por Rui Oliveira
Temos de novo um princípio de semana fraco, de arranque difícil, pelo que nenhum evento merece verdadeiramente um destaque.
No campo do cinema há contudo uma reflexão a seguir, para lá das exibições especiais em salas fora dos circuitos comerciais.
Terá lugar na Culturgest, às 18h30 no seu Pequeno Auditório, com entrada gratuita (mediante levantamento prévio de senha). Trata-se de um encontro público (em inglês, sem tradução) sobre “As várias vidas da imagem cinematográfica” entre Laura Mulvey, professora no Birkbeck College (Universidade de Londres) e autora de “Death 24x a Second : Stillness and the Moving Image” (2006) e Ismail Xavier, professor da Escola de Comunicações e Artes (Universidade de São Paulo), que publicou desde “O Discurso Cinematográfico: A Opacidade e a Transparência” (1977) a “Alegorias do Subdesenvolvimento : Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema marginal” (1993).

Promovido pela “Associação de Investigadores da Imagem em Movimento” e pelo “Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (Universidade de Coimbra), tentará responder a certas questões, a partir de constatações óbvias. São elas :
«O que mudam as novas tecnologias nos debates históricos dos estudos de cinema, na maneira como se pode pensar a identidade do cinema, a autonomia da obra cinematográfica e o estatuto do espectador? Quais as consequências destas transformações para o ensino e a investigação? Que oportunidades e que desafios se oferecem hoje aos “cinemas do mundo” e às pequenas cinematografias nacionais?».
Pois um dado é evidente – que «… muitas vezes anunciadas, as notícias sobre a morte do cinema depois da popularização da televisão, do vídeo, e mais recentemente da Internet, parecem ter sido largamente exageradas. Ao mesmo tempo que abandona os seus espaços de exibição tradicionais e se entrega à tecnologia digital e aos dispositivos móveis, o cinema acompanha-nos agora em casa e na rua, baralhando público e privado, individual e colectivo, e misturando-se com as formas da publicidade, dos jogos de computador e da animação … Provavelmente numa versão menos “pura” do que aquela em que sempre nos habituámos a imaginá-la, a imagem cinematográfica entra numa nova etapa das suas muitas vidas …»
Já quanto a sessões especiais, temos no Institut Français de Portugal a continuação do Ciclo Comédias Francesas com a exibição, às 19h, do filme “Et toi, t’es sur qui?” (França, 2007) de Lola Doillon (foto),
com Lucie Desclozeaux (Élodie), Christa Theret (Julie), Gaël Tavares (Vincent), Nocolas Schweri (Nicolas), Héloïse Etrillard (Marion) e Shomron Haddad (Alex) nos principais papéis.
Sinopse : Élodie tem quinze anos e decide, com a sua melhor amiga Julie, uma gótica com a mesma idade, ter a sua primeira relação sexual com um rapaz. Falta apenas uma semana para as férias. As duas amigas vão confrontar-se com uma realidade que imaginavam diferente. Ao mesmo tempo, Élodie descobre como a amizade que partilha com o seu amigo Vincent se pode transformar num sentimento amoroso…
Este é o seu filme-anúncio :
Num tom mais sério e ficando na filmografia francesa, sugere-se ao leitor deslocar-se até à Cinemateca Nacional (até como solidariedade face aos cortes ministeriais que já impediram
este mês as despesas habituais de intercâmbio com cinematecas congéneres – ver Comunicado/protesto da sua Direcção) para ver às 21h30, na Sala Dr. Félix Ribeiro, a segunda longa-metragem de Jean-Luc Godard (foto com AK) “Le Petit Soldat” (O Soldado das Sombras)
(França, 1960, legendado em português), com Michel Subor, Anna Karina e Henri-Jacques Huet nos principais papéis.
«Um desertor francês alista-se num grupo de extrema-direita suíço, do qual mais tarde tenta fugir por amor de uma mulher». Esta é a sinopse de um dos mais polémicos filmes de Godard, acusado à época de «fascismo» por parte da esquerda ofi cial e proibido em França durante três anos, devido às muitas alusões à Guerra da Argélia, então no auge (nomeadamente uma longa e célebre cena de tortura).
Sempre que Anna Karina (aqui no seu primeiro encontro com Godard) entra em cena rouba toda a luz à sua volta … é o que consideram a Cinemateca e muitos dos cinéfilos.
Mostramos-lhe o trailer oficial (logicamente em francês), mas o leitor que não possa em absoluto ir à Cinemateca tem aqui um excerto mais longo http://youtu.be/Zmm_L_NqCs0 )
Por último, uma curiosidade para os interessados em etnologia :
No Museu Nacional de Arqueologia (situado nos Jerónimos) termina nesta Segunda-feira,
13 de Maio, o ciclo de palestras comemorativas do seu 120º aniversário sobre
“José Leite de Vasconcelos – Obras Escolhidas, Conversas Interpelantes” quando, às 18h00, a Doutora Clara Saraiva, intervier sobre a obra de fundo “Etnografia Portuguesa”.
A sessão tem início com a actuação do Grupo Coral “Estrelas do Guadiana” – um grupo composto por alentejanos de várias proveniências, residentes em Tires (Cascais), envolvido na candidatura do “cante alentejano” a património mundial.
Pode-se aqui ouvi-los até numa prosa “etnográfica”(numa gravação deficiente) :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sábado aqui)




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