Seleção e tradução de Júlio Marques Mota
Texto 4 – Dirigentes empresariais ficam horrorizados com a chegada ao mercado de trabalho de recém-formados universitários «nativos em IA»
Publicado por
em 9 de Maio de 2026 (original aqui)
Um grande número de estudantes vai sair da universidade diplomados e entrar no mercado de trabalho sendo, na prática, essencialmente iletrados [1].

Há uma epidemia silenciosa a ganhar força nas faculdades e universidades de todos os Estados Unidos — e, como poderá imaginar, tem tudo a ver com a inteligência artificial (IA).
Como contou um financeiro de Nova Iorque à jornalista Gillian Tett, do Financial Times, os novos funcionários contratados, considerados «nativos da IA», estão a chegar ao escritório com ideias alarmantemente muito superficiais. A situação é tão preocupante que o profissional do setor financeiro, que preferiu manter o anonimato, admitiu que a sua empresa evita agora ativamente procurar licenciados das áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) com conhecimentos de IA, optando, em vez disso, por analisar as listas de diplomados em humanidades.
“Queremos pensamento crítico, não apenas IA”, disse o financeiro ao Financial Times (FT).
Nos últimos anos, uma verdadeira onda de artigos de opinião, estudos e textos analíticos inundou a internet com relatos alarmantes sobre o declínio das taxas de alfabetização, das competências sociais e da capacidade de pensamento crítico dos estudantes universitários do país. Embora haja alguma verdade na ideia de que estas capacidades já vinham a diminuir lentamente antes da adoção generalizada da IA, a tecnologia parece estar a acelerar ainda mais essa deterioração das competências práticas, sobretudo entre os jovens, para quem pode funcionar como uma muleta cognitiva.
O estado do ensino superior deteriorou-se rapidamente nos últimos anos, uma vez que muitos dos estudantes universitários de hoje recorrem regularmente à IA para delegar os seus trabalhos académicos, utilizando assistentes como o ChatGPT — um atalho que, segundo os educadores, está até a afetar a sua capacidade de participar em discussões presenciais.
E, embora as universidades tenham muitas outras finalidades para além de simplesmente preparar os estudantes para o mercado de trabalho, essa é, sem dúvida, uma das suas principais funções. As consequências poderão ser preocupantes: como afirmou Troy Jollimore, professor de Ética na Universidade Estatal da Califórnia, em Chico, ao New York Magazine em 2025, «um número enorme de estudantes vai sair da universidade com diplomas e entrar no mercado de trabalho sendo, na prática, essencialmente iletrados».
Embora muitos líderes de opinião tenham debitado eloquentemente sobre a importância da «literacia na IA» — basicamente, a compreensão de como utilizar eficazmente as ferramentas de inteligência artificial —, as empresas para as quais estes futuros estudantes se encaminham, continuam a depender fortemente da literacia tradicional, ou seja, da capacidade de ler e escrever. Apesar do seu alegado potencial revolucionário, há bastantes provas de que a IA ainda não teve um impacto significativo na produtividade no local de trabalho, bem como evidências de que o seu impacto económico continua limitado. Isto significa que os estudantes que apostarem inteiramente na IA, em detrimento de outras competências, provavelmente descobrirão que não estão devidamente preparados para as exigências reais da vida após a universidade.
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[1] N. T. o termo «Essentially illiterate» refere-se a pessoas que cresceram ou estudaram num contexto em que a inteligência artificial está amplamente disponível. É uma expressão forte que, neste contexto, sugere que os recém-formados poderão ter dificuldades em ler, escrever e pensar criticamente sem depender da IA.
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Joe Wilkins é escritor contribuinte em Futurism, onde se concentra na intersecção entre tecnologia e poder-examinando a economia, a história e a política por trás das manchetes distópicas de hoje. Como escritor interessam-lhe tópicos que vão desde o impacto da IA no trabalho até startups que ninguém pediu. O seu trabalho tem sido citado por publicações como Forbes, The Guardian, MIT Technology Review, Time, The Nation, Mother Jones, The Verge e Wired. Anteriormente foi editor na Insurance Insider US e contribuinte no Jacobin Magazine. Licenciado em Música pela Central Michigan University. É mestre em Música, Condução de Orquestra pela Ball State University.


