Por ocasião do Dia Mundial da Poesia, celebrado a 21 de março, em Veneza registou-se um conjunto especialmente numeroso e diversificado de iniciativas que envolveram instituições culturais, escolas e espaços públicos, bem como associações e grupos de leitura. Em contraposição a toda a retórica em volta das ameaças da inteligência artificial, a valorização da palavra poética, na sua essência de subjetividade e subversão, de repente parece ter-se amplificado.
É difícil dar conta da grande quantidade de eventos, encontros e concursos de poesia que se realizaram durante os últimos dias, em toda a área metropolitana, mas merece pelo menos uma referência o programa proposto pela Fundação Querini Stampalia, que, sob a inspiração de um célebre verso da poeta Alda Merini – Sono nata il ventuno a primavera (Nasci no dia vinte e um na primavera) – delineou um percurso interdisciplinar capaz de entrelaçar poesia, cinema, tradução e leitura em voz alta. Entre encontros, projeções e momentos de debate, a poesia emergiu como uma linguagem viva e aberta ao diálogo com outras formas artísticas.
A par deste polo, o Ateneo Veneto acolheu, a 20 de março, uma jornada dedicada ao “destino dos poetas”: mesas-redondas, comunicações de teor académico e leituras coletivas proporcionaram um espaço de reflexão sobre a função da poesia contemporânea, culminando numa maratona poética muito participada.
Paralelamente, promoveram-se inúmeras outras iniciativas, com oficinas, leituras, encontros com poetas, apresentação de livros e atividades educativas, todas querendo valorizar a poesia como instrumento de expressão, inclusão e consciência. Numa altura em que, pelo mundo fora, a barbárie parece predominar sobre o logos, a impressão é que, na verdade, os seres humanos, de todas as idades, ainda reclamam a beleza e a voz da poesia.
(Foto de Richa Sharma: https://www.pexels.com/pt-br/foto/natura-arte-impianto-pianta-4270298/)


