EDITORIAL: ENTRE OLIGARCAS E PLUTOCRATAS

Diário de Bordo - II

Tomou posse mais um governo, muito parecido com os anteriores, só que talvez ainda pior. Caras velhas e caras novas, à mistura. Mas todos bastante parecidos. Dirão: outra coisa não era de esperar. E é verdade.

A história de Portugal é uma história de desigualdades. O 25 de Abril deu o pontapé de saída para o período mais duradouro de redução dessas desigualdades. Logo a seguir foi introduzido o salário mínimo. Depois vieram o direito de voto para as mulheres, nas mesmas condições que para os homens, a segurança social universal, o serviço nacional de saúde, o subsídio de desemprego, o rendimento mínimo garantido. Tudo medidas tendentes a fazer prevalecer a  igualdade de direitos e de oportunidades entre os portugueses, como se diz agora, entre as portuguesas e os portugueses. Claro que essa igualdade esteve sempre longe. Mas agora está cada vez mais longe. O rendimento mínimo garantido foi sol de pouca dura, se é que alguma vez chegou a brilhar. Foi rapidamente despromovido para rendimento social de inserção, benefício social com uma vida cada vez mais precária. E o refluxo no caminho para o fim das desigualdades está à vista de todos. Já há quem vá medindo os recuos, reportando-os aos anos em que foram introduzidas as medidas que agora são postas em causa.

Os promotores deste refluxo são conhecidos. Os Donos de Portugal, primeiro o livro, depois o filme, mostraram bem quem são e a quem servem. Figuras como os Doutores Cavaco Silva, Eduardo Catroga, Rui Machete estão ali bem enquadradas. As semelhanças entre Portugal, Itália e outros países referidas em A PROPÓSITO DA CONVERGÊNCIA ENTRE A ITÁLIA COM A SUA MÁFIA E PORTUGAL COM OS SEUS JOVENS AO ASSALTO DO PODER SOB A RESPONSABILIDADE DE UM GEORGIO NAPOLITANO DE MATRIZ PORTUGUESA*, por JÚLIO MARQUES MOTA, são manifestas, diferindo no que respeita a algumas tradições e costumes. O problema é a desigualdade social e económica, que subsiste tanto em Itália como em Portugal em moldes que montam à Idade Média, e que hoje estão a ser reintroduzidos de uma maneira apavorante, Vejam só o caso das portagens, que asfixiam o país, a começar pela pequena e média indústria e pelo pequeno e médio comércio, e só beneficiam os grupos económicos que exploram as auto-estradas. Esses grupos económicos não são mais do que os sucessores dos barões feudais, a quem o rei enfraquecido concedia o direito de cobrar portagens, peagens, etc. Claro que assim só querem no poder pessoas que concordam com este estado de coisas, a começar pela enorme concentração de riqueza em poucas mãos, que esmaga o nosso povo. O grupo ligado ao BPN quadra-se muito bem neste quadro. E outros como eles. E a União Europeia está perfeitamente identificada com o conjunto, tal como o actual governo.

*Ver: http://aviagemdosargonautas.net/2013/07/25/a-proposito-da-convergencia-entre-a-italia-com-a-sua-mafia-e-portugal-com-os-seus-jovens-ao-assalto-do-poder-sob-a-responsabilidade-de-um-georgio-napolitano-de-matriz-portuguesa-por-julio-marques/

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