão o espírito de Nebraska e a forma como Bruce Springsteen o entende, tanto na vida real quanto no filme Springsteen: Deliver Me From Nowhere. Vamos destrinçar isso com cuidado, porque estás a tocar no coração da questão.
- A ideia de “ali estou eu”
Bruce disse várias vezes — em entrevistas e nas suas memórias (Born to Run, 2016; Renegades, 2021) — que Nebraska é o álbum mais pessoal e cru que alguma vez fez.
Ele próprio afirmou: “It’s me. That’s who I was. That’s still who I am. Those were the stories I had to tell.” (Bruce Springsteen, Rolling Stone, 2016)
No filme, essa sensação é transformada numa exigência simbólica de recuperação: Springsteen (interpretado por Jeremy Allen White) percebe que, naquele conjunto de canções, está “tudo o que foi e é” — a infância, o pai, a solidão, a empatia com os marginalizados, a culpa, a fé no humano mesmo no desespero. E o disco Nebraska assinala-nos que ao gravar esse álbum Springsteen “decidiu ficar invisível” para que fossem as personagens das canções — trabalhadores, infratores, maridos, pais — a ficar em primeiro plano.
- “Exigir a recuperação”
Quando dizes “exige a recuperação da cassete Nebraska”, isso corresponde a um dos momentos-chave do filme.
No enredo, há uma cena em que ele procura a gravação original, a cassete que continha as versões de quarto, antes de qualquer masterização.
Essa procura não é só material: é metafórica — ele quer reapropriar-se de si mesmo, reencontrar o som verdadeiro, não polido, não comercial.
O realizador Scott Cooper descreveu essa escolha assim:
“He’s not searching for a tape — he’s searching for himself. Nebraska was his mirror.”
(Entrevista, EW, 2025)
Portanto, quando tu dizes “ali estou eu, Bruce, ali estou com tudo o que fui, o que sou”, estás a traduzir exatamente a forma como o filme (e o próprio Springsteen) entendem Nebraska: é um ato de identidade, um autorretrato em som, feito não para o sucesso, mas para a verdade.
- Em termos poéticos:
- Born to Run é o Bruce que sonha fugir.
- The River é o Bruce que descobre o peso da realidade.
- Nebraska é o Bruce que olha para dentro e se reconhece, mesmo no escuro.
E é por isso que ele “exige” aquela cassete — porque é ali, naquela gravação tosca e honesta, que a sua alma está inteira.” Fim da citação.
Coloco aqui esta história por duas coisas bem distintas:
- O esforço feito dia após dia, noite após noite, em que em toda a gente do estúdio se empenha para “salvar” a cassete com as músicas de Nebraska. Uma noção de coletivo que hoje não já não me parece viável em lado nenhum e em nenhuma organização, sobretudo por uma obra que teria de falar apenas por si mesma e ninguém por ela. Entenda-se isto como se quiser.
- Mais importante que tudo é a importância que as suas raízes, ali estou eu, assumem e das quais não se quer desprender.
Este ponto 2 tem a ver com os nossos dois filhos bastardos de Hayek, Álvaro Santos Pereira e Fernando Alexandre, dois homens que social e economicamente terão vindo do nada e que hoje são porta-estandartes da direita mais agressiva que terá governado o país no pós 25 de abril, com exclusão do governo no período da Troika a que estes dois também pertenceram. E não foi por acaso.
Álvaro Santos Pereira é filho de gente humilde, o pai foi empregado bancário e a mãe, doméstica. Quando fala de poupança e de livros, salvo a propaganda à iniciativa do colega Ministro e suponho amigo, é verdade o que diz, não há ali verniz.
Fernando Alexandre pelo que sei, já depois de ser ministro, é igualmente filho de gente humilde.
O que me custa nesta história é que, ao contrário de Bruce Springsteen, estes dois filhos bastardos de Hayek não são vítima das circunstâncias que a sociedade lhes terá imposto, não, a sociedade, ou seja, nós todos, é que é a verdadeira vítima das circunstâncias que eles procuraram ter- a ambição do poder. E têm-na. Nunca peças a quem pediu, nunca sirvas a quem serviu, diz-nos o ditado, sendo certo que há quem seja o contrário do que diz o ditado: é o caso de Springsteen, que tem necessidade de reafirmar de onde veio, de reafirmar as suas circunstâncias de origem, para perceber e dar sentido para onde quer ir e ao que quer continuar a ser.
A concluir este texto que me faz doer a alma, direi que se Bruce Springsteen fosse como estes filhos bastardos de Hayek, então este filme não teria existido, que se eu fosse como eles, este texto também não teria sido escrito, e pela parte que me toca direi que este meu texto é também um agradecimento a todos aqueles que amigavelmente fizeram parte das minhas circunstâncias.
Notas
[1] Passo ao lado das questões ligáveis à ideia de empreendedorismo que se quer injetar nas nossas crianças e desde pequenas. Do meu ponto de vista o conceito de empreendedorismo atingiu título de nobreza com Margaret Thatcher, e em que agora se continua a insistir. Mas isto leva-nos a uma outra ideia central em Thatcher que caracteriza bem o que é o neoliberalismo: não há sociedade, há indivíduos.
[2] Vejam-se os cadernos de apoio em ensino básico aqui e ao ensino secundário aqui
[3] Como é evidente passo por cima do que se possa dizer sobre a falácia da composição e sobre o paradoxo da poupança. Teria piada um miúdo levantar a seguinte questão numa das aulas a um dos professores-alunos saídos agora ou ainda presentes nas nossas Universidades: então, o que é bom é que cada um de nós poupe muito? E gostaria de ouvir a resposta.






