Para o Luís Represas e Jorge Palma – por Eva Cruz

 

Para o Luís Represas e Jorge Palma

por Eva Cruz

 

Jorge Palma e Luís Represas

Partiram com dois meses de diferença.

Unidos pela arte, pelo talento, pela música, pelo palco, pela amizade.

“Querido amigo, Luís, é difícil, é doloroso, saber que partiste, caramba”.

Mal sabia, ou talvez soubesse, que na próxima esquina o esperava a ceifeira de todas as ilusões.

Ambos partiram sem nada.

Ambos tudo deixaram, a vida, a arte, a guitarra, o piano, a voz com que sempre defenderam a Liberdade, a Democracia, as Causas Humanitárias, os Valores de Abril.

Ambos souberam que a vida era a arte de despertar consciências, de abrir o caminho da Paz na construção de um mundo novo, de um mundo melhor, aberto à Justiça e à igualdade de Direitos de todo o ser humano.

Ambos sabiam que o mundo em que viviam não era o mundo que queriam.

O mundo da barbárie, da crueldade, da inacreditável desumanidade, o mundo da indiferença e da cumplicidade maligna.

Ambos pertenciam à coragem inabalável de todos aqueles milhões cuja voz ecoa por todo o planeta, ainda que abafada pela desinformação e a indiferença.

Querido Luís Represas e querido Jorge Palma, é com saudade que assistimos à vossa partida para o seio do Universo, mas a música que neste mundo deixaram será sempre um bálsamo para todos os corações entristecidos e uma força vital para a continuação da luta.

“Calam-se as vozes dos teus avós…se outros calam, cantemos nós…” ; “Enquanto houver estrada, a gente vai continuar… a gente não vai parar…”

 

 

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