Manifesto contra o cancelamento público de Boaventura de Sousa Santos

 

Nota de Imprensa

16 de dezembro de 2025.

Mais de 200 personalidades reconhecidas de 32 países assinam Manifesto contra o cancelamento público de Boaventura de Sousa Santos

Figuras influentes como Lídia Jorge, Baltasar Garzón, Adolfo Pérez Esquivel e Marilena Chaui, entre muitas outras pessoas, apoiam o Professor Boaventura.

Mais de 200 pessoas, muitas delas personalidades reconhecidas e figuras influentes de um total de 32 países, assinaram um manifesto contra o cancelamento público de Boaventura de Sousa Santos, intelectual e sociólogo português de reconhecido prestígio internacional, uma das grandes referências contemporâneas nos campos da sociologia, das Epistemologias do Sul, da luta democrática global e da defesa dos direitos humanos, que vem sofrendo há quase três anos uma intensa campanha de difamação e de silenciamento público.

O manifesto foi promovido pelas reconhecidas feministas Isabel Allegro de Magalhães, Mary Layoun e Maria Irene Ramalho. Denuncia a forma como foi violado o direito de defesa do Professor Boaventura bem como a sua presunção de inocência. Além disso, reivindica a necessidade de pôr fim ao seu silenciamento e cancelamento.

O manifesto foi criado na sequência das acusações feitas contra Boaventura de Sousa Santos por um grupo de antigas investigadoras do CES (Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, do qual é fundador) exclusivamente através dos meios de comunicação social e das redes sociais. Apesar da inexistência de provas que sustentem as acusações e da inexistência de um processo judicial que o tenha julgado ou condenado, Boaventura de Sousa Santos não pôde exercer o seu direito a uma defesa plena e foi afastado de numerosos círculos intelectuais e académicos em consequência do cancelamento. Não houve qualquer queixa, quer criminal, quer civil, por assédio sexual ou moral contra Professor Boaventura por parte das mulheres que o difamaram ou de qualquer outra pessoa. Cancelamento esse que ignora os documentos tornados públicos pelo Professor, que, segundo o Manifesto, provam a falsidade das acusações que contra ele fizeram ex-investigadoras do CES.

Entre os signatários destacam-se personalidades de prestígio e renome internacional, como Lídia Jorge, escritora, Prémio Pessoa de 2025; Baltasar Garzón, jurista; Adolfo Pérez Esquivel, professor e artista argentino, Prémio Nobel da Paz em 1980 pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos e da democracia; Kenneth M. Stokes, presidente do Fórum Mundial de Sustentabilidade; Maria Margarida Gil Lopes, realizadora e actriz portuguesa; Marilena Chaui, filósofa brasileira; Helder Macedo, escritor; Ligia Amâncio,  professora jubilada do ISCTE;  Silviano Santigo, escritor, Prémio Camões de 2022; José Narciso Cunha Rodrigues, ex-Procurador Geral da República; Vasco Lourenço, capitão de Abril; Ana Benavente, Professora jubilada da Universidade de Lisboa; Almeida Faria, escritor;  Vital Moreira, professor jubilado da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; Karin Wall Gago, investigadora do ICS; Raul Zaffaroni, ex-juiz do Tribunal Supremo da Argentina; Maria Eduarda Gonçalves, professora jubilada do ISCTE; Graça Carapinheiro,  Professora jubilada do ISCTE; Augusto Paulino, ex-Procurador-geral da República de Moçambique; Leonardo Boff,  teólogo; Gay Seidman, Professora da Universidade Wisconsin-Madison; José Carlos de Vasconcelos, advogado e jornalista; Michel Lowy, investigador do CNRS, França; Cristina Guarnieri, editora italiana; Leonardo Avritzer, professor da Universidade de Minas Gerais, Brasil; Carolina Corcho Mejia, Professora da Universidade Nacional da Colombia; Naomar Almeida Filho, Professor da Universidade da Bahia;  Rafael Bautista Segales, escritor e pensador boliviano; Goran Therborn, Professor jubilado da Universidade Cambridge; Elodia Hernandez, Professora Universidade Pablo Olavide, Sevilha; Gilson Lázaro, professor da Universidade Agostinho Neto de Angola; Carlos Lopes, Professor da Universidade de Cape Town; Bahia Awah, poeta do Saara Ocidental; Angeles Castaño, Professora da Universidade de Sevilha; Antonio Carlos de Almeida Castro, Kakay, advogado brasileiro; José Genoino, ex-Presidente do Partido dos Trabalhadores do Brasil; Ana Célia Castro, Directora do Colégio Brasileiro de Estudos Superiores da UFRJ; Mor Ndao, Director da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Cheikh Anta Diop do Senegal; Vera Duarte,  Juiza, escritora Cabo verde;  Raul Fernandes Professor da Universidade da Guiné Bissau;  Joel Rogers, Professor das Universidade de Wisconsin-Madison; Aldaiza Sposati , Professora universitária de São Paulo; Issa Shivji, Professor da Universidade da Tanzania;  Ramiro Santamaria, Professor da Universidade Andina do Equador; Norma Fernandez, Professora da Universidade de Córdoba, Argentina; David Trubek, Professor da Universidade de Wisconsin-Madison; Mário Vitoria, artista plástico, Portugal; Inês Barbosa, Professora da jubilado da Universidade estadual do Rio de Janeiro; Maria Helena Barros, investigadora da FIOCRUZ do Brasil; Maria Paula Meneses, investigadora do CES, Moçambique; Lynn Whitford, artista EUA; Ladislau Dowbor Professor da Universidade Católica de São Paulo; Graça Capinha, professora jubilada da Universidade de Coimbra;  Juan José Tamayo Teólogo da libertação, Espanha;  Jorge Guedes, Director Teatral, Portugal; Fireder Otto Wolf, professor da Universidade de Berlim; Bruno Sena Martins, investigador independente; Alice Kessler-Harris, professora da Universidade de Columbia; entre muitos outros.

O manifesto e a lista completa de signatários podem ser consultados no site de apoio a Boaventura de Sousa Santos, e as possibilidades de adesão ao Manifesto continuam abertas site de apoio a Boaventura de Sousa Santos, e as possibilidades de adesão ao Manifesto continuam abertas (www. https://www.supportboaventuradesousa.com/pt/post/manifesto-contra-o-cancelamento-o-caso-de-boaventura-de-sousa-santos)

 

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Manifesto contra o cancelamento – O caso de Boaventura de Sousa Santos

 

Boaventura de Sousa Santos é um intelectual público conhecido nacional e internacionalmente. Desde há três anos é vítima de uma difamação. Nunca foi julgado nem condenado a não ser nos meios de comunicação social e nas redes sociais. Nunca pôde defender-se nem beneficiar da presunção de inocência ou das garantias processuais fundamentais. Recentemente tornou públicos os documentos que provam a falsidade das acusações que contra ele fizeram ex-investigadoras do CES (aqui). A filósofa brasileira Marilena Chaui tomou forte posição pública contra essa difamação e contra a política de cancelamento (aqui).

É tempo de acabar com o silenciamento de Boaventura de Sousa Santos e de novo ouvir a sua voz.

É tempo de pôr fim à sua morte civil.

É tempo de voltar a vê-lo participar na realidade nacional e internacional.

É tempo de ver publicados os novos livros que entretanto completou.

É tempo de rejeitar mobilizações contrárias, públicas ou não, às suas intervenções em eventos intelectuais, culturais, políticos, como aconteceu recentemente na Universidade de São Paulo. A este propósito, 23 académicas publicaram uma “Nota Crítica” sobre a “política do cancelamento” (aqui).

É tempo de acabar com tão pesado e injusto silenciamento de um grande intelectual.

 

Isabel Allegro de Magalhães, Mary Layoun e Maria Irene Ramalho.

1 Comment

  1. Venho desde há muito apoiando o trabalho e actividades do Prof. Boaventura e subscrevo – o que considero um dever moral e cívico – o que vem fazendo em prol da justiça que lhe é devida.

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