Ainda a homenagem a Luís Represas, um grande da cultura e da música portuguesa
Nota prévia
Há dias, e já depois de ter publicado uma curta nota de homenagem a Luís Represas falecido no passado dia 22 de Julho (aqui), deparei-me com o belo testemunho que deixo abaixo, com a devida vénia, da diplomata Graça Gonçalves Pereira.
FT
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Mal tinha chegado a Maputo em funções oficiais quando abri a residência, pela primeira vez, a portugueses e moçambicanos, para darmos as boas vindas a Luis Represas. Pois tinha querido o destino que nessa altura viesse a Maputo para um par de concertos, a solo e com o Stewart Sukuma.
Lá e sempre, Represas deixava muito mais do que canções, deixava a ideia de que a cultura é memória, a música pode mudar consciências e a língua portuguesa continua a ser um lugar de encontro (como disse Catarina Ferreira no JN). Nas suas palavras, a confiança que temos no nosso próprio país e na nossa cultura é fundamental para nos posicionarmos. Tinha o dom de perceber a importância dos laços e dos afetos que tecem a nossa memória e os nossos relacionamentos (também enquanto país). E a polivalência de imortalizar poetas, enfeitiçar-nos com feiticeiras e dizer “Calam-se as vozes dos teus avós, Se outros calam, Cantemos nós” (a propósito de Timor e não só). Compôs com Sérgio Godinho “chave dos sonhos” e fadistas cantaram as suas canções. A toada podia ser soft ou forte, ou ambas numa só.
Ficará connosco.
Graça Gonçalves Pereira
Em 27 de Julho de 2026 (original aqui)

