ENCONTRAR AS CAPACIDADES ESCONDIDAS EM CADA UM ATRAVÉS DE TÉCNICAS TEATRAIS por Clara Castilho

Imagem4Com o intuito de suprimir a realidade ainda hoje existente, a qual coloca os deficientes como população fora dos parâmetros “normais” dos padrões instituídos, a Assembleia Geral das Nações Unidas, aprovou a Resolução n° 45/91, que aborda o modelo de sociedade inclusiva, ou “sociedade para todos”, baseando-se no princípio de que todas as pessoas têm o mesmo valor e perante tal evidência deve a sociedade empenhar-se em aceitar e ter em conta as diferentes necessidades de cada um dos cidadãos.

As pessoas com deficiência/doença mental são muitas vezes excluídas da actividade teatral e isso têm contribuído para a dificuldade de dar oportunidades a todos quantos desejam, através do teatro, expressar-se artisticamente, afastando o princípio consagrado na directiva das Nações Unidas.

Mas há quem responda a este desafio e aproveite as potencialidades que a experiência do exercício da experiência de ser “actor” ou de desempenhar outras actividades relacionadas com a montagem de uma peça teatral. Nestes casos, pode dizer-se que o teatro é posto ao serviço de um objectivo específico, em que se permite conectar experiências, criando uma aventura em que todos podem comparticipar. As técnicas de tipo vivencial vão à procura de todos os recursos existentes em cada um dos sujeitos com quem se trabalha.

 

O mais conhecido é o Grupo Crinabel Teatro, um colectivo com quase 30 anos de existência, criado no seio da Crinabel, Cooperativa de Ensino Especial, e que tem vindo ao longo do seu percurso a desenvolver um trabalho artístico com jovens portadores de deficiência mental, procurando potenciar as suas capacidades artísticas, pessoais e sociais.

No ano de 2013 o Grupo disponibilizou para digressão vários espectáculos. Informações podem ser recolhidas em: Www.crinabelteatro.blogspot.com e http://www.facebook.com/crinabel.teatro.

Em Janeiro tiveram em cena a peça “A Cantora Careca” a partir de Eugene Ionesco com  encenação de Marco Paiva,  no Teatro da Comuna. De Fevereiro a Junho de 2014 no Centro Cultural Malaposta poderá ser vista “A Grande Viagem”.

O ano passado, um grupo de alunos de cinema da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, deu protagonismo a pessoas com deficiência mental com a colaboração da delegação da Covilhã da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM). Daí saiu uma curta-metragem orientada pelo realizador do filme Henrique Cannavial. Tem como título “O mais forte protege o mais fraco”.

O Grupo de Teatro da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Setúbal (APPACDM) apresentou recentemente uma original versão da peça D. Quixote e Sancho Pança.

A CERCI de São João da Madeira também investe nesta metodologia e vai a escolas mostrar a peça  “Um mundo melhor” .

 A CERCIAMA, da Amadora, também utiliza as técnicas teatrais, intervindo junto das escolas, para combater o preconceito contra o preconceito em relação à deficiência.

2 Comments

Leave a Reply