Manuel Lopes Fonseca nasce em Santiago do Cacém. Cresce a ouvir as histórias contadas pelo pai, talento que herda e cultiva pela vida fora, a par do gosto pela leitura. Quando tinha nove anos morre o irmão Zezinho, três anos mais novo, tragédia que o marca para toda a vida. Aos doze, vem viver para Lisboa com a família, mas mantém fortíssimos laços com o Alentejo natal. Aos catorze já publica poemas e narrativas. É um desportista entusiasta, com uma vida social intensa. Em 1940, sai Rosa dos Ventos, o seu primeiro livro de poemas. Em 1942, Aldeia Nova, primeiro livro de contos. Em 1943, Cerromaior, o primeiro romance. Ao longo da sua carreira, está ligado ao cinema como argumentista e actor, e o seu espólio inclui peças de teatro.
Há que dizer Manuel da Fonseca tem sempre o Alentejo presente, na sua obra e na sua vida, mas que simultaneamente alarga a sua visão pelo mundo fora. No campo literário são notórias as influências de Lorca, Jorge Amado (da literatura realista brasileira em geral) e de Jack London, entre outros. Para mais elementos vejam:
http://www.vidaslusofonas.pt/manuelfonseca.htm
http://aviagemdosargonautas.net/2014/05/19/o-alentejo-na-poesia-portuguesa-por-manuel-simoes/
http://aviagemdosargonautas.net/2012/04/16/poemas-sobre-o-alentejo-manuel-da-fonseca/
E releiam alguns dos versos que dedicou a Florbela Espanca, referidos por Mário Sacramento, em Há uma Estética Neo-Realista?, como contendo uma transferência da sua própria experiência para a da poetisa.
Florbela não foi à monda
nem às searas ceifar.
Nasceu senhora da vila:
– nunca as suas mãos esguias
colheram as azeitonas
nos galhos das oliveiras.
Mas ela sabia tudo
que há no coração da gente:
ouviu a gente cantar.
Desde menina cresceu
ouvindo a gente cantar
em ranchos, pelos montados,
quando a noite vai subindo!…


